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Cristina Brízido: «Estamos muito expectantes sobre se a capacidade de geração de cash flows continua intacta»
A CEO da Caixa Gestão de Ativos considera que o risco atual não representa uma «descontinuidade histórica», mas sim um «ajuste incremental»
13 Jul 2026 - 16:56
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Cristina Brízido, CEO da Caixa Gestão de Ativos/Foto: Melissa Dores
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Cristina Brízido, CEO da Caixa Gestão de Ativos/Foto: Melissa Dores
Os responsáveis da Caixa Gestão de Ativos consideram que as incertezas geopolíticas que o mundo atravessa não devem ser interpretadas como uma «descontinuidade histórica», mas antes como um «ajuste incremental».
No encontro Fora da Caixa, realizado pela Caixa Geral de Depósitos (CGD) nesta segunda-feira em Lisboa, Cristina Brízido, CEO da Caixa Gestão de Ativos, analisou o atual contexto geopolítico e perspetivou os desenvolvimentos que poderão marcar os próximos anos.
Comparando o atual conflito no Médio Oriente com a Guerra do Yom Kippur, em 1973 — um conflito que opôs Israel a uma coligação liderada pelo Egito e pela Síria —, a responsável destacou as diferenças entre os dois episódios e as respetivas repercussões na economia global.
Segundo Cristina Brízido, a natureza do choque económico é substancialmente distinta. Em 1973, a oferta registou uma quebra de cerca de 7%, enquanto desde fevereiro de 2026 a redução da capacidade de resposta tem rondado os 12%. Além disso, as reservas estratégicas de petróleo eram relativamente reduzidas na década de 1970, ao passo que atualmente existe uma maior diversificação de fornecedores e mecanismos de coordenação internacional já testados e operacionalizados.
Ao nível da oferta energética, em 1973 a economia mundial dependia fortemente do petróleo. Passados mais de 50 anos, o crude deixou de ser o único pilar energético, existindo uma maior diversificação de fontes de energia e ganhos significativos de eficiência.
Já no que respeita à política monetária, os bancos centrais dispunham, em 1973, de menor independência e reagiam frequentemente de forma tardia e descoordenada. Atualmente, segundo a gestora, as autoridades monetárias são mais experientes, dispõem de mais instrumentos e possuem uma maior capacidade de coordenação internacional.
Por isso, Cristina Brízido considera que «hoje existe uma maior capacidade de antecipação e adaptação; as economias dispõem de mais amortecedores e existe um risco de calibração, mas não uma perda total de controlo».
A responsável defende ainda que estamos a viver um «superciclo de investimento em inteligência artificial e transformação tecnológica», considerando mesmo o investimento em capital (capex) associado à inteligência artificial como um dos principais motores do crescimento global.
«O debate já não é se estamos perante uma bolha, mas sim como é que as empresas irão monetizar esse investimento», afirmou. Daí a expectativa dos investidores relativamente à questão central: «se a capacidade de geração de cash flows continua intacta».
Segundo Cristina Brízido, entrámos num novo regime de «desordem controlada e fragmentação», marcado por uma era de «multipolaridade, reconfiguração das cadeias de valor e políticas orientadas para a autonomia estratégica».
«As tarifas, os controlos às exportações e as sanções tornaram-se instrumentos permanentes de política económica e de segurança», afirmou, acrescentando que «a guerra na Ucrânia, o conflito no Médio Oriente e a corrida global à defesa e à energia constituem fatores de risco estrutural, mas também criam oportunidades».
Um dos efeitos que se está a revelar mais persistente é a inflação. «A inflação global está a tornar-se mais estrutural devido ao reshoring, à transição energética, à evolução demográfica e às políticas industriais expansionistas», referiu.
A responsável considera ainda que «nos Estados Unidos a inflação deverá permanecer elevada, com a Reserva Federal sob pressão relativamente à sua independência», acrescentando que os mercados já incorporam a possibilidade de novas subidas das taxas de juro até ao final do ano.
Citando Nassim Nicholas Taleb, antigo operador financeiro (trader) e autor de obras como O Cisne Negro, que popularizou o conceito de acontecimentos raros, imprevisíveis e de elevado impacto, Cristina Brízido defendeu que «em condições de elevada incerteza, a pior decisão é promover uma alteração estrutural da estratégia».
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