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BCE mostra que Portugal, Grécia e Espanha estão rendidos às plataformas de comércio eletrónico chinesas
Famílias com rendimentos mais baixos são as que mais compram. Cerca de 90% das encomendas não ultrapassam os 50 euros
13 Jul 2026 - 14:16
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Foto: Adobe Stock/vegefoxcom
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Os números são expressivos. Segundo dados divulgados nesta segunda-feira pelo Banco Central Europeu (BCE), as plataformas chinesas de comércio eletrónico têm-se tornado cada vez mais populares na zona euro. De acordo com uma comunicação da Comissão Europeia sobre comércio eletrónico, em 2024 cerca de 90% de todas as remessas de comércio eletrónico com valor até 150 euros que entraram na União Europeia provinham da China.
Os países onde os consumidores mais recorrem a plataformas como a Temu, a Shein e a AliExpress são Portugal, Espanha e Grécia, «onde mais de 70% dos consumidores afirmaram efetuar compras nestas plataformas». Em contrapartida, a utilização é mais reduzida na Alemanha e em França, onde menos de metade dos consumidores recorre a estes serviços.
Segundo o BCE, «a forte penetração destas plataformas no sul da Europa aponta para diferenças significativas entre os países em termos de hábitos de consumo, conhecimento das plataformas, infraestruturas de entrega, confiança dos consumidores e alternativas de retalho locais».
O BCE refere ainda que «a utilização é mais comum entre as famílias de baixos e médios rendimentos». «Este facto é consistente com a forte influência do fator preço: os consumidores com orçamentos mais limitados podem ser particularmente recetivos a ofertas de baixo custo. Ainda assim, muitas famílias com rendimentos mais elevados também recorrem às plataformas chinesas», acrescenta.
Os dois principais fatores que levam os consumidores europeus a comprar através destas plataformas são os preços reduzidos e a grande variedade de produtos disponíveis.
«As considerações relacionadas com o preço dominam claramente as respostas abertas dos inquiridos. Palavras como “preço”, “barato” e “mais barato” surgem com elevada frequência. Isto reforça o papel central da acessibilidade. Para muitos consumidores, estas plataformas representam uma forma de otimizar o orçamento familiar, numa altura em que o custo de vida continua a ser uma preocupação», refere o BCE.
A instituição recorda que a inflação na zona euro regressou a níveis mais moderados após os picos registados em 2020 e 2021, mas sublinha que os consumidores continuam a comparar preços cuidadosamente e a procurar alternativas mais económicas.
O segundo fator mais relevante é a variedade da oferta. «Os consumidores valorizam a ampla gama de produtos disponíveis, incluindo artigos de nicho, acessórios e produtos que podem ser difíceis de encontrar nas lojas locais. Em suma, os preços baixos combinados com uma extensa variedade de produtos parecem constituir a principal vantagem competitiva destas plataformas», acrescenta o banco central.
Mas o que compram os consumidores europeus nas plataformas chinesas? Principalmente vestuário, artigos para o lar e outros bens de consumo adquiridos através do comércio eletrónico.
«A grande maioria das encomendas é de baixo valor: quase dois terços não ultrapassam os 25 euros e cerca de 90% ficam abaixo dos 50 euros. Além disso, um em cada cinco inquiridos afirmou realizar compras nestas plataformas pelo menos uma vez por mês», refere o BCE.
Curiosamente, a instituição liderada por Christine Lagarde considera que as plataformas chinesas de comércio eletrónico terão contribuído, em 2025, «para conter a subida dos preços de alguns tipos de bens de consumo».
Já entre os fatores que afastam os consumidores europeus destas plataformas destacam-se a perceção de baixa qualidade dos produtos, a falta de confiança e as preocupações ambientais.
«Muitos inquiridos associam os produtos vendidos nestas plataformas à incerteza quanto à sua qualidade, nomeadamente em termos de durabilidade e fiabilidade. Para estes consumidores, os preços baixos não compensam o receio de que os produtos não correspondam às expectativas», refere o BCE.
A instituição acrescenta que os entrevistados também manifestaram preocupações relacionadas com a proteção de dados pessoais, a segurança dos pagamentos, o serviço de apoio ao cliente e a fiabilidade das plataformas.
«Estas preocupações podem ser particularmente relevantes para consumidores com pouca experiência em compras online internacionais ou que receiam a forma como os seus dados pessoais poderão ser utilizados», salienta.
Segundo o BCE, «as preocupações ambientais também surgem com destaque», com vários consumidores a manifestarem reservas relativamente ao impacto ambiental do transporte de longa distância, ao excesso de embalagens, às devoluções frequentes e às condições de produção dos bens comercializados.
«Estas preocupações podem desencorajar as compras, mesmo quando os preços são atrativos», conclui a instituição.
Recorde-se que desde o dia 1 de julho a União Europeia eliminou a isenção de direitos aduaneiros para encomendas vindas da China até 150 euros, criando uma taxa transitória de 3 euros por categoria de mercadoria.
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