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Banco de Inglaterra investiga Barclays por reportes incorretos de riscos associados a créditos privados
Uma queixa feita ao regulador bancário indica que o Barclays está a reportar a sua exposição ao crédito privado de forma a reduzir o risco e, por consequência, a necessidade de provisões.
19 Out 2026 - 15:49
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O Barclays encontra-se sob investigação por parte do Banco de Inglaterra, através da Prudential Regulation Authority (PRA), devido a uma queixa sobre reportes incorretos sobre créditos privados ilíquidos, de forma a baixar o risco associado. A informação é avançada pelo Financial Times (FT), que cita fontes conhecedoras do tema.
Segundo explica o periódico britânico, o Barclays terá registado derivados usados para financiar créditos privados na sua carteira de ‘trading’ e não na sua carteira bancária, o que permite reduzir o risco associado e, por consequência, as provisões para cobertura de possíveis perdas.
As fontes consultadas apontam que estas práticas vão contra as regras estabelecidas pela PRA, que avisou os bancos precisamente sobre este tema no ano passado numa carta endereçada aos diretores financeiros, recorda o FT. A missiva da autoridade indicava que esta se tinha deparado com uma “abordagem imprudente” de alguns bancos nos portfólios de financiamento e que podia resultar numa “subcapitalização dos riscos”.
De acordo com as fontes do FT, o Barclays tem uma exposição de milhares de milhões a créditos privados através de derivados. As regras da PRA proíbem os bancos de colocar derivados com colateral ilíquido na carteira de ‘trading’, a menos que haja provas suficientes para justificar tal decisão.
Os créditos privados são considerados ilíquidos porque não podem ser negociados no mercado e não são objeto de cotação diária ao valor de mercado. A avaliação destes créditos, aponta o jornal britânico, é o centro das preocupações devido aos potenciais riscos associados a esta indústria de 2 biliões de dólares.
Não só no Reino Unido, mas também na Europa em geral e nos EUA, os reguladores já alertaram para a exposição dos bancos a este mercado e os impactos de uma queda do mesmo. Mais ainda, alertam que as relações entre os bancos e os fundos de crédito privado podem estar a contribuir para riscos sistémicos.
Do lado do Barclays, os ‘traders’ argumentam que cobriram a sua exposição ao crédito privado através de uma operação de contrapartida com outra entidade – em que esta assume todos os ganhos ou perdas desse mesmo crédito em troca de uma comissão – e, portanto, transformou essa exposição numa posição negociável, ainda que o crédito a que se refere essa operação continue a ser ilíquido.
O FT realça ainda que este caso surge numa altura confrangedora para a líder da PRA, Katharine Braddick, que assumiu o posto este ano, vinda diretamente do Barclays. Braddick deve escusar-se de quaisquer assuntos relacionados com o banco até ao fim do ano, de forma a evitar conflitos de interesse.
Ao jornal britânico, o Barclays afirma que leva a sério as suas obrigações regulatórias nos mercados em que opera e que não comenta sobre as suas interações com os reguladores. Já o Banco de Inglaterra recusou comentar a situação.
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