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BCE prepara-se para subir taxas de juro após um ano sem alterações
Os mercados esperam uma subida de 25 pontos base da taxa de juro diretora. Nova subida em setembro já é esperada pelos analistas.
11 Jun 2026 - 07:23
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Foto: LinkedIn de Christine Lagarde
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Foto: LinkedIn de Christine Lagarde
Precisamente um ano após o anúncio da última descida das taxas de juro para os atuais 2%, o Conselho de Governadores do Banco Central Europeu (BCE) prepara-se para fazer o caminho inverso, de forma a combater a inflação que se faz sentir devido à crise energética espoletada pela guerra no Médio Oriente.
O banco central tem-se mantido cauteloso em relação a subidas da taxa de juro diretora, mas o prolongamento da guerra dos EUA com o Irão torna este desfecho cada vez mais inevitável. Aquando da decisão de manutenção das taxas em abril, o BCE reforçou que o impacto do conflito na economia dependia da sua duração e intensidade e garantiu estar “bem posicionado” para “navegar a incerteza do momento”.
Tal como tem vindo a ser a tendência dos últimos meses, o BCE reiterou que vai continuar com uma abordagem à política monetária baseada nos dados disponíveis e sem um sentido pré-definido.
A Morningstar DBRS recorda, num comentário publicado no seu site, que a inflação na Zona Euro atingiu 3,2% em maio, de acordo com dados preliminares e que a inflação ‘core’, que exclui componentes voláteis como energia e comida, já estava em 2,5%.
Assim, “um aumento das taxas de juro parece ser o desfecho mais provável na reunião do BCE”, prevê a agência de ‘rating’, “uma vez que a guerra no Irão faz subir os custos da energia e aumenta as perspetivas de uma inflação mais elevada nos próximos meses”.
Citando dados compilados pela Bloomberg, a DBRS aponta para uma probabilidade de 97% de um aumento de 25 pontos base. Já uma sondagem da Reuters a economistas indica que mais de 90% dos inquiridos espera o mesmo. Em abril, a mesma sondagem revelava que pouco mais de metade tinha esta expectativa.
Já o diretor global de Macro do ING, Carsten Brzeski, também citado pela DBRS, considera que a subida vai funcionar como um “seguro” para o BCE, para se proteger de críticas idênticas às de 2022, quando foi acusado de agir demasiado tarde. A situação é diferente de 2022, recorda, mas esta subida de junho de 2026 vai ser “simbólica” e demonstrativa da “vontade de agir do supervisor”, nota.
Olhando para o futuro, o BCE tem mais quatro reuniões de política monetária em 2026 – julho, setembro, outubro e dezembro – e os mercados contam com mais uma subida. Segundo uma outra sondagem da Reuters, 60% dos economistas inquiridos esperam novo aumento em setembro, o que está em linha com os preços de mercado, refere a DBRS.
Vários economistas questionados pela agência concordam com esta visão. Ulrike Kastens, economista sénior da DWS, não vê alterações drásticas na política monetária, mas conta com um aumento gradual de 50 pontos base até ao final do ano, com a próxima subida a surgir em setembro. Por sua vez, o ‘chief investment officer’ do BNP Paribas AM, Alessandro Tentori, corrobora esta previsão e acrescenta que a taxa de 2,5% se deve manter estagnada até ao final de 2027.
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