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A calmaria antes da tempestade

Analistas apostam na manutenção das taxas na reunião desta quinta-feira, mas o cenário de três ou quatro subidas até ao fim do ano ganha força

30 Abr 2026 - 07:30

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Luís de Guindos e Christine Lagarde/Foto: BCE

Luís de Guindos e Christine Lagarde/Foto: BCE

A maioria dos analistas aposta que o Banco Central Europeu (BCE) vai deixar inalteradas as taxas de juro nos 2% na reunião desta quinta-feira. É a calmaria antes da tempestade, já que o cenário de três e até quatro subidas dos juros até ao final de 2026 começa a ganhar força.

Segundo Michael Krautzberger, Diretor de Investimento Global (CIO) de Mercados Públicos da Allianz Global Investors, “o BCE mantém um viés de restrição, reafirmando a sua prioridade: salvaguardar a credibilidade do seu mandato de inflação. Confrontado com a renovada incerteza do lado da oferta, o Conselho de Governadores está a retomar uma estrutura bem testada — estando pronto a agir, se necessário, para evitar que as expectativas de inflação se desviem. Não deve ser totalmente descartada uma medida preventiva na reunião de 30 de abril, mas esta exigiria uma nova escalada nas tensões no Golfo para se tornar o cenário principal”.

Para aquele analista, “a nossa base continua a ser de paciência, e não de urgência. O alívio temporário da tensão geopolítica após o cessar-fogo entre os EUA e o Irão, juntamente com a estabilização dos preços da energia, dá ao BCE espaço para fazer uma pausa. Esta pausa não é um sinal de complacência, mas de disciplina. Na ronda de projeções de junho, os decisores de política monetária terão um conjunto mais completo de informações sobre o comportamento de formação de preços, o apoio fiscal e a dinâmica do crescimento — inputs críticos para avaliar os riscos de inflação a médio prazo”.

Até ao fim do ano, “um ou dois aumentos das taxas de juro, mais plausivelmente em junho e setembro, continuam a ser possíveis, principalmente como sinal de credibilidade e não como resposta a dados de curto prazo. Tal resultado coincide, em termos gerais, com os preços atuais de mercado, que o BCE optou por não contestar até agora”.

Já Roman Ziruk, analista sénior da Ebury, considera existirem poucas razões para que o BCE proceda a uma alteração imediata das taxas de juro. “Com a guerra no Irão em curso, os preços do petróleo e do gás contidos (este último longe dos níveis de 2022), as pressões salariais a aliviar e as expectativas de inflação de longo prazo ancoradas, a paciência parece ser a melhor opção”.

“Esperamos que os decisores façam uma pausa esta semana e avaliem a evolução da situação antes da próxima reunião, em junho, quando serão divulgadas novas projeções macroeconómicas. Consideramos que uma subida das taxas é bastante possível em junho, uma vez que, nessa altura, o banco terá mais informação sobre se a dimensão e a duração dos efeitos indiretos na inflação serão suficientemente significativas para que o Conselho do BCE avance com taxas mais elevadas”, adianta aquele analista.

Para aquele responsável, “os investidores irão utilizar a reunião desta quinta-feira para avaliar quão provável poderá ser uma subida em junho. Os comentários da presidente Christine Lagarde sobre a importância relativa do crescimento face à inflação, bem como a avaliação do Conselho quanto ao risco de efeitos de segunda ordem, serão determinantes. Os mercados estarão atentos para perceber se Christine Lagarde irá reforçar a mensagem mais restritiva de março, sublinhando o empenho do banco em controlar a inflação, ou se destacará a margem de manobra num contexto de elevada incerteza”.

“Será um exercício de equilíbrio, embora se espere que prevaleça um tom mais restritivo: uma economia fraca e um enquadramento de inflação relativamente controlado desaconselham uma comunicação demasiado agressiva, mas dificilmente afastarão a preocupação de fundo com os efeitos de segunda ordem, que deverá orientar o discurso. Embora não se preveja que o banco declare explicitamente que irá subir as taxas em breve, espera-se que Christine Lagarde mantenha em aberto a possibilidade de uma subida durante o verão”.

Já os mercados de swaps voltam a incorporar, pelo menos, três subidas dos juros até ao final do ano, em virtude de as perspetivas de inflação estarem mais elevadas do que o previsto.

O dilema é que os aumentos das taxas de juro ajudam a aliviar a pressão sobre os preços, mas também afetam o crescimento económico, que já sofre com os altos custos de energia, tarifas e incertezas, aumentando o risco de que o combate à inflação do BCE agrave uma situação já precária.

A Pesquisa de Expectativas do Consumidor do BCE mostrou que as expectativas de inflação para o próximo ano saltaram para 4% em março, face a 2,5% no mês anterior, enquanto as apostas para os próximos três anos subiram para 3%, face a 2,5%, ambas bem acima da meta de 2% do BCE.

No entanto, o levantamento trimestral de empréstimos bancários do banco central indicou que as instituições financeiras tinham endurecido os seus critérios de aprovação de empréstimos mais do que o esperado nos três meses até março e previam continuar a fazê-lo neste trimestre.

As sondagens surgem apenas um dia depois da própria pesquisa do BCE com empresas, que mostrou uma moderação nas expectativas de lucro e salários, à medida que os preços da energia elevam os custos e reduzem as margens de lucro.

“Em conjunto, as três sondagens pintam um quadro sombrio”, disse Alexander Valentin, da Oxford Economics, citado pela agência Reuters. “Interpretamos estes dados como mais uma evidência de futuros aumentos das taxas de juro do BCE, apesar do dilema entre crescimento e inflação em que o Conselho de Governadores se encontra atualmente.”

Ainda assim, os investidores financeiros apostam num aumento das taxas de juro até ao verão, seguido de mais um ou dois aumentos mais tarde — aumentos modestos que poderão não travar demasiado o crescimento, mas que sinalizam claramente que o BCE não deixará a inflação elevada consolidar-se.

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