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Um novo rosto na Fed no “Dia da Pizza”
O destino quis que Kevin Warsh tomasse posse como presidente da Reserva Federal norte-americana (Fed) no mesmo dia em que se comemora a primeira compra física realizada com bitcoins.
22 Mai 2026 - 07:30
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Kevin Warsh durante a audição no Senado dos EUA
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Kevin Warsh durante a audição no Senado dos EUA
Certamente, o novo presidente da Reserva Federal norte-americana, que toma posse nesta sexta-feira, nunca imaginou que o ponto mais alto da sua carreira coincidisse com uma data mítica no universo das finanças digitais. O célebre Bitcoin Pizza Day foi um momento histórico para a bitcoin e para o mundo das criptomoedas em geral. Celebra-se todos os anos a 22 de maio porque foi nesse dia, em 2010, que ocorreu a primeira compra documentada de um bem físico utilizando bitcoins.
Kevin Warsh tinha 40 anos quando o programador Laszlo Hanyecz publicou uma mensagem num fórum a oferecer 10 mil bitcoins a quem lhe entregasse duas pizzas. A encomenda foi aceite, avaliando os 10 mil bitcoins em 41 dólares (cerca de 35,3 euros ao câmbio atual). Esta transação ficou conhecida como “as pizzas mais caras do mundo”, porque, ao valor atual, os 10 mil bitcoins valeriam qualquer coisa como 680 milhões de euros.
Nessa altura, Warsh já era membro do Conselho de Governadores da Federal Reserve, cargo que exerceu entre 2006 e 2011. Em 2010, teve um papel importante na resposta à crise financeira de 2008, trabalhando de perto com o então presidente da Fed, Ben Bernanke, e com o secretário do Tesouro, Timothy Geithner, nas políticas de estabilização financeira e na relação da Fed com Wall Street.
Hoje, Warsh tem outra crise entre mãos. Não uma crise financeira, mas antes uma crise geopolítica que poderá desencadear uma crise económica e financeira. Warsh protagonizará um evento de tomada de posse pouco habitual. O próximo presidente da Reserva Federal assumirá funções numa cerimónia na Casa Branca, algo que não acontece desde 1987, adianta o Washington Post, citando fonte oficial.
De acordo com o jornal norte-americano, o último presidente da instituição a ter direito a tal cerimónia foi Alan Greenspan, escolhido por Ronald Reagan.
A situação contrasta com a do atual presidente, Jerome Powell, também escolhido por Donald Trump, em 2018. Powell tomou posse na sede da Reserva Federal, sem a presença de Trump, tal como tem sido tradição entre os líderes da Fed, como sinal da independência da instituição responsável pela política monetária dos Estados Unidos.
Dan Ivascyn, CIO da gestora Pimco, alerta que a Reserva Federal terá de intervir e tomar medidas caso as expectativas de inflação “continuem a desancorar-se”.
“Se as expectativas de longo prazo continuarem a desancorar-se, então veremos um endurecimento da política monetária, mesmo que se verifique algum abrandamento económico”, afirmou Ivascyn, acrescentando que isso seria “prejudicial para os mercados”, uma vez que as taxas de juro subiriam e aumentaria a pressão sobre as ações e o crédito.
A meta de inflação da Reserva Federal é idêntica à do Banco Central Europeu — 2%. Em abril, a inflação nos Estados Unidos situava-se nos 3,8%. Já a inflação subjacente (core inflation), que exclui energia e alimentos, fixava-se nos 2,8%.
Warsh tomou posse nesta sexta-feira e prometeu uma instituição “orientada para a reforma”, que aprende com sucessos e fracassos. “Para cumprir esta missão, pretendo liderar uma Reserva Federal orientada para a reforma, que aprenda com os seus sucessos e fracassos passados e que adira a padrões claros de integridade e desempenho”, afirmou Warsh, na presença do Presidente dos EUA, Donald Trump.
O novo presidente instou os membros do Conselho da Fed a perseguirem os seus objetivos “com sabedoria, clareza, independência e determinação”.
Warsh defendeu ainda que “a inflação pode ser mais baixa, o crescimento mais forte, os salários reais mais elevados e os EUA mais prósperos”.
Warsh sucede a Powell, de 73 anos, cuja presidência foi marcada pela luta pela independência, sofrendo constantes críticas de Donald Trump, ao mesmo tempo que o banco central tentava controlar a inflação.
Após um ciclo de subidas de juros que terminou em julho de 2023, para fazer face à inflação que surgiu no pós-pandemia e também devido à invasão da Ucrânia pela Rússia, a Fed apenas voltou a cortar as taxas diretoras em setembro de 2024, tendo-o feito mais duas vezes nesse ano.
No ano passado, a Fed apenas voltou a mexer nos juros em setembro, reduzindo mais duas vezes em outubro e dezembro, e em 2026 tem estado em pausa, com as taxas inalteradas, numa altura em que o conflito no Médio Oriente fez subir os preços dos combustíveis.
Em janeiro deste ano, a instituição foi alvo de uma investigação legal do Departamento de Justiça, sendo que Powell disse que a Fed estava a enfrentar uma ação judicial motivada pela sua decisão de não cortar as taxas de juro.
Em causa está uma investigação devido aos custos acima do previsto nas obras de renovação do edifício-sede da Fed em Washington, embora o presidente do banco central considere que as investigações sejam motivadas pelas tentativas do Presidente dos EUA de o pressionar a abandonar o cargo e a concordar em acelerar os cortes nas taxas de juro.
Jerome Powell já vai permanecer no conselho da Fed, podendo ficar até janeiro de 2028, devido ao mandato que tinha enquanto governador.
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