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Bleap estima custos anuais associados ao MiCA a rondar 1 milhão de euros

A empresa anunciou recentemente que conseguiu uma licença MiCA junto do regulador da Letónia. Com 95% dos clientes oriundos da UE, Bleap espera ter 20 mil utilizadores diários até ao final do ano.

30 Jun 2026 - 07:12

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Guilherme Gomes e João Alves, fundadores da Bleap | Foto: Bleap

Guilherme Gomes e João Alves, fundadores da Bleap | Foto: Bleap

A Bleap, ‘fintech’ na área dos criptoativos fundada por dois portugueses, revelou que conseguiu uma autorização ao abrigo do regulamento MiCA na Letónia, o que permite à empresa prestar serviços deste tipo em toda a União Europeia (UE).

A empresa anunciou este avanço poucos dias antes do fim do período transitório do MiCA, que termina nesta terça-feira, dia 30. Nos últimos tempos, a notícia que tem dado que falar neste aspeto é a tentativa falhada da maior plataforma de criptoativos do mundo, a Binance, em obter esta mesma licença.

Em tom humorístico, a Bleap até identificou a empresa numa publicação no LinkedIn a garantir que mantinha os seus utilizadores seguros no entretanto.

Num tom mais sério, o cofundador da Bleap, João Alves, revelou ao Jornal PT50 que a autorização do MiCA traz encargos para a empresa que ascendem a cerca de 1 milhão de euros por ano. “Desde pessoas específicas de ‘compliance’ e prevenção de branqueamento de capitais, requisitos DORA, processos internos para dar cumprimento aos requisitos de supervisão, notas de imediato e carga regulatória. São enormes barreiras à entrada”, critica.

Sobre o critério de escolha do país para obter a licença, João explica que este regulador foi o que deu mais confiança de “ter as competências necessárias para avaliar” o modelo de negócio da Bleap e também a “vontade de ter uma indústria de cripto lá”. “Estavam com uma equipa super bem preparada e profissional. Desde o momento que enviei um e-mail para pedir informações até estar a ter uma reunião com o regulador foram três dias”, destaca.

Por outro lado, reguladores de outros países que foram contactando apresentaram tempos de espera maiores. Nos Países Baixos, o tempo entre o primeiro contacto e a primeira reunião foi de duas semanas, o mais curto a seguir à Letónia. Em França, foram dois meses, o mais longo. Em Portugal, João Alves lamenta nunca ter conseguido entrar em contacto com o regulador.

Questionado sobre se pretendem obter autorização em mais países, esclarece que vão operar com a licença letã nos outros Estados-membros sem planos de obter mais licenças.

O cofundador da Bleap acrescenta ainda que este avanço regulatório não vai desbloquear produtos novos, mas sim apenas assegurar a continuidade da operação da empresa.

Empresa quer chegar aos 20 mil utilizadores diários em 2026

Sobre o estado do negócio – e recordando a última conversa com o cofundador, quando a Bleap ainda estava nos primórdios – João Alves adianta que, em 2025, ficaram perto do seu objetivo de 5 mil utilizadores diários. Para 2026, a meta está nos 20 mil.

Os mercados mais fortes da Bleap são Portugal e Espanha, revela ainda, acrescentando que cerca de 95% dos clientes são oriundos da UE.

Com 14 pessoas na equipa, a Bleap já processou 30 milhões de euros em 2026, um valor que supera os 22 milhões processados em todo o ano de 2025.

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