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De março de 2025 a março de 2026, uma em cada cinco empresas que recorreu a crédito teve garantia pública
É preciso recuar a 2022 para encontrar um ano com mais crédito com garantia pública. Foram 3,4 mil milhões em 2025, segundo os dados do Banco de Portugal.
07 Mai 2026 - 07:03
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As garantias públicas não se cingem aos contratos de crédito à habitação. Também as empresas têm recorrido a empréstimos, enquadrados em programas do Banco Português de Fomento ou do Banco Europeu de Investimento, que “visam facilitar o acesso ao crédito. Ao cobrirem parte do risco assumido pelos bancos, podem propiciar condições de financiamento mais favoráveis”, aponta o Banco de Portugal, que lançou nesta quarta-feira uma série de estatísticas relativas a estes empréstimos.
Segundo os dados revelados, 2025 assistiu a uma nova vaga de recurso a estas garantias que não se observava desde 2022, quando foram usadas as linhas de apoio criadas devido à pandemia de COVID-19. Entre março de 2025 e março de 2026, foram concedidos 3,39 mil milhões em crédito com garantias, mais 2,8 mil milhões do que no ano anterior. Apenas em 2020 e 2022 houve um montante superior de crédito concedido ao abrigo de garantias públicas, de 4,89 mil milhões e 3,57 mil milhões.
Das 76,8 mil empresas que contrataram empréstimos neste período, 16,2 mil foi com recurso a garantia pública, o que corresponde a 20,3% do total. 2025 foi ainda um ano recorde de crédito empresarial, com um total de 26,6 mil milhões concedidos, o valor mais elevado desde o início da série do banco central, em 2015. Foram mais 3,7 mil milhões do que em 2024.
A instituição liderada por Álvaro Santos Pereira salienta ainda que os contratos celebrados com recurso a este mecanismo dispunham de condições de financiamento mais favoráveis do que os restantes. De acordo com as estatísticas divulgadas, a diferença da taxa de juro média entre contratos com e sem garantia foi de 0,84 pontos percentuais.
Os empréstimos contratados com recurso a garantia pública asseguraram uma taxa de juro média de 2,95%, contra 3,79% nos créditos normais. Em alguns setores, a diferença expande até aos 0,92 pontos percentuais.
A média dos novos contratos, em geral, fixou-se em 3,67%.
Olhando para os tipos de contrato, é possível observar que a taxa variável dominou. Contudo, há uma discrepância entre os créditos com e sem garantia pública. Entre os que recorreram a este mecanismo, a taxa variável foi a escolhida em 99% dos contratos, enquanto nos restantes correspondeu a 75%.
95% dos contratos sem garantia são até 250 mil euros
“O montante e o prazo dos contratos também diferiram entre os dois tipos de financiamento”, sublinhou o banco central. É possível averiguar que os empréstimos até 250 mil euros dominaram nos contratos sem garantia, correspondendo a 94,6% dos mesmos. Já entre os contratos com garantia, apenas 75,5% eram até esse valor.
O número de contratos de créditos de 250 mil a 1 milhão de euros sem garantia pública correspondem a 4,2% do total e os restantes 1,2% dizem respeitos a valores superiores. Para empréstimos com garantia, os números sobem para 20,8% e 3,7%, respetivamente.
No entanto, quando se analisam os montantes concedidos, a realidade muda de forma considerável. Apesar de serem apenas 1,2% do total de contratos, os créditos superiores a 1 milhão sem garantia representam 45,6% do montante total, enquanto os que ficam abaixo de 250 mil euros ficam ligeiramente abaixo de um terço.
Também nos empréstimos com garantias existem discrepâncias, com os empréstimos de menor valor e os que ficam acima de 1 milhão a terem pesos semelhantes, de 28,6% e 28,4%, respetivamente. Aqui, os créditos entre 250 mil e 1 milhão de euros levam a melhor, com 43% do montante a ser-lhes alocado.
Em relação ao prazo destes contratos, há mais pressa em pagar de volta nos créditos sem garantia. Aqui, mais de metade (58,7%) dos contratos têm prazo até um ano e apenas 9,6% tem mais de cinco. Por outro lado, os empréstimos com garantia registam apenas 1,1% dos contratos com prazo inferior a um ano, enquanto 17,9% tem prazo superior a cinco. Contudo, a larga maioria (81%) está entre um e cinco anos.
Pequenas empresas têm maior peso de crédito com garantia
Estes programas dirigem-se, sobretudo, a PME, como nota o banco central. Assim, a maior parte do montante destes novos créditos foram concedidos a micro, pequenas e médias empresas. “Entre os vários escalões de dimensão, foram as pequenas empresas que registaram a maior incidência deste tipo de financiamento: os contratos com garantia pública representaram 27% do montante total concedido a estas empresas. Seguiram-se as médias empresas, com 19%, e as microempresas, com 9%”, informa.
Em valores absolutos, as pequenas empresas contrataram um total de 7,38 mil milhões, dos quais 2,02 tinham garantia pública. Por sua vez, as médias empresas contraíram empréstimos no valor de 6,95 mil milhões, com a garantia presente em 1,29 mil milhões. As microempresas contrataram 10,73 mil milhões, dos quais mil milhões tinham garantia.
Nas grandes empresas, houve 193 milhões em empréstimos concedidos com garantia, contra um total de 5,6 mil milhões.
O Banco de Portugal revela ainda que, em comparação com os programas da pandemia, o peso destes mecanismos mais recentes é inferior para todas as classes de dimensão de empresas.
Peso do crédito com garantia é menor na Grande Lisboa
A região da Grande Lisboa foi a segunda onde se concederam mais empréstimos a empresas entre março de 2025 e março de 2026 e a terceira com mais crédito com garantia – 9,37 mil milhões e 763 milhões, respetivamente. Contudo, é a zona do país onde este último tem o menor peso em relação ao total, ficando pelos 8%.
O Norte domina tanto no total de crédito como no montante de empréstimos com garantia. Foram contratados 10,36 mil milhões, dos quais 1,6 mil milhões tinham recurso a garantia pública.
Ainda assim, o peso da garantia é de apenas 15,5%, ficando abaixo dos 24% e 23% registados nas zonas de Oeste e Vale do Tejo e Centro, respetivamente. O Centro foi a segunda região com maior recurso a empréstimos com garantia, de 991 milhões, num total de crédito concedido de 4,35 mil milhões. Já no Oeste e Vale do Tejo foram contratados 2,21 mil milhões, dos quais 528 milhões tinham garantia.
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