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Supervisão precisa de integrar todos os seus sistemas de informação

Sem a existência de plataformas interligadas, as soluções avançadas de Inteligência Artificial vão levar a melhor sobre todos os supervisores financeiros

13 Ago 2026 - 18:30

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Foto: Freepik

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A aceleração da digitalização e o surgimento de novos riscos colocam elevadas exigências à supervisão financeira, salientando a necessidade de uma evolução e modernização contínuas. O Banco de Pagamentos Internacionais (BIS), considerado o banco central dos bancos centrais, divulgou nesta quinta-feira um relatório em que faz uma resenha do estado de integração dos sistemas de informação em diversos supervisores.

O relatório baseia-se num inquérito realizado junto dos membros da Rede Informal de Suptech do FSI (Instituto de Estabilidade Financeira, organismo sediado no BIS) e complementado por entrevistas a determinadas autoridades. Quarenta e três supervisores responderam ao inquérito, realizado entre fevereiro e abril de 2026. Pouco mais de metade (54%) dos inquiridos pertence a economias de mercado emergentes e economias em desenvolvimento (EMDE), enquanto 46% pertencem a economias avançadas (AE).

A maioria dos inquiridos tem um mandato de supervisão bancária (86%), seguindo-se a prevenção do branqueamento de capitais e o combate ao financiamento do terrorismo (51%), a supervisão dos seguros (44%) e a supervisão dos mercados de valores mobiliários (33%).

Além disso, foram entrevistadas oito autoridades que representam diferentes fases de integração dos sistemas de supervisão.

Os dados apresentados no documento mostram que, embora mais de metade das autoridades inquiridas tenha alcançado, pelo menos, uma integração parcial dos seus sistemas de supervisão, passando de ferramentas isoladas para plataformas interligadas, este progresso é desigual e está frequentemente limitado a funções específicas.

Apenas oito dos 43 inquiridos integraram ou interligaram plenamente os seus sistemas de recolha de dados, avaliação de riscos, monitorização do cumprimento das normas regulamentares e gestão dos fluxos de trabalho.

Quinze inquiridos têm sistemas integrados para, pelo menos, dois processos, ou seja, avançaram para a terceira geração. Na maioria dos casos, a integração parcial está assente no sistema de recolha de dados, articulado com processos relacionados.

Segundo o BIS, “a maioria dos inquiridos pretende integrar os sistemas de supervisão de forma total ou, pelo menos, parcial, ou seja, avançar para a terceira ou quarta geração de sistemas de supervisão. A questão é saber com que rapidez e eficácia as autoridades conseguirão concretizar essa integração”.

As autoridades que não dispõem de sistemas integrados ou que não têm planos para os implementar tendem a considerar suficientes os seus sistemas autónomos. “Cerca de dois terços das autoridades que não dispõem de sistemas integrados consideram que os atuais sistemas/ferramentas autónomos já respondem às necessidades da sua organização. Cerca de um quarto dos inquiridos respondeu que a existência de sistemas integrados não constitui uma prioridade organizacional. Uma pequena proporção aponta o baixo nível de maturidade tecnológica da organização como razão para não avançar com a implementação de sistemas integrados”, acrescenta o relatório.

Em conclusão, o BIS refere que “a integração dos sistemas de supervisão não constitui apenas uma atualização técnica, mas uma transformação estratégica. As autoridades que conseguiram integrar os seus sistemas referem uma maior eficiência, um melhor acesso a dados atempados e consistentes, uma maior transparência nos fluxos de trabalho e bases mais sólidas para a adoção de tecnologias avançadas, como a inteligência artificial (IA). Estes benefícios não são meramente circunstanciais; resultam de um alinhamento deliberado entre as estratégias de transformação digital, de governação dos dados e de suptech”.

“Sem uma integração robusta, as autoridades poderão enfrentar dificuldades na adoção de soluções avançadas de IA”, alerta aquele organismo, acrescentando: “os sistemas de supervisão integrados desempenham um papel importante na viabilização de uma adoção eficaz da IA. Estes sistemas permitem testar ferramentas de IA em paralelo com os processos existentes, através de sandboxes virtuais, facilitando a prototipagem rápida e o alargamento das soluções que apresentem resultados positivos”.

“A transição para plataformas integradas e centradas nas entidades, frequentemente assentes em arquiteturas semelhantes às de sistemas de gestão de relações com clientes (CRM), reflete uma mudança mais ampla na filosofia de supervisão: da gestão de processos isolados para uma supervisão holística e orientada por dados”, defende o BIS.

Os estudos de caso relativos a determinadas autoridades de supervisão demonstram de que forma a integração melhora a gestão do conhecimento, reforça a memória institucional e promove a colaboração entre equipas. Estas plataformas não só simplificam as operações, como também contribuem para avaliações de risco mais consistentes e decisões de supervisão mais bem fundamentadas.

“Permitem igualmente que as autoridades mantenham interações consistentes com as entidades supervisionadas e comuniquem de forma clara as prioridades e expectativas em matéria de supervisão. Em última análise, o sucesso da integração dos sistemas de supervisão não será medido apenas pela eficácia da implementação tecnológica, mas, sobretudo, pela eficácia alcançada pela própria supervisão”, refere o estudo.

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