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Centeno afirma que sustentabilidade financeira europeia é mais favorável que americana

O ex-governador do Banco de Portugal rejeita que a Europa tenha um problema de liquidez. Contrapõe que o verdadeiro problema é demográfico.

29 Abr 2026 - 14:12

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Mário Centeno, governador do Banco de Portugal | Foto: Banco de Portugal

Mário Centeno, governador do Banco de Portugal | Foto: Banco de Portugal

O anterior Governador do Banco de Portugal, Mário Centeno, afirmou nesta quarta-feira que não há um problema de liquidez na Europa, assegurando que a sustentabilidade financeira europeia é “muito mais favorável” do que a americana. “Nós não temos falta de dinheiro, não há nenhum problema de liquidez na Europa, a situação financeira da Europa é muito mais favorável do ponto de vista da sua sustentabilidade do que a americana”, defendeu Mário Centeno em Lisboa, no Foro La Toja, num painel denominado “O mercado único e a economia global”.

Centeno referiu ainda que “parte dos investimentos que são feitos nos Estados Unidos é com dinheiro europeu”, e aludiu para que esse “dinheiro pudesse ser investido na Europa e ser produtivo na Europa”. “Mas a Europa tem esse dinheiro e a Europa não pode outra vez pôr uma espada do Dâmocles em cima da cabeça dos europeus, dizendo que agora temos que fazer escolhas”, disse. “Se continuarmos a querer gerir a Europa na base do receio, do medo, do não há alternativa, temos um caminho que já todos negámos”, acrescentou.

“O que precisamos é de voltar ao espírito dos momentos em que fundámos as instituições europeias”, vincou.

O antigo Governador fez alusão à intervenção de Paulo Portas num painel anterior e reiterou que “o maior problema económico da Europa é o problema demográfico”. “A Europa é um velho continente, todas as projeções demográficas na Europa mostram um continente a definhar, e não há reformas que possam ser feitas no vazio, no vazio demográfico”, asseverou, acrescentando: “não vamos conseguir pôr os europeus com mais de 65 anos a montar ‘iPads’”.

Centeno referiu ainda que “Portugal e a Espanha empurraram sempre o mundo para o Sul”. “O desígnio que nós temos hoje do ponto de vista político na Europa, na posição que desempenhamos na Europa, é a de continuar essa interpretação que eu tenho daquilo que o Saramago quis descrever e do que é, na verdade, se calhar, o Mercosul é um capítulo da jangada de pedra”, acrescentou.

 

Agência Lusa

Editado por Jornal PT50

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