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Banco de Inglaterra faz teste de ‘stress” para simular grave crise geopolítica

O Banco de Inglaterra coloca em cima da mesa um cenário com a inflação e as taxas de juro em 7% e o índice bolsista FTSE a cair 35% e a economia a contrair 4%.

19 Jun 2026 - 15:00

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Foto: Unspalsh/Annie Spratt

Foto: Unspalsh/Annie Spratt

O Banco de Inglaterra (BoE) divulgou nesta sexta-feira os parâmetros para avaliar a resiliência do ecossistema dos mercados de crédito público e privado perante uma eventual crise geopolítica “severa, embora plausível”. O teste incluirá 46 entidades, maioritariamente fundos de ‘private equity’, gestoras de ativos, bancos e investidores institucionais.

“Enviámos aos participantes um cenário hipotético de ‘stress’, detalhando uma recessão macroeconómica global severa, embora plausível, ao longo de um período de cinco anos”, explicou o banco central presidido por Andrew Bailey. Os participantes deverão modelar os impactos do cenário, incluindo as suas ações em resposta a essa situação de ‘stress’.

O Banco de Inglaterra referiu que, nos últimos anos, os mercados de crédito privados têm crescido significativamente, proporcionando uma fonte diversificada de financiamento para a economia britânica, juntamente com os bancos e outras instituições financeiras.

Assim sendo, o resultado do teste dará informação sobre como os mercados de crédito público e privado do Reino Unido operam durante períodos de ‘stress’ e as potenciais consequências para a economia britânica. O cenário hipotético para os mercados de crédito prevê uma grave crise geopolítica e de abastecimento global, conduzindo a uma profunda recessão mundial, na qual as cadeias de abastecimento são interrompidas, particularmente as de componentes tecnológicos, e os preços da energia disparam.

No caso do Reino Unido, o cenário de ‘stress’ prevê uma inflação de 7% e uma descida dos preços dos ativos, o que, no segundo ano, implicaria uma contração acumulada de 4% do PIB, bem como uma descida de 35% do índice bolsista FTSE, um aumento de 400 pontos base nos ‘spreads’ dos empréstimos alavancados e uma subida das taxas de juro para 7%. Nesse cenário, as economias avançadas experimentariam uma combinação de inflação elevada e queda da produção, enquanto as taxas de juro subiriam e as condições financeiras se tornariam drasticamente mais restritivas, elevando os custos do crédito.

A fase de análise de cenários e a participação das entidades financeiras decorrerá ao longo de 2026, com vista à publicação de um relatório final no início de 2027 pelo Banco de Inglaterra. O relatório incluirá as conclusões a nível sistémico e as suas implicações para os mercados empresariais do Reino Unido, mas não fornecerá informações sobre empresas individuais ou dados comercialmente sensíveis.

O teste contará com a participação de fundos de ‘private equity’ e gestoras de ativos como a Apollo Global Management, Ares Management, Bain Capital, Blackstone, Carlyle, CVC Credit Partners Investment Management, KKR, Permira, BlackRock, Fidelity International (FIL) e Invesco.

 

Agência Lusa

Editado por Jornal PT50

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