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Trade Republic lança sucursal em Portugal e estuda integração do MB Way

A Trade Republic revela que tem mais de 200 mil clientes em Portugal e quer atingir meio milhão dentro de um ano. Banco rejeita crescimento através de aquisições.

16 Jul 2026 - 06:00

4 min leitura

Foto: Trade Republic

Foto: Trade Republic

O banco digital alemão Trade Republic lança oficialmente, nesta quinta-feira, a sua sucursal em Portugal, passando a poder conceder IBAN PT50 aos seus clientes. Em conversa com o Jornal PT50, o diretor regional para Espanha, Portugal e Grécia, Pablo López, revelou que o acesso ao MB Way não está disponível, mas que é algo que a ‘fintech’ alemã vai analisar e implementar caso seja um elemento de “bloqueio”.

Em relação às alterações que os clientes portugueses podem esperar, a empresa vai oferecer uma conta à ordem portuguesa – até agora, o IBAN das contas era alemão – o que permite aos clientes pagar as suas contas através da mesma e receber o seu salário, se assim o desejarem. Isto permite também realizar transferências para terceiros, esclarece Pablo López. A par disto, os juros pagos pelo banco sobre o valor lá depositado deixam de estar limitados a um saldo de 50 mil euros.

O que não muda, contudo, é a proteção dos depósitos dos clientes. Estes não passam a estar salvaguardados pelo Fundo de Garantia de Depósitos do Banco de Portugal. O dinheiro de cada cliente está guardado num dos bancos parceiros da Trade Republic e a proteção desse mesmo depósito depende do banco em questão e da legislação que se aplica. Os utilizadores podem consultar na aplicação onde está depositado o seu dinheiro.

O líder regional acrescenta ainda que os clientes vão ter acesso a um relatório fiscal simplificado, que descomplica a sua declaração de rendimentos. Desde que iniciou atividade em Portugal, a Trade Republic envia anualmente um relatório aos seus clientes para que estes preencham manualmente as suas declarações de IRS, mas a interligação com a autoridade tributária vai mudar isto.

Questionado sobre o que isto implica para a empresa em Portugal, Pablo López sublinha que o neobanco passa a estar sob a alçada do Banco de Portugal, o que traz mais exigências do ponto de vista regulatório. Também a CMVM tem supervisão sobre a instituição devido à sua oferta de produtos de investimento.

A abertura da sucursal em Portugal acarreta também custos, refere o diretor regional da Península Ibérica e Grécia. Ainda que não revele quais os valores do investimento na região e no país, garante que o espaço ibérico se está a tornar um dos que mais cresce dentro do grupo e este avanço tem como objetivo “melhorar a oferta de produtos” no país.

Neste sentido, Pablo López adianta que, nos próximos meses, os produtos que estão pensados enquadram-se mais na área de banca do que na de gestão de património. “Agora, queremos focar-nos um pouco mais na banca”, afirma. Questionado sobre a possibilidade de conceder crédito, confirma que é algo que está a ser estudado, mas que não há ainda certezas sobre o tipo de crédito, as regiões em que vai ser implementado nem quando.

No que diz respeito aos recursos humanos do banco na Península Ibérica, indica que há mais de 120 pessoas no apoio ao cliente que cobrem Portugal e Espanha exclusivamente. Algumas sediadas em Lisboa, outras não. Paralelamente, existem entre 10 a 20 pessoas na região focadas noutras áreas.

Pablo López deixa ainda no ar a ideia de que, devido ao crescimento nestes dois países, o banco pode vir a ponderar abrir um ‘tech hub’ na região, tal como os que já tem em Berlim, Londres e Paris. Sobre uma possível data para tal, “não sabemos”.

Portugal conta com mais de 200 mil clientes

Segundo indica, já são mais de 2,2 milhões de clientes em Portugal e Espanha, dos quais mais de 200 mil são portugueses. De acordo com Pablo López, o número duplicou no último ano e o diretor local ambiciona atingir meio milhão, ou até mais, nos próximos 12 meses. Até ao final de 2026 conta atingir os 300 mil utilizadores.

Questionado sobre a possibilidade de adquirir um banco em Portugal para acelerar o crescimento, Pablo López reitera que a Trade Republic nunca adotou essa estratégia e pretende manter o crescimento orgânico.

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