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BPCE admite entrada no negócio dos seguros em Portugal mas não confirma acordo com GamaLife

O CEO do Groupe BPCE disse estar surpreendido com a notícia que dava conta no interesse do grupo no na GamaLife, mas admitiu que pretende replicar em Portugal o modelo de 'bancassurance' que detém em França.

29 Mai 2026 - 18:56

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Nicolas Namias, CEO do BPCE | Foto: BPCE

Nicolas Namias, CEO do BPCE | Foto: BPCE

O CEO do BPCE, dono do Novo Banco, Nicolas Namias, afirmou nesta sexta-feira que foi surpreendido esta manhã com a notícia avançada pelo “Jornal Económico” que dava conta de uma negociação avançada para a compra da seguradora GamaLife, mas afirmou categoricamente que o grupo quer replicar o modelo de “Bancaassurance” que faz em França.

Questionado pelos jornalistas sobre esse negócio durante a inauguração, Namias disse que não comenta os investimentos do grupo e referiu que há várias formas de alcançar o objetivo de concretizar em Portugal o modelo da bancasseguros. “Descobri esta manhã no jornal uma forma possível”, acrescentou o gestor durante a cerimónia de inauguração de um centro de competências da Natixis do Grupo BPCE,  no Parque das Nações.

“Vi isso no jornal esta manhã e nunca comento o assunto. A única coisa que lhe posso dizer é o que fazemos em França, onde somos uma seguradora”, começou por responder. “Somos uma seguradora e criamos produtos de seguros, soluções para os nossos clientes bancários”, afirmou, dizendo que, em França, esse segmento de atividade se chama “bancassurance” (bancasseguros). “Queremos replicar isso aqui em Portugal”, admitiu, referindo que “há muitas formas de o fazer”.

Ainda a propósito da operação portuguesa, Namias referiu na sua intervenção inicial que Portugal se tornou num país estratégico para o grupo bancário francês, sendo agora o seu segundo mercado, e prometeu apoiar a economia portuguesa a pensar no longo prazo. “A recente aquisição do Novo Banco dá uma nova dimensão ao BPCE aqui em Portugal, estamos a criar uma plataforma bancária mais ampla” que dá “uma maior capacidade para apoiar a economia portuguesa”, apontou, referindo-se aos investimentos que o grupo está a fazer em Portugal, com o Novo Banco e com o crescimento da empresa Natixis.

Recorde-se que o BPCE finalizou há um mês a compra do Novo Banco em abril por 6,7 mil milhões de euros aos anteriores acionistas, o fundo norte-americano Lone Star, que detinha 75% do capital, e ao Estado português, que tinha uma participação de 25%.

“Queremos crescer aqui ao longo do tempo de uma forma sustentável”, reiterou Namias, dizendo que o papel de um banco passa por apoiar a economia onde está presente. “Essa é a definição de um banco: apoiar a economia onde operamos. Foi o que fizemos em França nos últimos 200 anos. É isso que vamos fazer agora em Portugal”, prometeu. No caso de Portugal, o líder do grupo francês salientou como fatores atrativos o facto de ter “uma economia forte”, uma “taxa de crescimento sempre acima” da área do euro, indicadores económicos fortes e contas públicas equilibradas.

Miranda Sarmento diz que compra do Novo Banco pelo BPCE é exemplar para a Europa

Presente na inauguração, o ministro das Finanças, Joaquim Miranda Sarmento, afirmou que a compra do novobanco pelo BPCE é um passo importante na construção de uma Europa com soberania económica e financeira. Um exemplo para os seus pares que, nos últimos anos, têm dificultado as fusões e aquisições transeuropeias na área financeira.

Isto não sem antes referir que este “é um projeto muito importante para o país” , salientando o número de trabalhadores que a Natixis espera ter em Portugal, cerca de 4 mil no Porto e Lisboa até 2029, e o impacto que tem “numa pequena economia como Portugal”. Miranda Sarmento referiu-se também ao investimento como “um sinal de confiança no país”, agradeceu as palavras do CEO do BPCE sobre a situação económica e referiu-se à importância de atrair projetos na indústria e serviços, notando que Portugal “ainda tem uma baixa produtividade, uma baixa competitividade e um PIB potencial baixo”.

Nicolas Namias garantiu que “o Novo Banco continuará a ser um banco português, gerido localmente, com a sua autonomia, evidentemente no âmbito da estratégia e da supervisão do BPCE”. A pensar em sinergias, “a ideia é utilizar a experiência do BPCE e disponibilizá-la aos clientes do Novo Banco”, explicou.

O presidente do grupo Natixis em Portugal, Etienne Huret, disse que a empresa manterá equipas no Porto e terá outras em Lisboa, não havendo risco de Lisboa absorver as atividades que já existem no centro onde a empresa se instalou inicialmente. O objetivo da Natixis, que hoje tem cerca de 3300 trabalhadores em Portugal, é passar a ter cerca de 4 mil profissionais dentro de 24 a 30 meses.

 

 

Jornal PT50 com Agência Lusa

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