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41,6% das famílias tinham algum tipo de dívida em 2024 e a mediana era de 35,3 mil euros

A capacidade de pagamento da dívida no curto prazo piorou entre 2020 e 2024, algo que o INE atribui às taxas de juro em níveis “excecionalmente baixos” na altura do inquérito anterior.

28 Mai 2026 - 18:59

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Foto: Unsplash

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Entre as famílias portuguesas, 41,6% tinham algum tipo de dívida em 2024, com a dívida mediana a situar-se nos 35,3 mil euros. Os números estão na 5.ª edição do Inquérito à Situação Financeira das Famílias, promovido pelo INE e pelo Banco de Portugal e divulgado nesta quinta-feira, sendo que o último foi feito em 2020.

Segundo os dados revelados, o maior ou menor peso de famílias com dívida está relacionado com a idade e condição de trabalho. Mais concretamente, o estudo indica que, na faixa etária entre 35 e 54 anos, 60% das famílias tem dívida, contra apenas 8,4% em famílias onde o indivíduo de referência tem mais de 75 anos, algo que “seria de esperar”, aponta o INE.

Já no que diz respeito à condição de trabalho, a percentagem de famílias endividadas vai de 57,9% nos trabalhadores por conta de outrem a 15% nos reformados.

Excetuando-se os mais velhos ou inativos, “os grupos em que a percentagem de famílias com dívida é mais reduzida são, em geral, também aqueles em que as restrições no acesso ao crédito são mais frequentes”, revela. O inquérito indica ainda que há 8% do total do total de famílias que tem restrições no acesso ao crédito. Ou seja, viram pedidos a serem recusados ou satisfeitos apenas parcialmente ou deixaram de pedir por anteciparem rejeições.

O INE informa que o valor sobe para 20% quando se tratam de famílias com riqueza líquida mais baixa, com o indivíduo de referência desempregado ou abaixo dos 35 anos.

A capacidade de pagamento da dívida no curto prazo piorou entre 2020 e 2024, algo que o INE atribui às taxas de juro em níveis “excecionalmente baixos” na altura do inquérito anterior. Esta capacidade mede-se pelo rácio entre o serviço da dívida e o rendimento mensal. Em 2024, o valor fixou-se em 14,8%, contra 12,9% em 2020. Fica também acima de 2017, quando foi 14,4%.

Por outro lado, o valor mediano dos rácios entre a dívida e o rendimento anual e entre a dívida e os ativos ficou abaixo de 2017 e mantêm a trajetória descendente. O primeiro fixou-se em 102,6% e o segundo em 20,2%. Em 2020, estes valores eram de 130,5% e 25,1%.

O tipo de dívida mais comum é a hipoteca da residência principal, que abrange 24,8% das famílias. No sentido oposto, a mais rara é a hipoteca garantida por outros imóveis, que tem um peso de apenas 4,3%. Entre as dívidas não garantidas por imóveis, há 18,4% de famílias com empréstimos e 10,5% com dívidas de cartões de crédito, linhas de crédito ou descobertos bancários.

A hipoteca de residência principal é mais frequente na faixa etária dos 45 aos 54 anos, com 47% das famílias nesta idade a terem uma dívida deste tipo. Já os empréstimos não garantidos por imóveis são mais comuns nas camadas mais jovens, nos desempregados e nos grupos de menor riqueza.

Por sua vez, as hipotecas de outros imóveis são mais frequentes entre famílias com mais riqueza, “atingindo cerca de 11% nos grupos mais elevados destas variáveis”. Estes grupos também detêm mais dívidas com cartões de crédito, linhas de crédito e descobertos bancários.

Dentro do universo das famílias endividadas, o valor das mesmas varia consoante vários fatores. Os empréstimos com garantia de imóveis registam os valores medianos mais elevados: 64 mil euros no caso de garantia com residência principal e 44,4 mil euros com garantia de outros imóveis. Os restantes empréstimos têm um valor mediano de 5800 euros e as dívidas de cartões de crédito, linhas de crédito e descobertos bancários fixam-se em mil euros.

O valor em dívida escala também consoante a riqueza, o rendimento e a escolaridade do indivíduo. Entre os 10% de famílias mais ricas, a dívida mediana atinge 81,8 mil euros. Nos 10% de maior rendimento chega a 78,6 mil euros. Já nas situações em que o indivíduo de referência tem o ensino superior, o valor é de 70,1 mil euros.

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