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20% dos créditos a taxa mista contratados em 2023 foram renegociados perto da transição para taxa variável

Dos créditos à habitação que entraram em renegociação, cerca de 40% resultaram num período adicional de taxa fixa de pelo menos mais dois anos.

25 Set 2026 - 06:47

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Bancos preferem renegociar crédito à habitaçãoFoto Magnific

Autor

Luís Alves Almeida

Jornalista

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Bancos preferem renegociar crédito à habitaçãoFoto Magnific

A taxa mista tem dominados os novos créditos à habitação contratados desde 2023 em Portugal. No período mais recente, indica o Banco de Portugal, “a taxa mista passou a representar 75% a 85% do montante contratado mensalmente”. Esta evolução da tendência teve lugar, recorda o banco central, “num contexto marcado pela subida das taxas de juro e incerteza acrescida sobre a sua evolução, e em que os bancos promoveram esta modalidade”.

Volvidos três anos desde o começo desta transição, o Banco de Portugal argumenta, na sua divulgação de dados do setor bancário relativos ao segundo trimestre de 2026, que é necessário “acompanhar os contratos de taxa mista, em particular no momento em que atingem o fim do período inicial de taxa fixa”.

“Este momento é relevante porque pode alterar os encargos das famílias, desencadear renegociações das condições contratuais ou motivar a transferência do empréstimo para outra instituição”, atenta. Também se torna relevante do lado das instituições de crédito, aponta o regulador, pois pode “intensificar a concorrência pela retenção de clientes e colocar novos desafios à gestão do risco de taxa de juro”.

Segundo os dados disponíveis, o Banco de Portugal revela que, entre os contratos celebrados com taxa mista em 2023 e que já tinham transitado para o período de taxa variável até março de 2026, cerca de 20% “registaram uma renegociação na proximidade da data de transição”. “Em cerca de 40% desses casos, a renegociação parece ter resultado numa nova fixação da taxa de juro por um período adicional de pelo menos dois anos”, adianta.

O banco central considera que esta “evidência preliminar” indica que uma parte dos mutuários “procura renegociar uma nova proteção temporária para variações da prestação”. O supervisor bancário alerta, contudo, que estes resultados devem “ser interpretados com prudência, dada a ainda limitada evidência disponível”.

A maioria dos contratos a taxa mista celebrados desde 2023 ainda não tinha atingido o fim do período inicial de taxa fixa até março de 2026, revela. Portanto, o banco central sublinha que “a amostra observada é reduzida e poderá não ser representativa do comportamento futuro dos mutuários, em particular caso os níveis das taxas de juro ou as expectativas quanto à sua evolução venham a diferir dos observados no período analisado”.

Bancos convergiram nas condições de acesso à taxa mista

A realidade macroeconómica e a vontade dos mutuários levaram a uma alteração drástica do panorama do crédito à habitação desde 2023. Não só a taxa mista passou de cerca de 10% do montante contratado entre 2019 e 2021 para 80% no primeiro semestre de 2026, como os bancos passaram a ser mais uniformes sobre as condições em que concedem crédito nesta modalidade.

Os dados do Banco de Portugal demonstram que havia uma grande dispersão sobre o peso da taxa mista nas carteiras de crédito à habitação dos 12 maiores bancos nacionais, responsáveis perto de 99% do total de novos empréstimos. Esta realidade já não se verifica, como já foi referido.

Também o período em que a taxa se mantém fixa teve uma mudança significativa. A dispersão sobre os anos de taxa fixa entre bancos, desde 2019, atingiu um pico em 2021, indo de cerca de cinco anos até perto de 20. Em 2025, nota o supervisor, prevaleciam contratos com períodos definidos entre um e cinco anos. A média em 2026 está em 2,6 anos, com a convergência entre as instituições a acentuar-se desde 2022 até ao início de 2024.

Neste aspeto, Portugal destoa dos parceiros do euro. De acordo com os dados divulgados pelo Banco de Portugal, a média ponderada de novos empréstimos na área do euro com taxa fixa por mais de 10 anos superava 50%. Em Portugal, cerca de 60% está entre um e cinco.

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