3 min leitura
58% das empresas portuguesas estão a adotar uma postura mais prudente em relação ao endividamento
European Payment Report 2026 mostra um dos valores mais elevados entre os 20 países analisados e sete pontos percentuais acima da média europeia (51%).
19 Mai 2026 - 20:15
3 min leitura
Foto: Freepik
Mais recentes
- 58% das empresas portuguesas estão a adotar uma postura mais prudente em relação ao endividamento
- CEO da CGD defende criação de um fundo de catástrofes
- BPI mexe no Conselho de Administração após renúncia de Joana Oliveira Freitas
- Euronext reporta lucro de 216,1 milhões no primeiro trimestre
- Banco de Portugal conta com carteira de 1,14 mil milhões em obrigações verdes
- Société Générale multado em 20 milhões pelo regulador francês
Foto: Freepik
As empresas portuguesas continuam focadas no crescimento, mas estão cada vez mais cautelosas perante o atual contexto económico. Segundo o European Payment Report 2026 Portugal, realizado pela Intrum e divulgado nesta terça-feira, 58% das empresas em Portugal afirmam estar a adotar uma postura mais prudente em relação ao endividamento e aos planos de investimento, um dos valores mais elevados entre os 20 países analisados e sete pontos percentuais acima da média europeia (51%).
O estudo reúne respostas de 8.385 empresas de 20 países europeus. Em Portugal, foram inquiridas 1.000 empresas.
“Apesar de a economia portuguesa ter registado um desempenho positivo em 2025, conjugando crescimento económico e desaceleração da inflação, o receio continua a dominar o tecido empresarial, agravado pelo contexto dos conflitos na Ucrânia e no Médio Oriente. A incerteza económica, os atrasos nos pagamentos e a pressão sobre a liquidez estão a levar muitas empresas a privilegiar a prudência financeira em detrimento do investimento e da expansão”, refere o estudo.
“O estudo mostra um tecido empresarial que quer crescer, mas que está a jogar à defesa. As empresas estão mais cautelosas com o investimento, o financiamento e o risco, sobretudo porque continuam expostas a atrasos nos pagamentos que condicionam a tesouraria e limitam a capacidade de crescimento”, afirma o diretor-geral da Intrum Portugal, Luís Salvaterra.
O estudo revela ainda que 40% das empresas referem ter ultrapassado as suas previsões de receitas, enquanto 39% afirmam o mesmo relativamente aos lucros, ainda que com um ligeiro decréscimo face a 2024 (42% e 41%, respetivamente).
Por outro lado, muitas empresas reconhecem que poderão enfrentar um novo período de turbulência devido a um conjunto de fatores adversos. Em Portugal, 64% das empresas manifestam preocupação com a incerteza económica. Acresce que 54% estão apreensivas com a carga fiscal e seis em cada dez demonstram inquietação com o custo do financiamento.
Até ao final do primeiro trimestre de 2026, foram registadas 531 insolvências, um aumento de cerca de 3,1% face ao mesmo período de 2025, e alguns analistas antecipam um agravamento deste indicador ao longo de 2026.
Seis em cada dez executivos (60%) afirmam estar mais preocupados do que nunca com a capacidade de pagamento dos clientes. Mais de metade das empresas (56%) admite que os atrasos nos pagamentos já comprometeram os seus objetivos de crescimento, enquanto 55% antecipam um agravamento do risco de incumprimento ao longo dos próximos 12 meses.
Em média, as empresas concedem aos particulares 22 dias para pagamento, mas apenas recebem ao fim de 32 dias. No segmento empresarial, os prazos acordados são de 44 dias, embora o pagamento efetivo ocorra apenas ao fim de 65 dias. No setor público, os prazos médios situam-se nos 57 dias, mas o pagamento realiza-se, em média, após 74 dias.
O estudo alerta que muitas empresas em Portugal estão a operar perto dos seus limites financeiros. Embora reconheçam que alguns atrasos nos pagamentos são inevitáveis, estão a receber uma percentagem das suas receitas fora dos prazos que consideram sustentáveis.
A percentagem máxima das receitas que pode ser recebida fora de prazo sem comprometer a capacidade operacional é de 10,21%, claramente abaixo da média europeia de 12,08%. Ainda assim, este limiar já foi ultrapassado.
Mais recentes
- 58% das empresas portuguesas estão a adotar uma postura mais prudente em relação ao endividamento
- CEO da CGD defende criação de um fundo de catástrofes
- BPI mexe no Conselho de Administração após renúncia de Joana Oliveira Freitas
- Euronext reporta lucro de 216,1 milhões no primeiro trimestre
- Banco de Portugal conta com carteira de 1,14 mil milhões em obrigações verdes
- Société Générale multado em 20 milhões pelo regulador francês