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No crédito à habitação, a responsabilidade constrói-se ao longo de todo o processo de contratação
Ao centralizar informação, automatizar controlos e assegurar a rastreabilidade de cada processo, a plataforma Habic procura ajudar os intermediários de crédito a conciliar eficiência, rigor e aconselhamento adequado às necessidades de cada cliente.
15 Jul 2026 - 16:19
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Num mercado em que o tempo de resposta pode determinar a concretização de uma operação imobiliária, falar de crédito responsável implica reconhecer um desafio central: é necessário responder com agilidade, sem reduzir a qualidade da análise, a transparência da informação ou a proteção do consumidor. É aqui que a tecnologia assume um papel relevante, enquanto suporte para decisões mais fundamentadas.
A pressão operacional sobre os intermediários é aliás confirmada por um estudo recente da UCI, publicado no jornal PT50. Quase 67% dos 733 profissionais inquiridos recebem mais de 20 novos clientes por mês e cerca de um quarto regista entre 21 e 30 novas entradas mensais.
O período entre o primeiro contacto e a escritura continua, porém, a ser relativamente longo: 55,3% dos inquiridos aponta para um prazo entre 31 e 60 dias e 38,1% para um ciclo entre 61 e 90 dias. Apenas 2,6% afirma concluir habitualmente os processos em menos de 31 dias. Quanto maior for o número de clientes e mais prolongado o ciclo de cada operação, maior será a necessidade de centralizar documentos, acompanhar prazos e manter um registo consistente das interações e decisões.
Novas exigências reforçam a importância da organização
A complexidade não resulta apenas do volume de processos. Em junho de 2026, o Banco de Portugal que está atualmente a preparar um novo enquadramento legal para os Intermediários de Crédito, publicou um guia prático, com 99 páginas, destinado aos 6.216 intermediários de crédito registados junto do supervisor. O documento sistematiza os deveres de conduta, informação e assistência, os procedimentos de reclamação e as regras aplicáveis à relação com os mutuantes.
O guia inclui listas de verificação que permitem aos profissionais avaliar autonomamente se estão a cumprir as suas obrigações. Segundo o Banco de Portugal, estas checklists funcionam como instrumentos de autoinspeção, reduzindo o risco de irregularidades e da aplicação de medidas de supervisão ou sanções.
Ainda em junho, o supervisor lançou a Área Reservada de Comunicações, um canal digital dirigido aos intermediários autorizados e às pessoas interessadas em exercer a atividade. A plataforma permite receber notificações e outras comunicações do Banco de Portugal, bem como enviar informação ao supervisor, através de um ambiente apresentado como mais simples, rápido e seguro.
Estas iniciativas evidenciam uma relação mais direta e digital entre o supervisor e os profissionais do setor, mas também reforçam a necessidade de manter informação atualizada e processos devidamente documentados. Um dado incorreto, um documento em falta ou uma interação sem registo podem atrasar a operação e dificultar a demonstração de que o cliente recebeu informação completa e adequada.
Um sistema desenvolvido para a intermediação de crédito
É neste enquadramento que o Habic se posiciona como uma infraestrutura tecnológica para servir os intermediários de crédito. A plataforma reúne a gestão de contactos e oportunidades, simulações, documentação, comunicação e acompanhamento das várias etapas, desde o primeiro contacto até à escritura.
A especialização constitui um dos principais elementos diferenciadores face às soluções generalistas de CRM. Enquanto estas se concentram sobretudo na gestão comercial de contactos e leads, o Habic foi desenvolvido para responder aos fluxos documentais e operacionais próprios do crédito à habitação.
Além de gerir oportunidades, a plataforma conserva o histórico de documentos, consentimentos, interações e decisões, estrutura as diferentes fases da operação e integra a comunicação com a banca. O objetivo é funcionar como o registo central de cada processo e permitir que o intermediário demonstre em que informação assentou a recomendação apresentada ao cliente.
O Habic incorpora também inteligência artificial generativa para apoiar a leitura de documentos, designadamente da Ficha de Informação Normalizada Europeia, sintetizar condições e preparar o enquadramento das operações para os bancos. Estas ferramentas reduzem tarefas repetitivas e ajudam a identificar a informação que deve ser esclarecida, mantendo no profissional a responsabilidade pelo aconselhamento.
Da documentação à comparação das propostas
Um processo-tipo ajuda a perceber o impacto desta organização. Por exemplo, perante um casal que pretende comparar propostas de diferentes bancos, o intermediário pode concentrar no mesmo dossiê os rendimentos, encargos, consentimentos e documentos relativos ao imóvel. A plataforma permite identificar elementos em falta, enviar informação às instituições integradas e reunir as respostas recebidas.
O profissional passa, assim, a dispor de uma base comum para explicar aos seus clientes as diferenças entre taxas, prazos, seguros, comissões e prestações mensais. Se, por exemplo, o cliente apresentar um novo comprovativo de rendimento, o documento fica associado ao processo, reduzindo o risco de existirem versões contraditórias dispersas por emails ou pastas.
O benefício não se limita ao tempo poupado. A centralização da informação reduz omissões, facilita a comparação e permite reconstruir o percurso da recomendação, reforçando a transparência perante o cliente, o banco e o supervisor.
Integração bancária procura reduzir o ciclo das operações
Outro elemento diferenciador do Habic é a ligação direta e bidirecional aos principais bancos através de integrações por API. A troca estruturada de informação reduz a necessidade de replicar dados em diferentes portais, reenviar documentos ou depender exclusivamente de atualizações manuais.
João Capucho, Managing Director da Finsolutia, sublinha que “a eficiência no crédito à habitação já não depende apenas da capacidade de negociação, mas da estrutura operacional que suporta cada processo”. Segundo dados comunicados pela Finsolutia, os processos geridos através do Habic podem ser até três vezes mais rápidos e reduzir em cerca de 40% o período entre o pedido de crédito e a escritura.
Com o reforço das exigências de transparência, o valor do intermediário desloca-se progressivamente da simples obtenção de condições para a qualidade do acompanhamento. “Quando a tecnologia assume a complexidade administrativa, o intermediário recupera o seu verdadeiro papel: o de consultor estratégico”, defende João Capucho.
No crédito à habitação, a responsabilidade constrói-se ao longo de todo o processo, na qualidade dos dados, na clareza das explicações, na adequação da recomendação e na capacidade de justificar cada decisão. A assinatura é o feliz culminar de todo este caminho.
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