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Atas da última reunião do BCE apontam para manutenção dos juros em abril
A divulgação das considerações do Conselho de Governadores de 18 e 19 de março, já tendo em conta o conflito no Médio Oriente, mostra que uma eventual subida das taxas apenas deverá ocorrer em junho
16 Abr 2026 - 17:45
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Luís de Guindos e Christine Lagarde, vice-presidente e presidente do BCE/fonte: BCE
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Luís de Guindos e Christine Lagarde, vice-presidente e presidente do BCE/fonte: BCE
O Banco Central Europeu (BCE) divulgou nesta quinta-feira a ata da reunião de política monetária do Conselho de Governadores, realizada nos dias 18 e 19 de março de 2026, já com o conflito no Médio Oriente em curso, na qual os governadores decidiram manter as taxas de juro inalteradas nos 2%.
Cerca de um mês depois, as considerações vertidas naquele documento dão um vislumbre das decisões que poderão ser tomadas na próxima reunião, agendada para 29 e 30 de abril. As reflexões então produzidas pelos responsáveis do BCE apontam para a manutenção das taxas, sendo expectável uma subida de 25 pontos base em junho.
Isabel Schnabel, membro da Comissão Executiva do BCE, iniciou a apresentação perante o Conselho de Governadores de março, referindo que, após o início do conflito no Médio Oriente, a tendência que apontava para um corte de 25 pontos base nas taxas de juro até ao final de 2026 se inverteu drasticamente. De acordo com as previsões mais recentes (março de 2026), “os investidores precificavam aumentos de juros de cerca de 40 pontos base até ao final de 2026, com alguma volatilidade quanto ao valor exato”.
A responsável defendeu ainda que “o apetite pelo risco deteriorou-se desde o início da guerra. O declínio foi um pouco mais acentuado na zona euro do que nos Estados Unidos, o que é consistente com a maior dependência energética da zona euro”. Acrescentou, contudo, que “a deterioração se manteve, no geral, contida. A título de comparação, em resposta à invasão russa da Ucrânia em 2022 e ao choque tarifário de abril de 2025, o sentimento de risco deteriorou-se de forma muito mais acentuada. O principal fator da correção nos preços das ações desde o início da guerra no Médio Oriente foi a subida das taxas de juro sem risco. Prémios de risco mais elevados e expectativas de lucros a longo prazo ligeiramente mais fracas contribuíram apenas de forma limitada”.
Após esta apresentação, foi a vez de Philip Lane, também membro da Comissão Executiva do BCE, analisar os desenvolvimentos económicos, monetários e financeiros na economia global e na zona euro. “Tanto as medidas de expectativas de inflação baseadas no mercado como as baseadas em inquéritos, registadas após o início da guerra, apresentaram aumentos significativos no curto prazo, mas apontavam para uma estabilização na meta de 2% no médio prazo”, afirmou.
Nesse encontro, Lane propôs manter inalteradas as três principais taxas de juro do BCE, preservando a flexibilidade para responder à medida que as perspetivas de inflação evoluíssem, proposta que foi aceite por todos os membros do Conselho.
Aquele responsável referiu que “os mercados financeiros precificavam cerca de dois aumentos de 25 pontos-base nas taxas de juros até o final do ano, sendo o primeiro deles esperado por volta de junho”.
“A dimensão dos potenciais efeitos de segunda ordem permanece incerta”, defendeu na altura, acrescentando que “por um lado, a memória do episódio inflacionista de 2022 poderá suscitar reações que reforcem a propagação do choque atual à inflação não energética”.
“Por outro lado, o contexto atual é distinto do de 2022. A gravidade e a duração esperadas do choque energético — refletidas nas curvas de futuros do petróleo e do gás — têm sido mais contidas até ao momento”, acrescentou.
A ata do BCE refere ainda que “o espaço orçamental para a adoção de medidas compensatórias potencialmente inflacionistas é mais limitado. A política monetária é, em geral, neutra e o Conselho do BCE demonstrou firmemente o seu compromisso e capacidade para fazer regressar a inflação à meta em tempo útil, na sequência do choque energético de 2022. Nesse contexto, manter as taxas inalteradas em março, preservando a flexibilidade para reuniões futuras, constituiu uma abordagem prudente”.
“Ao mesmo tempo, argumentou-se que esta era a quarta crise em seis anos e que a economia se mostrou mais resiliente do que o esperado durante a pandemia, o aumento da inflação em 2022 e o recente conflito comercial. Poderá também mostrar-se resiliente desta vez, refletindo uma maior diversificação das fontes de energia, um papel mais relevante das energias renováveis e uma exposição direta limitada ao Médio Oriente”, pode ler-se no documento, que acrescenta: “Além disso, um desvio do turismo do Médio Oriente para a zona euro poderá impulsionar a economia, enquanto os mais recentes acordos comerciais com a Índia e a Austrália poderão sustentar o crescimento a longo prazo.”
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