5 min leitura
Bison Bank anuncia o lançamento da primeira stablecoin portuguesa
António Henriques, CEO do Bison Bank, explicou ao Jornal PT50 o que é e como será negociado o primeiro ativo digital de uma instituição financeira no nosso país.
06 Mai 2026 - 07:30
5 min leitura
Comissão Executiva do Bison Bank/Foto: Bison Bank
Mais recentes
- Parlamento chama governador do BdP para esclarecer compra de ações de empresas
- Taxa de juro média dos novos depósitos sobe pelo segundo mês seguido em março
- Santander planeia acabar com a marca TSB no Reino Unido após aquisição
- BCE apresenta propostas para regular a intermediação financeira não bancária
- Autoridade bolsista dos EUA propõe divulgação de resultados semestral
- CGD estuda colocar BCI na Bolsa de Valores de Moçambique
Comissão Executiva do Bison Bank/Foto: Bison Bank
O Bison Bank anunciou, nesta quarta-feira, a entrada oficial da primeira stablecoin portuguesa no mercado: o ‘Bison Bank Electronic Money Token’. Desenhado para pagamentos e transferências internacionais rápidas, seguras e transparentes, este ativo digital será emitido em dois criptoativos: um com referência ao euro, com a designação ‘EUB’, e outro com referência ao dólar americano, com a designação ‘USB’.
Segundo a instituição financeira — o único banco com autorização do Banco de Portugal ao abrigo do Regulamento MiCA —, “este movimento sublinha o investimento do Bison Bank na área dos ativos digitais e posiciona esta instituição bancária entre as primeiras a operar com soluções de inovação financeira reguladas em Portugal, no contexto regulatório europeu”.
O CEO do Bison Bank, António Henriques, explicou ao Jornal PT50 qual será a estratégia da instituição no domínio dos ativos digitais e o porquê da entrada neste mercado em Portugal.
Jornal PT50 – Como se vai designar o ativo digital agora lançado?
António Henriques – Vamos lançar duas stablecoins ou, usando a terminologia técnica correta ao abrigo do regulamento europeu MiCA, dois E-money Tokens (EMT). Os EMT terão a designação de EUB e USB, sendo emitidos com referência ao euro e ao dólar americano, respetivamente. A nomenclatura foi pensada para ser intuitiva e refletir a sua ligação direta a cada uma das moedas fiduciárias.
PT50 – Será indexada ao euro? Qual é o valor da indexação e como vai variar?
A.H. – Sim, a EUB será indexada ao euro e a USB ao dólar americano. A indexação é direta, com uma paridade de um para um. Isto significa que o valor de um EMT EUB e de um EMT USB será sempre equivalente a um euro e a um dólar americano, respetivamente. Esta estabilidade é o pilar da sua utilidade e é garantida pelo facto de cada EMT em circulação ter o seu valor integralmente assegurado pela respetiva moeda fiduciária, custodiada no balanço do Bison Bank.
PT50 – Como pode ser negociada?
A.H. – Numa fase inicial, a negociação ocorrerá num ecossistema fechado, de acesso restrito, exclusivo a instituições financeiras e outras entidades reguladas, como bancos, instituições de pagamento e outros prestadores de serviços de ativos virtuais (VASP/CASP). Todas as entidades participantes e as suas wallets são previamente validadas (whitelisted) pelo Bison Bank. O objetivo não é a negociação especulativa, mas sim a utilização destes EMT como um veículo para otimizar a liquidez e agilizar transferências e pagamentos internacionais, reduzindo intermediários e incertezas.
PT50 – Qual é, atualmente, o portefólio de criptoativos que o Bison Bank tem para oferecer aos seus clientes?
A.H. – Através da nossa subsidiária, a Bison Digital Assets, oferecemos um portefólio composto pelos principais ativos do mercado em termos de histórico (track record) e capitalização bolsista, como a Bitcoin (BTC), o Ethereum (ETH) e a Solana (SOL). Adicionalmente, disponibilizamos stablecoins de referência, como o USDC e o EURC (neste caso, em parceria com a Circle), bem como Cardano (ADA) e Ripple (XRP).
A nossa estratégia passa por oferecer ativos com liquidez, relevância e um enquadramento de segurança de nível institucional. Está em curso um processo de fusão da Bison Digital Assets no Bison Bank que, logo que concluído e com a licença CASP atribuída no âmbito do MiCA, permitirá ao banco exercer diretamente as atividades com ativos digitais.
PT50 – Quando foi dada a autorização pelos reguladores para o lançamento?
A.H. – O lançamento de um E-money Token, ao abrigo do MiCA, não requer uma autorização específica, mas sim o cumprimento das regras de emissão e a devida comunicação ao regulador.
O que fizemos foi comunicar atempadamente a iniciativa ao Banco de Portugal, em total conformidade com os requisitos regulamentares, garantindo um alinhamento total com a entidade supervisora.
Para o segmento institucional e regulado
PT50 – Este ativo digital estará à disposição de todos os clientes ou destina-se a um segmento específico?
A.H. – Numa fase inicial, a nossa stablecoin destina-se exclusivamente a um segmento institucional e regulado. O objetivo é criar um corredor de pagamentos transfronteiriços mais eficiente e seguro entre instituições financeiras. Acreditamos que, ao validar o modelo neste ambiente controlado, criamos as bases para, no futuro, ponderar um alargamento ao retalho. No entanto, essa expansão será feita de forma prudente e gradual, em linha com a nossa filosofia de inovação e segurança.
PT50 – Haverá um alargamento para outras criptomoedas, como Bitcoin, Ethereum ou Solana, ou estas já estão disponíveis para os clientes do Bison Bank?
A.H. – Os ativos referidos — Bitcoin, Ethereum e Solana — já fazem parte do nosso portefólio atual e estão disponíveis para os nossos clientes através da Bison Digital Assets. Quanto ao futuro, a nossa política não é adicionar um número massivo de ativos, mas sim alargar a nossa oferta de forma seletiva.
A introdução de novas criptomoedas no nosso portefólio é um processo de avaliação contínua, baseado em critérios rigorosos de segurança, liquidez, relevância de mercado e conformidade regulatória. Continuaremos a analisar o mercado para identificar ativos que aportem valor real aos nossos clientes.
Mais recentes
- Parlamento chama governador do BdP para esclarecer compra de ações de empresas
- Taxa de juro média dos novos depósitos sobe pelo segundo mês seguido em março
- Santander planeia acabar com a marca TSB no Reino Unido após aquisição
- BCE apresenta propostas para regular a intermediação financeira não bancária
- Autoridade bolsista dos EUA propõe divulgação de resultados semestral
- CGD estuda colocar BCI na Bolsa de Valores de Moçambique