4 min leitura
A banca está a mudar rapidamente. Como liderar a transformação? (parte 1)
Por João Pedro Tavares Professor na Católica-Lisbon School of Business & Economics
25 Set 2026 - 07:30
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João Pedro Tavares Professor na Católica Lisbon School of Business Economics
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João Pedro Tavares Professor na Católica Lisbon School of Business Economics
A banca vive um momento de transformação estrutural. A aceleração da Inteligência Artificial (IA), a entrada de novos operadores digitais e fintechs, a evolução da regulação, a crescente exigência dos clientes por experiências mais simples e personalizadas e o aparecimento de novos modelos de negócio estão a redefinir a indústria a um ritmo sem precedentes. Neste contexto, o maior desafio deixou de ser apenas tecnológico. Passou a ser estratégico e de liderança: compreender a mudança, decidir em contexto de elevada incerteza e preparar as organizações para um novo paradigma competitivo.
Um dos fatores mais determinantes desta transformação é a crescente incerteza geopolítica. O risco geopolítico deixou de constituir apenas uma variável externa para passar a integrar o núcleo das preocupações das instituições financeiras e das autoridades de supervisão. Sanções, tarifas, conflitos, rivalidades estratégicas, fragilidade das cadeias de abastecimento, volatilidade regulatória e diferentes níveis de estabilidade entre geografias condicionam hoje decisões de investimento, modelos de risco e prioridades de transformação. A exposição varia de instituição para instituição, em função dos mercados onde opera, da composição da carteira de clientes e produtos ou da robustez dos seus modelos de governação e controlo.
Paralelamente, tanto os bancos tradicionais como os novos operadores aceleram a adoção de IA, automação e tecnologias avançadas. Os clientes recorrem a múltiplas fontes de informação, chegam às instituições mais informados — ou, por vezes, mais influenciados — e esperam experiências digitais intuitivas, personalizadas e sem fricção. Ao mesmo tempo, persistem desafios significativos: escassez de talento em áreas críticas, crescimento dos riscos de cibersegurança e fraude, exigências acrescidas de supervisão e a necessidade de responder a expectativas cada vez mais elevadas sem comprometer a confiança.
A IA está atualmente a gerar ganhos relevantes de eficiência e produtividade, sobretudo em processos operacionais de elevado volume. Estes ganhos podem financiar uma segunda vaga de transformação, centrada na experiência do cliente, na gestão da relação e na criação de novos serviços. Contudo, a verdadeira mudança não consiste apenas em incorporar IA em processos existentes, mas em evoluir para organizações orientadas por dados e concebidas numa lógica AI-first. Esta evolução exige uma revisão profunda dos modelos operacionais, dos processos de decisão e da própria forma como os clientes são compreendidos e servidos.
Os casos de utilização mais próximos do cliente exigem, porém, um equilíbrio particularmente exigente entre inovação e responsabilidade. Confiança, privacidade, explicabilidade, equidade, transparência e conformidade regulamentar deixam de ser temas exclusivamente tecnológicos para se tornarem fatores estratégicos de diferenciação. O objetivo não é apenas comunicar melhor, mas desenvolver uma relação contextual, útil e relevante, preservando sempre a confiança que constitui um dos principais ativos da banca.
Esta transformação obriga igualmente a abandonar estruturas excessivamente orientadas para produtos e silos organizacionais, evoluindo para modelos centrados em processos, serviços e jornadas do cliente. A tecnologia constitui um facilitador indispensável, mas não substitui a necessidade de uma visão integrada da organização nem a capacidade de mobilizar pessoas para novos modelos de funcionamento.
Também a evolução regulatória assume um papel central. A governação da IA, a certificação de sistemas, o aconselhamento automatizado, o enviesamento algorítmico ou a responsabilização pelas decisões automatizadas exigem modelos de governação mais robustos e novas competências nas equipas de gestão. O desafio consiste em reforçar a supervisão sem comprometer a capacidade de inovação e adaptação.
Neste contexto, a principal vantagem competitiva das instituições deixará de resultar exclusivamente da tecnologia que consegue adquirir ou da utilização que faz e passará a depender da capacidade das suas lideranças para interpretar tendências, gerir risco, tomar decisões informadas e conduzir a transformação de forma consistente. A atualização contínua do conhecimento, a compreensão das tecnologias emergentes e a capacidade de integrar estratégia, inovação e execução tornam-se, por isso, competências essenciais para quem pretende liderar a banca da próxima década.
A segunda parte deste artigo será publicada na próxima segunda-feira dia 28
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