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Isabel Schnabel: “Do ponto de vista atual, acredito que será necessário um aumento das taxas de juro em junho.”

Nunca um membro do Conselho Executivo do BCE foi tão claro relativamente à situação económica na zona euro e à necessidade de subida das taxas de juro.

26 Mai 2026 - 11:38

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Isabel Schnabell, membro executivo do BCE | Foto: BCE

Isabel Schnabell, membro executivo do BCE | Foto: BCE

“Considerando a magnitude e a persistência do choque atual, ignorar a situação já não é uma opção. O choque está a propagar-se pela economia e a afastar a inflação da nossa meta durante um período significativo. Mesmo que a guerra terminasse hoje, muitos danos já teriam sido causados às infraestruturas energéticas e às cadeias de abastecimento globais. Portanto, ainda assim, acredito que seria necessária uma reação da política monetária.” As declarações de Isabel Schnabel, numa entrevista à agência Reuters e divulgadas nesta terça-feira no site do Banco Central Europeu (BCE), constituem até ao momento a manifestação mais clara de que o supervisor irá subir as taxas de juro na próxima reunião, marcada para 11 de junho.

Schnabel fez um retrato dos principais indicadores acompanhados pelo BCE e todos eles apontam num sentido negativo. “A inflação já subiu para 3% e, de acordo com as expectativas do mercado, deverá aumentar ainda mais, aproximando-se dos 4% no final do ano. Os preços do petróleo estão acima dos níveis que previmos no cenário base de março, e tanto os preços do petróleo como os do gás natural estão muito mais elevados do que antes da guerra.”

A esperança de uma rápida resolução do conflito desapareceu. “O choque é muito mais persistente. Em termos de persistência, na verdade, já ultrapassámos o cenário adverso, que pressupunha uma rápida normalização dos preços do petróleo”, refere a responsável.

Quanto aos indicadores, “estamos a observar sinais crescentes de que o choque está a alastrar-se a outros bens de consumo. Estamos a analisar diversos indicadores. Um indicador-chave são as expectativas das empresas relativamente aos preços de venda. De acordo com o inquérito da Comissão Europeia, verifica-se um aumento acentuado, em todos os setores, da proporção de empresas que projetam aumentar os seus preços de venda nos próximos três meses, mais rapidamente do que em 2022”.

“Um segundo indicador importante são as expectativas de inflação. Todos os inquéritos e indicadores de mercado mostram que as expectativas de inflação de curto prazo aumentaram acentuadamente”, refere aquele membro do Conselho Executivo do BCE, acrescentando: “O que é ainda mais preocupante é que, no nosso inquérito às expectativas dos consumidores, as expectativas de inflação também aumentaram no médio prazo e verificou-se um desvio da distribuição dessas expectativas para a direita. Ou seja, houve um certo agravamento da cauda direita da distribuição. Isto tem sido frequentemente interpretado como um indicador precoce de que o risco de desancoragem das expectativas de inflação está a aumentar. Esta situação deve ser acompanhada com muita atenção.”

O terceiro indicador importante são os salários. “Esta questão é mais complexa porque temos negociações salariais faseadas e longos períodos de vigência dos acordos salariais. Por isso, os dados concretos sobre salários só ficam disponíveis com atrasos significativos. Assim, se esperarmos que os efeitos de segunda ordem surjam nos dados salariais concretos, certamente será tarde demais”, referiu a responsável.

Perante tudo isto, Schnabel não tem dúvidas em afirmar que “do ponto de vista atual, acredito que será necessário um aumento das taxas de juro em junho”, mesmo que isso possa agravar o abrandamento da economia. “Estamos perante um choque adverso da oferta, e isso representa sempre um dilema para os bancos centrais, pois pode haver necessidade de um aperto da política monetária, mas, ao mesmo tempo, isso agrava o impacto negativo do choque na economia”, refere a responsável.

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