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Tensão geopolítica entre EUA e Espanha coloca entrave na compra do Webster pelo Santander
Dois senadores republicanos pediram uma investigação à operação, considerando Espanha um aliado não confiável e pondo em causa as capacidades de controlo do Santander.
23 Mai 2026 - 08:55
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Ana Botín, CEO do Santander | Foto: FEM/Ciaran McCrickard
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Ana Botín, CEO do Santander | Foto: FEM/Ciaran McCrickard
O mais recente negócio de consolidação anunciado por um grande banco espanhol está a encontrar entraves do outro lado do Atlântico. Dois senadores republicanos apelaram às autoridades reguladoras que investiguem o Banco Santander e a sua aquisição do Webster Bank, anunciada em fevereiro por 10,3 mil milhões de euros.
A operação em questão necessita da aprovação de várias entidades americanas. Entre elas o Office of the Comptroller of the Currency (OCC) e o Departamento do Tesouro, bem como da divisão de Concorrência do Departamento de Justiça. O Santander requer ainda autorizações da Reserva Federal e do Banco Central Europeu.
A carta dos senadores Bernie Moreno e Tim Sheehy é endereçada ao OCC e ao Departamento de Justiça e inclui ainda Jerome Powell, presidente da Fed cujo mandato acabou de terminar, e o regulador dos seguros, de acordo com a informação avançada pelo periódico espanhol CincoDías.
Na missiva dos senadores de Ohio e Montana, estes caracterizam Espanha como um aliado geopolítico que não é de confiança e questionam as sanções contra países considerados adversários dos EUA, como Cuba e Irão. Põem também em causa a capacidade de controlo de fraude do Santander.
Na ótica dos políticos republicanos, a fusão do Santander com o Webster – que implica a transformação deste numa subsidiária do maior banco espanhol – vai ligar a “saúde financeira de comunidades americanas” a um banco estrangeiro e expor os trabalhadores americanos a uma entidade distante das “prioridades e interesses nacionais”.
Deste modo, Moreno e Sheehy exigem que as autoridades dos EUA não aprovem a transação a não ser que estejam “plenamente convencidos” de que a ‘governance’, a cultura de ‘compliance’ e os controlos técnicos estão alinhados com os padrões americanos. “Sem essa garantia, esta transação daria prioridade aos interesses de um banco estrangeiro em detrimento da estabilidade financeira e da prosperidade dos trabalhadores americanos”, alertam.
De forma a reforçar a sua argumentação, os senadores apontam um escândalo que envolveu o Santander e que diz respeito a uma conta na subsidiária britânica do banco que foi usada pelo regime iraniano em 2024. Citando uma investigação do Financial Times, o CincoDías explica que uma empresa petrolífera iraniana usou uma conta para branqueamento de capitais através de uma complexa estrutura corporativa que permitiu esconder os verdadeiros proprietários da conta. Uma situação destas violaria as sanções americanas sobre o Irão.
“Se as empresas iranianas conseguirem rastrear o percurso de fundos sujeitos a sanções através de uma conta do Santander no Reino Unido, as autoridades reguladoras financeiras dos EUA deverão investigar se as operações atuais e futuras do Santander, incluindo quaisquer instituições resultantes de fusões que detenham depósitos norte-americanos, estão protegidas contra saques semelhantes”, defendem.
Outra situação exposta na carta prende-se com a exposição do Santander à falida First Brands. A instituição espanhola tinha uma exposição de crédito estimada em perto de 200 milhões de euros. Moreno e Sheehy salientam que isto os deixa ainda mais apreensivos.
Por fim, os senadores descrevem Espanha como um centro de branqueamento de capitais europeu e uma porta de entrada de drogas a partir da América Latina. Neste contexto, apontam às falhas ao combate ao branqueamento de capitais do Santander no Reino Unido quanto à Beltacastle, uma intermediária financeira ligada ao cartel Cali e outros grupos de tráfico, explica o jornal espanhol.
Recorde-se que esta postura surge pouco tempo depois de Donald Trump ter criticado Espanha devido ao Governo de Pedro Sanchéz recusar os pedidos dos EUA para usar bases militares no seu território. A isto acresce aquilo que Trump considera gastos abaixo do expectável em defesa por parte do país europeu.
Santander está otimista sobre a operação
Apesar desta oposição dos políticos americanos, o banco mantém-se otimista sobre a transação. Na recente apresentação de resultados, o CEO, Héctor Grisi, até sugeriu que a decisão regulatória podia chegar mais cedo do que o previsto, lembra o CincoDías.
A decisão que está para vir, contudo, pode, pelo contrário, atrasar o processo. O Webster foi alvo de três processos judiciais de investidores que se opõem à venda, alegando que a informação divulgada está incompleta e contém deficiências. O banco rejeita as acusações, mas avisa que podem atrasar a conclusão da compra.
O Webster Bank tem uma assembleia de acionistas no próximo dia 26 de maio, onde estes vão ser chamados a aprovar a operação, tal como aconteceu na reunião homóloga do Santander em março.
As duas partes acordaram um pagamento de cerca de 410 milhões caso uma delas recuasse do acordo. Contudo, o pagamento não é devido se a não concretização do negócio se dever a questões regulamentares.
A transação, adiantou o Santander em fevereiro, implica o pagamento de 63,55 euros por cada ação do Webster Bank, o que equivale a um prémio de 14% sobre o valor médio de 55,72 euros das ações do banco visado entre 31 de janeiro e 2 de fevereiro.
O valor a pagar por cada ação vai ser 65% em dinheiro e 35% em ações emitidas pelo Santander na forma de ‘american depositary shares’ ou, se possível, ações ordinárias do Santander. A componente monetária é de 41,31 euros e o restante corresponde a 2,0548 ações do Santander, tendo como base um preço médio de ações de 10,79 euros entre 31 de janeiro e 2 de fevereiro.
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