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BCE diz que não são requisitos de capital dos bancos que limitam procura de crédito

“O crescimento mais fraco do crédito que observámos em algumas partes da economia reflete uma economia mais fraca e uma maior incerteza, e não restrições decorrentes dos requisitos de capital”, reforçou Claudia Buch.

02 Jul 2026 - 13:30

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Claudia Buch, presidente do Conselho de Supervisão do BCE | Foto: BCE/ Adrian Petty

Claudia Buch, presidente do Conselho de Supervisão do BCE | Foto: BCE/ Adrian Petty

A presidente do Conselho de Supervisão do BCE, Claudia Buch, rejeitou nesta quinta-feira que os requisitos de capital exigidos aos bancos estejam a restringir a procura de crédito, apontando antes para uma procura mais fraca e maior incerteza. Numa audiência perante a Comissão dos Assuntos Económicos do Parlamento Europeu, a responsável alemã defendeu que a manutenção de posições de capital robustas pelo setor bancário é essencial para que tenha capacidade de “absorver choques, continuar a prestar serviços à economia e, em última instância, apoiar o crescimento”.

“O crescimento mais fraco do crédito que observámos em algumas partes da economia reflete uma economia mais fraca e uma maior incerteza, e não restrições decorrentes dos requisitos de capital”, enfatizou a responsável junto dos deputados, citada pela Efe. Nesse sentido, a presidente do Conselho de Supervisão do Banco Central Europeu (BCE) defendeu que os dados “mostram que os requisitos de capital adequados não prejudicam a competitividade nem a capacidade de concessão de crédito do setor bancário”.

Acrescentou que os requisitos para o sistema bancário estão alinhados com o enquadramento do Acordo de Basileia e são comparáveis aos aplicados por outras jurisdições. Claudia Buch recordou que os requisitos atuais praticamente não sofreram alterações desde 2019 – não obstante uma redução temporária durante o período da pandemia da covid-19 – e que as subidas têm sido feitas de forma moderada para a criação de reservas “que possam ser libertadas em momentos de tensão”.

Ainda assim, admitiu que o atual quadro pode ser melhorado, em particular com a redução do número de reservas macroprudenciais. Em termos concretos, Claudia Buch defendeu uma harmonização da implementação nacional dos requisitos para “evitar sobreposições”.

Sobre a guerra no Médio Oriente e outros riscos políticos, a responsável considerou ser ainda “muito cedo” para perceber o impacto nos balanços dos bancos, mas que o setor aponta para uma manutenção da solidez, forte capitalização e baixos níveis de créditos não produtivos. Ainda assim, alertou que o menor crescimento “poderá demorar vários trimestres, ou mesmo anos, a traduzir-se numa menor qualidade dos ativos”, o que a levou a apelar para as instituições analisarem como os choques podem impactar os seus clientes e os seus sistemas de absorção de perdas ao longo do tempo.

 

Agência Lusa

Editado por Jornal PT50

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