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BCE alerta bancos para desafios como modelo de IA Mythos

Se estas ferramentas de IA se tornarem mais acessíveis, “podem permitir que um leque muito mais vasto de agentes maliciosos realize ataques complexos com maior rapidez e precisão”, alerta.

19 Jun 2026 - 15:20

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Frank Elderson, membro da Comissão Executiva do BCE e vice-presidente do Conselho de Supervisão do BCE | Foto: BCE

Frank Elderson, membro da Comissão Executiva do BCE e vice-presidente do Conselho de Supervisão do BCE | Foto: BCE

O vice-presidente do Conselho de Supervisão do Banco Central Europeu (BCE), Frank Elderson, afirmou que a instituição enviará uma carta a todos os diretores-gerais dos bancos para garantir a segurança dos seus sistemas face a desafios como o Mythos. Esta observação surgiu durante a sua participação no Fórum “Competitividade para o crescimento: O papel do setor bancário”, nesta sexta-feira, no qual foi questionado sobre o facto de os reguladores globais considerarem a ferramenta de Inteligência Artificial (IA) Mythos um desafio importante que poderá intensificar os ciberataques aos bancos.

Neste sentido, afirmou que, num contexto de ciberataques mais frequentes e sofisticados, o capital e a liquidez são uma condição necessária, mas não suficiente, para a resiliência dos bancos. “Os bancos também precisam de ser resilientes a nível operacional, e se isto já não era relevante com o aumento dos ciberataques, as falhas tecnológicas e a crescente dependência de terceiros, é sem dúvida relevante hoje em dia, dado que o panorama das ameaças evolui rapidamente com os novos modelos de IA de ponta”, acrescentou.

Para Elderson, até há pouco tempo, lançar um ciberataque sofisticado exigia uma profunda experiência técnica, um extenso trabalho de reconhecimento e programação e, muitas vezes, semanas, senão meses, de tentativa e erro. Agora já não é assim, uma vez que está a surgir uma nova geração de modelos de IA em grande escala, com capacidades de cibersegurança cada vez mais avançadas. E se estas ferramentas se tornarem mais acessíveis, “podem permitir que um leque muito mais vasto de agentes maliciosos realize ataques complexos com maior rapidez e precisão”, alertou.

Na sua opinião, a velocidade, a escala e a acessibilidade das capacidades cibernéticas avançadas estão a aumentar, e os bancos precisam de se preparar com maior rapidez, eficácia e coerência. Neste espírito, assegurou, que o BCE está a colaborar com todos os bancos para garantir que a resiliência operacional na era dos modelos de IA de ponta seja tratada como uma questão de importância estratégica.

Isto significa que os órgãos de gestão dos bancos devem assumir “claramente” a responsabilidade pelo problema, garantindo que os recursos e as ferramentas à altura da magnitude da tarefa estão disponíveis.

O vice-presidente do Conselho de Supervisão do BCE afirmou que a competitividade do setor bancário depende também da capacidade de as instituições de continuarem a atender os seus clientes e a prestar serviços essenciais em caso de interrupções. “Se os bancos não conseguirem manter a confiança dos seus clientes oferecendo um serviço fiável, a sua capacidade de competir num sistema financeiro cada vez mais digitalizado ficará comprometida”, alertou.

Por outro lado, salientou que a Europa precisa de revitalizar a prosperidade e enfrenta enormes necessidades de financiamento para poder continuar a ser dona do seu próprio destino num mundo cada vez mais fragmentado, sendo que a competitividade ocupa um lugar prioritário na agenda. “A Europa precisa de um maior crescimento, mas temos de ter claro qual é a sua origem, o desafio do crescimento europeu é, acima de tudo, um desafio de produtividade”, acrescentou Elderson, que, questionado sobre o processo de simplificação regulamentar, afirmou que é fundamental distinguir a simplificação da desregulamentação.

Por último, considera fundamental uma maior integração bancária. “A contínua fragmentação dos mercados bancários da UE continua a ser o principal obstáculo que impede os bancos de atingirem a escala e a eficiência necessárias e de contribuírem plenamente para a economia europeia”, concluiu.

 

Agência Lusa

Editado por Jornal PT50

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