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Boris Vujčić defende maior integração dos mercados europeus para fazer frente a choques geopolíticos
O vice-presidente do BCE dá o exemplo de como o choque energético afeta os Estados-membro de formas diferentes e como esse risco deve ser partilhado entre todos.
02 Nov 2026 - 16:02
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O vice-presidente do Banco Central Europeu (BCE), Boris Vujčić, defendeu, nesta segunda-feira, um aprofundamento do mercado único como forma de criar resiliência face aos choques geopolíticos. “Choques que têm a mesma origem e impactos distintos já demonstraram como a partilha de risco europeia pode atenuar efeitos específicos de cada país e fortalecer a resiliência em toda a União Europeia”, argumenta.
Vujčić recorda o impacto da invasão da Ucrânia ao nível energético, lembrando que este não afetou, por exemplo, Itália e Espanha da mesma forma. O país ibérico produzia muito mais energia com recurso a fontes renováveis, pelo que o impacto foi muito menor do que em Itália.
As formas como a Europa pode aumentar a sua resiliência são diferentes de países como os EUA e a China, cujas economias beneficiam da escala. “A Europa necessita de encontrar a sua força na profundidade da sua integração – indo além da perspetiva de Estado-membro para adotar uma perspetiva verdadeiramente europeia”, acrescenta.
O vice-presidente do BCE criticou ainda a maior integração que se tem sentido com o mercado americano, ao invés da afinidade entre estados europeus. As fricções equivalentes a tarifas entre Estados-membro caíram 12 pontos percentuais desde 2014, enquanto entre a Zona Euro e os EUA baixaram 25 pontos percentuais. “Como resultado, as poupanças europeias estão a financiar cada vez mais as empresas americanas”, aponta, acrescentando que “além de perder em crescimento, uma falta de integração enfraquece a partilha de risco e, portanto, a resiliência”.
Vujčić nota que não é possível definir as políticas comerciais dos outros, mas a abertura entre fronteiras dentro do mercado único está inteiramente ao encargo dos europeus. “O nosso objetivo mais amplo devia ser a redução de barreiras na troca de produtos e serviços e completar o mercado único”, reforça.
Ao nível do banco central, sublinha, o ponto mais importante do mercado único é a união da poupança e do investimento, que engloba tanto o setor bancário quanto os mercados de capitais. Neste sentido, Vujčić defende que falta o último pilar da união bancária, o sistema de garantia de depósitos europeu, e um mercado de capitais completamente integrado que garanta a livre circulação de capital na União Europeia.
A isto acrescenta também a necessidade de sistemas de pagamento resilientes, referindo-se ao euro digital e ainda ao projeto europeu de ‘blockchain’ Pontes, lançado em setembro.
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