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Criar valor para lá do capital: Private Equity e Venture Capital discutem talento e alinhamento de interesses.

O Jornal PT50 é media partner de um encontro promovido pela CFA Society Portugal em conjunto com a Associação Portuguesa de Capital de Risco (APCRI) que pretende refletir sobre os desafios humanos e de governação que moldam o futuro da indústria.

17 Jun 2026 - 14:15

4 min leitura

 

A capacidade de gerar retornos financeiros continua a ser a principal métrica de sucesso no universo do Private Equity e do Venture Capital. Mas, numa indústria cada vez mais sofisticada e competitiva, a criação de valor depende também de fatores menos tangíveis: a qualidade das equipas, a confiança entre investidores e gestores e a capacidade de atrair e desenvolver talento.

É precisamente sobre estes temas que incidirá o evento “Criar Valor em Private Equity e em Venture Capital: Accountability, Alinhamento de Interesses e Desenvolvimento de Talento”, promovido pela CFA Society Portugal em parceria com a APCRI. O encontro realiza-se no próximo dia 23 de junho, entre as 8h30 e as 10h30, no Altis Grand Hotel, em Lisboa.

O painel reunirá profissionais com experiência em diferentes segmentos do setor: José Portugal Catalão, Managing Partner da Mármore Capital; Pedro Ribeiro Santos, Managing Partner da Armilar; Cristina Barroso, CFO da CoRe Capital; e Marcos Soares Ribeiro, presidente da CFA Society Portugal, que assumirá a moderação.

Um setor em crescimento, mas com escassez de talento

O debate surge num momento em que o mercado português de capital de risco atravessa uma fase de expansão e profissionalização, acompanhando a crescente relevância das empresas tecnológicas e inovadoras na economia nacional.

Contudo, a evolução do setor enfrenta um obstáculo comum a muitas indústrias especializadas: a dificuldade em captar, formar e reter profissionais qualificados. Num mercado de dimensão relativamente reduzida, as sociedades gestoras competem por perfis com competências técnicas, experiência financeira e capacidade de acompanhar empresas em diferentes estágios de crescimento.

Segundo a Pedro Barata, director-geral da CFA Society Portugal “O encontro procurará discutir quais são os perfis e as trajetórias profissionais mais adequados às exigências atuais do setor, em que as necessidades de Private Equity são muito distintas de Venture Capital, bem como o papel que a formação especializada e as certificações profissionais podem desempenhar no reforço das equipas de investimento.  Serão também abordados modelos de investimento alternativos, como os Search Funds, nos quais um empreendedor angaria capital para adquirir e liderar uma empresa privada. O debate incidirá sobre os desafios técnicos, estratégicos e emocionais inerentes a este modelo de criação de valor.

A questão assume particular relevância numa altura em que os fundos procuram não apenas analistas e gestores de investimento, mas também especialistas em áreas como sustentabilidade, tecnologia, governação e gestão de risco.

Accountability e confiança no centro da relação com os investidores

Outro dos eixos centrais do debate será a relação entre os chamados General Partners (GPs), responsáveis pela gestão dos fundos, e os Limited Partners (LPs), os investidores institucionais que fornecem o capital.

Num contexto em os investidores institucionais exigem níveis crescentes de transparência e rigor, a justificação da tomada de decisão, o alinhamento de interesses e governance ganharam uma importância estratégica.

A confiança entre gestores e investidores não depende apenas dos resultados financeiros, mas também da forma como as decisões são tomadas, dos mecanismos de supervisão existentes e da capacidade de comunicar de forma clara e consistente.

À medida que o mercado amadurece, cresce igualmente a expectativa de que as sociedades gestoras adotem padrões de governação comparáveis aos das empresas cotadas ou das grandes instituições financeiras internacionais.

A maturidade de um ecossistema

A realização deste primeiro evento conjunto entre a CFA Society Portugal e a APCRI, com a parceria do Jornal PT50,  é também vista como um sinal da maturidade crescente do ecossistema português de capital de risco.

Nos últimos anos, Portugal tem assistido ao surgimento de novos fundos, ao aumento do investimento em startups e à maior participação de investidores institucionais nacionais e internacionais. Esse crescimento trouxe consigo desafios adicionais, desde a necessidade de maior especialização até à adoção de melhores práticas de gestão e ética profissional.

Ao colocar o foco em temas como talento, responsabilidade e alinhamento de interesses, a iniciativa pretende alargar a discussão para além dos números e dos retornos financeiros, sublinhando que a criação de valor sustentável depende, em última análise, das pessoas e das instituições que dão forma ao setor.

As inscrições para o evento estão a terminar, mas caso tenha interesse em reservar um lugar, por favor, envie um mail para:  info@portugal.cfasociety.org

 

 

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