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A Europa acordou!
Por, Miguel Alexandre Ganhão, Diretor do Jornal PT50
18 Jul 2026 - 02:25
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Miguel Alexandre Ganhão, Editor-executivo Jornal PT50
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Miguel Alexandre Ganhão, Editor-executivo Jornal PT50
Esta foi a semana em que a Europa acordou em termos financeiros. Foi dado um passo decisivo para a concretização do euro digital, com o Banco Central Europeu (BCE) a escolher 36 entidades para participar no projeto-piloto da moeda única em formato digital, que deverá arrancar no segundo semestre de 2027. É com indisfarçável orgulho que observo que, nesse grupo restrito, se encontram três instituições portuguesas: a UNICRE, a Caixa Geral de Depósitos e o Millennium bcp. Entre as entidades selecionadas contam-se ainda duas espanholas e uma francesa — o BPCE, proprietário do Novo Banco.
Nunca será demais sublinhar a importância deste projeto para a soberania e a independência económica da Europa. Tem de ser, e será, um projeto de todos e para todos os europeus.
Para encerrar a semana, a Comissão Europeia mostrou qual é a sua visão para o futuro do sistema bancário europeu: um ecossistema mais simples, mais seguro e capaz de dar origem a grandes instituições financeiras transfronteiriças, aptas a competir em dimensão e rentabilidade com os grandes bancos norte-americanos. Também esta semana, estes demonstraram a sua força ao apresentarem lucros com crescimentos de 25%, 40% e 50% no segundo trimestre do ano. Tudo isto numa economia que continua a crescer, apesar da guerra no Médio Oriente e da imposição de tarifas alfandegárias significativas sobre alguns dos seus principais parceiros comerciais.
Como muito bem afirmou Cristina Brízido, CEO da Caixa Gestão de Ativos, numa iniciativa promovida pelo banco público e realizada esta semana em Lisboa, vivemos num mundo novo em que já não podemos falar de uma “descontinuidade histórica”, mas sim de um “ajustamento incremental”. É precisamente para esse ajustamento que a versão digital da moeda única nos oferece um vislumbre do futuro.
O despertar europeu é bem-vindo e desejável. Pode até constituir uma resposta ao título que a revista britânica The Economist deu a um dos seus artigos na semana passada: «A Europa compra o futuro; a América constrói-o». Não se pode negar que o investimento europeu em novas tecnologias encontra do lado de lá do Atlântico mais dinheiro e um ambiente mais “amigável” para a investigação.
Mas o futuro não se compra. Constrói-se com soluções inovadoras no domínio da Inteligência Artificial (IA), com novos produtos de aforro e poupança que deem resposta às necessidades de uma população europeia cada vez mais envelhecida e que procura uma melhor qualidade de vida, com apostas decisivas numa política comum de defesa e com a preservação dos valores de solidariedade e democracia que fazem da União Europeia um espaço privilegiado de acolhimento e prosperidade.
Se conseguirmos ligar a poupança à investigação tecnológica teremos a fórmula vencedora para cavalgar com sucesso o “ajustamento incremental” de que falava a CEO da Caixa Gestão de Ativos.
Assim tenhamos líderes capazes de interpretar este desígnio e de mobilizar os cidadãos para a construção de um futuro europeu cada vez mais próspero, inovador e solidário.
Esta semana mostrou-nos que estamos no bom caminho.
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