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Vice do BCE acredita que mercado único e simplificação devem ser mais relevantes para a banca do que requisitos de capital

Boris Vujčić argumenta que requisitos de capital menos exigentes não são sinónimo de mais crédito concedido. Por outro lado, o mercado único representa uma grande oportunidade de crescimento.

02 Out 2026 - 17:38

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Foto BCE

Autor

Luís Alves Almeida

Jornalista

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Boris Vujčić bce

Foto BCE

O vice-presidente do Banco Central Europeu (BCE), Boris Vujčić, defendeu, nesta sexta-feira que a Europa necessita de simplificação das regras bancárias e de se concentrar nos mercados únicos bancário e de capitais, de forma a aumentar a competitividade da banca europeia. No sentido inverso, Vujčić afirmou ter dúvidas de que menos requisitos de capital resultem em mais crédito concedido.

“É demasiado simplista sugerir que os bancos da União Europeia podem tornar-se mais competitivos simplesmente através da redução dos seus requisitos de capital”, defende, acrescentando que os resultados dos estudos académicos sobre este tópico divergem consoante o ambiente económico em questão.

De forma sucinta, os estudos que abrangem o período a seguir à crise económica notam que o aumento dos requisitos de capital afetou negativamente a capacidade de crédito dos bancos. As consequências da crise, crédito malparado e baixa rentabilidade podem levar a banca a apertar as condições de concessão de empréstimos.

Por outro lado, estudos mais recentes que incidem sobre períodos com condições económicas favoráveis concluem que requisitos de capital mais elevados têm um efeito limitado em bancos bem capitalizados.

Tendo em conta o que as instituições de crédito têm reportado nos últimos anos, reforça o vice-presidente do BCE, este considera que as dinâmicas de concessão de crédito refletem mais as perceções e a tolerância ao risco, bem como a incerteza económica, e não as posições de capital.

Boris Vujčić exemplifica ainda como a pandemia e o colapso de vários bancos regionais americanos e do Credit Suisse não levaram a uma crise no setor bancário europeu precisamente porque este está preparado para os choques.

Falando naquilo que realmente considera importante para a competitividade da banca europeia, Vujčić aponta a “integração financeira” como a “ferramenta mais poderosa”. “Só um verdadeiro Mercado Único e uma união bancária completa podem reduzir a fragmentação e permitir que os bancos europeus concretizem todo o seu potencial em termos de escala e competitividade”, defende.

O vice-presidente do regulador sublinha que houve concentração no setor bancário europeu ao longo da última década, mas que isto aconteceu dentro de fronteiras e, mesmo nas operações internacionais, esta seguiu ligações financeiras já existentes e teve tendência a ocorrer entre países vizinhos.

Boris Vujčić considera que existe aqui uma “oportunidade perdida”, dado que, em média, “bancos envolvidos em atividades de consolidação melhoram a sua rentabilidade e eficiência de custos. Também se tornam mais diversificados em termos de ativos e receitas”.

Ao mesmo tempo, Vujčić considera que falta avançar na união do mercado de capitais e na união da poupança e dos investimentos, que, acredita, são necessárias para maior competitividade na banca europeia. Aqui, realça um ponto onde os bancos europeus estão em desvantagem face aos americanos: as transações no mercado de capitais.

Enquanto os bancos americanos operam no mercado de capitais mais profundo do mundo em termos de liquidez e procura por parte dos investidores, os europeus enfrentam várias barreiras regulatórias. Neste domínio, recorda que não se trata apenas de aumentar a base de investidores particulares, mas também os fundos de pensões, que nos EUA representam uma fonte de capital estável a longo prazo.

Em tom de conclusão, Vujčić reforça que “Roma não se fez num dia, claro, e o mesmo é verdade para a resiliência, a simplificação e a integração. Ainda que o progresso possa levar tempo, a história também nos recorda que a destruição pode ocorrer rapidamente”. “As crises financeiras também podem ter efeitos devastadores, como testemunhamos há 15 anos, acabando com os ganhos num instante e impondo custos pesados aos contribuintes, empresas e bancos”, relembra.

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