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Álvaro Santos Pereira: “Ninguém do Banco de Portugal vai alguma vez vender produtos cripto ou outros produtos financeiros”

Supervisor lança Plataforma de Acompanhamento da Fraude Digital, que integra uma centena de entidades, entre supervisores, bancos, órgãos de polícia criminal, prestadores de serviços de pagamento e associações de consumidores.

25 Mai 2026 - 16:28

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Audição 17/9 parlamento, Álvaro Santo Pereira

Audição 17/9 parlamento, Álvaro Santo Pereira

“Ninguém do Banco de Portugal ou do Eurosistema vai alguma vez vender produtos cripto ou outros produtos financeiros a quem quer que seja. Se alguém receber mensagens com o governador do Banco de Portugal num vídeo deepfake, isso não é verdade”, afirmou nesta segunda-feira Álvaro Santos Pereira, durante a conferência “Fraude Digital: detetar, responder, prevenir”, realizada em Lisboa e que serviu para o lançamento formal da Plataforma de Acompanhamento da Fraude Digital.

A plataforma integra mais de 100 entidades, entre supervisores, bancos, prestadores de serviços de pagamento, órgãos de polícia criminal, magistrados e associações de consumidores, e tem como objetivo “reforçar a cooperação entre todos os intervenientes relevantes para ultrapassar a fragmentação da informação e promover uma abordagem integrada ao fenómeno da fraude digital, com vista a reforçar a segurança dos serviços financeiros digitais”.

“Esta plataforma não existe apenas para ficar bem na fotografia. É uma iniciativa real e queremos que tenha um impacto significativo no combate à fraude digital”, afirmou o governador do Banco de Portugal.

Na sua intervenção inicial, Álvaro Santos Pereira referiu que “o combate à fraude digital é uma prioridade absoluta do Banco de Portugal, mas deve ser uma prioridade de todos nós”, acrescentando que, com a Inteligência Artificial (IA), “estamos a viver uma das maiores revoluções tecnológicas dos últimos séculos, que traz também ameaças importantes”.

Segundo o governador, “os níveis de fraude em Portugal são baixos”. No primeiro semestre de 2025 registaram-se quatro fraudes por cada milhão de operações nos débitos diretos, 10 fraudes por cada milhão de transferências e 66 fraudes por cada milhão de transações com cartões.

O responsável salientou ainda que, “nas fraudes com cartões, 54,5% das perdas foram suportadas pelos prestadores de serviços de pagamento”, enquanto “nas transferências, 84,1% das perdas foram suportadas pelos utilizadores”.

As perdas totais suportadas por prestadores de serviços de pagamento e utilizadores ascenderam a 5,3 milhões de euros no primeiro semestre de 2025, comparando com 8,9 milhões de euros no mesmo período de 2024.

Álvaro Santos Pereira apelou também aos legisladores para acelerarem a criação de um enquadramento regulamentar sobre o fenómeno do spoofing — uma técnica de falsificação utilizada em cibersegurança e fraude digital, através da qual alguém se faz passar por outra pessoa, entidade, dispositivo ou sistema para enganar a vítima.

“Portugal é o único país europeu onde o combate ao spoofing ainda não foi legislado”, afirmou o governador.

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