Subscrever Newsletter - Mantenha-se atualizado sobre tudo o que se passa no sistema financeiro.

Subscrever Newsletter

Mantenha-se atualizado sobre tudo o que se passa no sistema financeiro.

Submeter

Ao subscrever aceito a Política de Privacidade

6 min leitura

Como as inundações e os incêndios vão pôr à prova as contas dos bancos europeus

A Autoridade Bancária Europeia vai testar a resistência de 63 instituições financeiras aos prejuízos causados por catástrofes climáticas

15 Jul 2026 - 07:30

6 min leitura

O próximo ciclo de testes de esforço climáticos estará centrado no risco de inundação/Foto: Magnific

O próximo ciclo de testes de esforço climáticos estará centrado no risco de inundação/Foto: Magnific

A agência de notação financeira Morningstar DBRS analisou esta semana os novos testes de esforço que a Autoridade Bancária Europeia (EBA) irá realizar em 2027 e que vão incorporar os riscos climáticos. Com efeito, a EBA revelou no passado mês de junho que o novo teste de esforço abrangerá 63 bancos da União Europeia (UE) e da Noruega, incluindo 47 instituições da área do euro, representando aproximadamente 75% dos ativos do setor bancário da UE.

“Embora o impacto direto dos testes de esforço climáticos nos níveis de capital dos bancos deva permanecer limitado nesta fase, consideramos que o trabalho da EBA sobre os riscos de inundação e de calor extremo sinaliza uma mudança mais ampla rumo a uma supervisão mais abrangente dos riscos climáticos. Com o passar do tempo, acreditamos que os testes de esforço relacionados com o clima se tornarão um fator cada vez mais relevante nas avaliações de supervisão, no planeamento de capital e nos enquadramentos de gestão de risco em todo o setor bancário europeu”, refere a DBRS.

Segundo a agência de notação financeira, “o quadro de testes de esforço da EBA para 2027 assenta em três prioridades estratégicas: a redução significativa dos requisitos de dados, a limitação das obrigações de reporte duplicadas e a integração dos riscos relacionados com as alterações climáticas. Este último aspeto reflete a crescente importância dos riscos climáticos na avaliação da resiliência do setor bancário europeu”.

Ao contrário dos exercícios anteriores, a avaliação da EBA para 2027 inclui cenários concebidos para captar tanto os riscos de transição associados à passagem para uma economia de baixo carbono como os riscos físicos decorrentes das alterações climáticas, incluindo fenómenos meteorológicos extremos.

O exercício de testes de esforço climáticos será realizado conjuntamente pela EBA, pelo Banco Central Europeu (BCE) e pelas autoridades nacionais de supervisão, ao longo de um horizonte temporal de três anos, entre 2027 e 2029.

“O próximo ciclo de testes de esforço climáticos estará centrado no risco de inundação. As inundações constituem o risco de catástrofe natural mais significativo na Europa. Segundo a Agência Europeia do Ambiente (AEA), entre 1980 e 2024 os perigos hidrológicos (inundações) foram responsáveis por 47% de todas as perdas económicas relacionadas com fenómenos meteorológicos e climáticos na União Europeia, tornando-se a principal fonte de danos. As tempestades representaram cerca de 27% dessas perdas, enquanto as ondas de calor foram responsáveis por quase 18%”, refere a análise da DBRS.

No relatório Physical Climate Risk Signals in Credit: Longitude, Latitude, and Exposure, publicado em 19 de março de 2026, a DBRS explica como o risco climático físico pode ser avaliado através de dados climáticos e de perigos naturais. Nesse trabalho foi apresentada a base de dados Hazard Exposure Analytics and Trends (HEAT), que estima, à escala global, os danos esperados e os danos em cenários extremos para diversos perigos, cenários de alterações climáticas e horizontes temporais.

Ao mesmo tempo, o risco associado ao calor extremo está a emergir como uma nova prioridade de supervisão. Segundo uma notícia da Bloomberg, que cita declarações de um porta-voz da EBA, a autoridade está a desenvolver novas metodologias para medir o impacto financeiro dos fenómenos de calor extremo nos bancos.

O regulador está a explorar formas de quantificar o impacto das perturbações provocadas pelo calor extremo na atividade económica, no desempenho dos empréstimos e na rentabilidade dos diferentes setores. Contudo, os riscos relacionados com o calor apresentam desafios específicos de modelização, uma vez que os seus efeitos são frequentemente indiretos, afetando a produtividade laboral, a procura de energia, a produção agrícola, o desempenho das empresas e a atividade económica em geral, em vez de provocarem danos físicos diretos.

Por sua vez, a avaliação do risco de inundação é atualmente mais fácil de quantificar devido à disponibilidade de mapas de risco e de dados de geolocalização relativos aos ativos físicos.

A DBRS está também a trabalhar na expansão da sua base de dados de risco climático físico, através da inclusão de mais tipos de perigos, incluindo aqueles que não causam danos diretos nos ativos, mas que podem prejudicar a economia de uma determinada região, com enfoque inicial no mercado imobiliário residencial.

Se uma região ou um imóvel se tornar mais suscetível e vulnerável a riscos agudos ou de evolução lenta, isso poderá reduzir a atratividade da região ou a valorização do imóvel, mesmo na ausência de danos materiais imediatos. Esta análise depende menos da localização exata dos ativos, tornando os dados regionais particularmente relevantes (ver também Climate Risk Navigator – European RMBS HEATMap, publicado em 13 de maio de 2026).

Segundo a entidade, “as consequências imediatas dos testes de esforço climáticos em termos de requisitos de capital poderão ser inicialmente limitadas. No entanto, os esforços da EBA para incorporar riscos como as inundações e o calor extremo demonstram uma crescente ênfase regulatória na resiliência climática”.

“À medida que as metodologias evoluírem e a disponibilidade de dados melhorar, esperamos que os testes de esforço climáticos desempenhem um papel cada vez mais relevante na definição das expectativas de supervisão, nas decisões de alocação de capital e nas práticas de gestão de risco do setor bancário europeu”, acrescenta.

Para a DBRS, a “crescente integração do risco climático nos testes de esforço de supervisão evidencia a expectativa dos reguladores europeus de que os bancos reforcem a sua capacidade de identificar e compreender as vulnerabilidades de crédito relacionadas com as alterações climáticas”.

“Os bancos europeus com exposições concentradas em setores ou regiões particularmente sensíveis aos riscos climáticos poderão enfrentar um escrutínio acrescido relativamente à resiliência das suas carteiras e às suas práticas de gestão de risco”, conclui a agência de notação financeira.

Subscrever Newsletter

Mantenha-se atualizado sobre tudo o que se passa no sistema financeiro.

Ao subscrever aceito a Política de Privacidade