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A estreia de Kevin Warsh como o novo rosto da Fed

Nesta quarta-feira, o recém-escolhido presidente da Reserva Federal norte-americana dará a sua primeira conferência de imprensa, e os mercados procuram sinais sobre o que poderá acontecer às taxas de juro

17 Jun 2026 - 10:05

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Kevin Warsh durante a audição no Senado dos EUA

Kevin Warsh durante a audição no Senado dos EUA

Começou ontem e termina nesta quarta-feira a primeira reunião do Comité Federal de Mercado Aberto (FOMC) da Reserva Federal norte-americana (Fed) presidida por Kevin Warsh. No final destes dois dias de trabalhos, o novo presidente da Fed dará a sua primeira conferência de imprensa e enfrentará as perguntas dos jornalistas.

Os mercados financeiros aguardam com expectativa qualquer sinal sobre a futura orientação da política monetária do banco central norte-americano.

De acordo com Michael Krautzberger, Diretor Global de Investimento (CIO) de Mercados Públicos da Allianz Global Investors (AllianzGI), “esperamos que a Fed mantenha a meta para a taxa dos fundos federais inalterada no intervalo entre 3,50% e 3,75%, em linha com o consenso do mercado e com as expectativas já descontadas pelos investidores. Contudo, também acreditamos que elimine o viés acomodatício adotado desde o início do atual ciclo de cortes de juros, em setembro de 2024. Esta mudança de discurso poderá refletir uma abordagem mais equilibrada e, sobretudo, uma crescente preocupação com a persistência da inflação”.

Para os responsáveis da Allianz Global Investors, “o novo presidente, Kevin Warsh, inicia a sua primeira reunião num ambiente particularmente complexo. Herda o Comité mais dividido em mais de três décadas, com três membros votantes a já discordarem do viés acomodatício em abril, enquanto o governador cessante, Stephen Miran, voltou a votar a favor de um corte na taxa de juro. As atas sugerem que o equilíbrio interno se deslocou para uma postura mais restritiva, dada a crescente incerteza sobre a duração e os efeitos económicos do conflito no Médio Oriente. Os dados apenas ajudaram a dissipar essas dúvidas”.

“Neste contexto, a conferência de imprensa será crucial. É provável que Warsh seja questionado sobre a sua ambição declarada de uma ‘mudança de regime’ na política monetária. Embora tenha a reputação de ser tradicionalmente rigoroso no combate à inflação, Warsh também defende uma visão desinflacionista impulsionada pela inteligência artificial e pelos ganhos de produtividade que, juntamente com uma redução do balanço da Reserva Federal, justificariam, em última análise, taxas de juro estruturalmente mais baixas”, referem aqueles analistas, acrescentando que “esta visão não é amplamente partilhada no Comité e poderá complicar as discussões sobre política monetária no futuro”.

“Num ambiente económico e geopolítico em rápida evolução, esperamos que o Comité Federal de Mercado Aberto (FOMC) mantenha a sua taxa de juro inalterada este ano. Ainda assim, o crescimento resiliente, a estabilização do mercado laboral e o aumento das pressões inflacionistas deslocaram o equilíbrio de riscos para um tom mais restritivo”, referem.

Por seu turno, os analistas da BlackRock dizem que estão “a acompanhar de perto a forma como Warsh enquadra o equilíbrio entre crescimento económico e inflação, bem como quaisquer alterações que sinalize na comunicação da Fed, como a redução da dependência da orientação futura (forward guidance) para indicar como poderá atuar relativamente às próximas decisões sobre as taxas de juro”.

“Isto poderá potencialmente tornar as alterações de política da Fed uma fonte de volatilidade, à medida que os investidores tentam antecipar os próximos movimentos com base em menos indicações — e poderá reforçar as razões para os investidores exigirem um prémio de prazo (term premium) mais elevado pela detenção de obrigações de longo prazo, mantendo uma pressão ascendente sobre as rendibilidades de longo prazo”, acrescentam os responsáveis da BlackRock.

“Quaisquer comentários de Warsh sobre os ganhos de produtividade associados à inteligência artificial (IA) serão também fundamentais — especialmente porque os ganhos de produtividade resultantes da IA indicam um contexto de investimento forte e uma maior concorrência por capital, fatores que também tenderiam a pressionar as taxas de juro em alta”, concluem.

Para o UBS Global Wealth Management, o acordo entre os EUA e o Irão “deverá permitir que os investidores se concentrem mais plenamente no contexto macroeconómico de um crescimento económico resiliente, resultados empresariais sólidos e investimento em inteligência artificial (IA), fatores que, na nossa opinião, deverão continuar a impulsionar as ações globais”.

Para aqueles analistas, “nos Estados Unidos, a maioria das estimativas de acompanhamento do crescimento do PIB no segundo trimestre situa-se no intervalo entre 2,5% e 3%, apoiada pelo estímulo orçamental e pelo efeito atenuado das tarifas. Embora seja provável que o crescimento abrande na segunda metade do ano, este fator, juntamente com a descida dos preços do petróleo na sequência do acordo entre os EUA e o Irão, deverá contribuir para uma desaceleração da inflação global e permitir que a Reserva Federal retome o ciclo de descida das taxas de juro no próximo ano”.

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