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Banca europeia sofre trambolhão nas bolsas e DBRS lança aviso sobre exposição às dívidas soberanas
Bancos portugueses têm exposição equivalente a 367% do CET1 em dívidas soberanas, muito acima dos 264% da média europeia
07 Out 2026 - 18:06
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Setor bancário nacional
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Setor bancário nacional
As ações dos principais bancos europeus caíram fortemente no início da semana, pressionadas por uma onda de vendas de obrigações e pela subida dos preços do petróleo. O índice STOXX Europe Banks caiu 3,3%. As ações do Société Générale, Deutsche Bank, UniCredit e Intesa Sanpaolo lideraram as quedas do setor, com descidas superiores a 4% em todos os casos.
Uma das questões que está a afetar a banca europeia é o receio de um contágio de França ao resto da zona euro. Ainda esta quarta-feira, o governador do Banco de Portugal rejeitou completamente a sugestão feita pela candidata de extrema-direita às eleições presidenciais francesas, Marine Le Pen, que pediu ao Banco Central Europeu (BCE) que crie um mecanismo de apoio às dívidas soberanas dos países da zona euro.
“Os bancos centrais existem para controlar a inflação. A questão fiscal da França tem de ser resolvida de duas maneiras, como disse o governador do Banco de França: têm de existir reformas e tem de existir uma descida do défice.”
Entretanto, a venda maciça e persistente de obrigações à escala mundial levou a que a rendibilidade da obrigação do Tesouro norte-americano a 30 anos atingisse máximos de 24 anos, enquanto a dívida alemã registava uma ligeira descida das yields, ao atuar como «ativo de refúgio».
Esta volatilidade nos mercados de dívida soberana levou a agência de notação financeira DBRS a elaborar um comentário, divulgado esta quarta-feira, no qual pergunta: “Será que os bancos europeus romperam o ciclo vicioso da soberania ou apenas o remodelaram?”
“Em maio de 2026, Claudia Buch, presidente do Conselho de Supervisão do BCE, afirmou que a relação entre risco soberano e financeiro não representa atualmente uma preocupação prudencial, mas também enfatizou a necessidade de preservar as salvaguardas que sustentam essa melhoria, em meio a um debate em curso a nível da UE sobre a necessidade de revisão do regulamento relativo aos requisitos de capital. Um documento do Banco de Compensações Internacionais (BIS), de julho de 2026, chegou a uma conclusão semelhante, constatando que as exposições soberanas diretas dos bancos explicam agora uma parcela menor da ligação entre o risco bancário e o risco soberano, enquanto as exposições através de instituições financeiras não bancárias se tornaram mais relevantes”, refere a DBRS.
Para aquela agência de rating, “as participações dos bancos europeus em dívida soberana aumentaram para 4,54 biliões de euros em junho de 2026, contra 3,14 biliões de euros em dezembro de 2022, um aumento substancial de 44%. Em relação ao capital, a exposição agregada subiu para representar um rácio CET1 de 264% em junho de 2026, contra 214% no final de 2022, enquanto o rácio da exposição soberana sobre o total de ativos agregados aumentou para 14,7%, contra 11,6%. Ambos os rácios encontram-se agora nos seus níveis mais elevados desde 2019”.
No caso de Portugal, essas percentagens são muito mais elevadas. Todos os principais sistemas bancários aumentaram a sua exposição soberana em relação ao índice CET1 (Common Equity Tier 1, o principal indicador de solvabilidade de um banco) entre dezembro de 2022 e junho de 2026.
“A relevância dessa carteira é ampla, porém desigual: os bancos alemães e irlandeses permanecem abaixo da média da UE, em 215%, enquanto os bancos portugueses, italianos e espanhóis apresentam a maior proporção de CET1, com 367%, 361% e 342%, respetivamente”, diz a DBRS.
Segundo a agência, a “exposição a títulos domésticos (ou seja, a proporção de títulos soberanos nacionais) no agregado da UE/EEE caiu para 43% em junho de 2026, após atingir um pico de 53% em junho de 2021.
Os bancos nos principais países da zona euro concentram-se mais perto da média da UE/EEE: Itália com 50%, Espanha com 46%, França com 45% e Alemanha com 36%. Em Espanha, Portugal, Itália e Irlanda, observámos uma tendência decrescente na exposição à dívida soberana nacional, mesmo com os bancos a continuarem a expandir as suas carteiras globais de dívida soberana.
Na opinião da DBRS, isto explica-se em parte pela “procura de rendimento e por maiores oportunidades de diversificação de carteiras, o que, por sua vez, reforça um potencial enfraquecimento do ciclo vicioso”. No caso de Portugal, a acentuada diminuição da exposição à dívida soberana nacional reflete o aumento significativo das participações de um banco (Millennium bcp) na dívida soberana polaca.
Para o agregado da UE/EEE, 46% da exposição soberana em junho de 2026 vence em mais de cinco anos, contra 42% em junho de 2019, enquanto a parcela com vencimento até um ano caiu de 25% para 23%, refere aquele comentário.
“No entanto, o número agregado mascara mudanças mais significativas a nível nacional. Os bancos italianos e holandeses aumentaram a parcela com vencimento superior a cinco anos em mais de 15 pontos percentuais, para 58% e 65%, respetivamente, enquanto os bancos gregos representam a maior parcela com vencimento superior a cinco anos, com 71%.
Em Portugal, a maioria da dívida soberana que os bancos detêm tem um vencimento entre um e cinco anos. “Essas carteiras de menor duração reduzem a sensibilidade à marcação a mercado e devem sustentar a rentabilidade caso os bancos reinvistam os recursos em títulos soberanos de maior rendimento, especialmente se os rendimentos continuarem a apresentar uma tendência de alta”, refere a DBRS.
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