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Desigualdades diminuíram em 2024, mas 10% das famílias mais ricas ainda concentram quase metade da riqueza líquida total

A riqueza líquida mediana no grupo dos 20% de famílias com menor riqueza líquida é 1700 euros, enquanto a mediana nos 10% de famílias mais ricas ascende a 1,05 milhões.

28 Mai 2026 - 14:53

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Foto: Pexels

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As famílias portuguesas reduziram, em 2024, a desigualdade entre si, tendo o índice de Gini baixado de 65,7 em 2020 para 64,8. A riqueza líquida concentrada no conjunto de 10% de famílias com maior riqueza líquida baixou entre 2020 e 2024, mas o valor ainda ascende a 49,6%.

Apesar da redução da desigualdade, os dados revelados nesta quinta-feira pelo INE e pelo Banco de Portugal indicam que “o distanciamento entre os mais ricos e os mais pobres aumentou em 2024”. Esta situação verifica-se pela subida do rácio entre os percentis 75 e 25 e do rácio entre os percentis 90 e 10.

Observando os valores divulgados no Inquérito sobre a Situação Financeira das Famílias, é possível averiguar que a riqueza líquida mediana no grupo dos 20% de famílias com menor riqueza líquida se situava em 1700 euros, enquanto a mediana nos 10% de famílias mais ricas ascendia a 1,05 milhões. Contas feitas, os 10% mais ricos têm uma riqueza líquida mediana 616 vezes superior aos 20% mais pobres.

Tendo em conta os contextos socioeconómicos e profissionais das famílias, “verifica-se que a riqueza líquida é mais elevada nas famílias de maior rendimento, nas famílias em que o indivíduo de referência é trabalhador por conta própria ou naquelas em que completou o ensino superior”. Por oposição, os valores mais baixos dão-se nas famílias em que o indivíduo de referência está desempregado, tem menos de 35 anos ou se nas famílias que estão nos 20% de rendimentos mais baixos.

Tendo em conta a generalidade da população, a residência principal ainda é responsável por 55,6% do total de ativos reais das famílias. Esta preponderância reflete a elevada percentagem de famílias proprietárias da sua habitação, que se encontra nos 70,8%, bem como o valor elevado face aos restantes ativos, salienta o INE.

Neste sentido, as famílias que não são proprietárias da residência principal representam também aquelas que têm menor riqueza líquida. “No conjunto dos 20% de famílias com riqueza líquida mais baixa, apenas 3,7% são proprietárias da residência principal, o que contrasta com percentagens superiores a 90% nos grupos de famílias com um nível de riqueza acima do percentil 40”, nota o INE.

Famílias mais ricas detêm mais imóveis e mais valiosos

Entre os proprietários de residências, existe uma outra discrepância assinalável, correspondente ao valor das habitações. Entre os 40% de famílias com menor riqueza, o valor mediano da residência principal não atinge 80 mil euros. Nas 10% mais ricas, este valor mais do que multiplica por cinco e chega aos 400 mil euros.

Ainda dentro do campo dos imóveis, surge um outro dado destacado neste estudo. Nos 10% de famílias mais ricas, os “outros imóveis” representam um peso maior nos ativos reais, de 41,3%, face à residência principal, sendo o único grupo em que tal acontece. Neste patamar, 82,5% das famílias é proprietária de “outros imóveis”, contra 31,1% do total das famílias portuguesas.

Este grupo mais rico detém 70% do valor total dos “outros imóveis”, com um preço mediano de 445,5 mil euros. Nas residências principais, o peso reduz-se para 28%.

Preferência por depósitos comum a todos

Não só de casas se faz a riqueza das pessoas e ainda menos quanto mais se sobe nos percentis. Os 10% de famílias mais ricas são donos de mais de metade (51%) dos ativos financeiros totais. A concentração baixa no caso dos depósitos, em particular, mas nunca fica abaixo de 40%, salienta o INE.

Olhando para os ativos financeiros da população em geral, 74,6% dos mesmos está aplicado em depósitos, seja à ordem ou a prazo – os Certificados de Aforro e do Tesouro estão aqui incluídos, esclarece o INE. Mais ainda, os dados demonstram que a predominância dos depósitos se verifica independentemente do parâmetro considerado, quer em termos de riqueza quer no que diz respeito à composição das famílias e suas características.

Já os planos voluntários de pensões têm um peso nos ativos financeiros que aumenta com o nível de riqueza, rendimento e de escolaridade. É também maior nas famílias em que o indivíduo de referência está a trabalhar e nas famílias das classes etárias intermédias.

A já conhecida aversão ao risco dos portugueses é reconfirmada neste estudo. “É de salientar que, no conjunto das famílias, 86% referem que não estão dispostas a assumir quaisquer riscos financeiros na aplicação das suas poupanças, 12% referem assumir riscos financeiros médios, por esperarem obter rendimentos médios, e apenas 2% referem estar dispostas a assumir riscos financeiros acima da média ou consideráveis”, revela o INE.

Realizado em 2024, esta é a quinta edição do Inquérito à Situação Financeira das Famílias. O último foi em 2020. Segundo explica o INE, a forma de cálculo da riqueza líquida das famílias corresponde à diferença entre o valor dos seus ativos e o das suas dívidas.

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