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Fintech num minuto – Tecnologia e finanças: a busca pela eficiência e inovação
Por Gonçalo Freire, Secretário-Geral, Fundação Alfredo de Sousa | Head of Open Innovation, Swiss Fintech Association
07 Mai 2026 - 12:06
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A notícia sobre a Mercury a utilizar milhões de linhas de código em Haskell para a sua engenharia de produção é um excelente ponto de partida para reflectirmos sobre o que está a acontecer no mundo das fintech. Não se trata apenas de novas aplicações ou de um marketing agressivo. Estamos a falar de uma profunda reestruturação tecnológica que visa a eficiência e a robustez dos sistemas financeiros.
Esta aposta em linguagens de programação complexas como Haskell, embora possa parecer distante do dia-a-dia do consumidor, é fundamental. Demonstra um compromisso com a qualidade e a escalabilidade, aspectos cruciais para empresas que lidam com grandes volumes de transacções e dados sensíveis. A Mercury está a construir as bases para um serviço financeiro mais fiável e seguro.
Paralelamente, o Citi explora o potencial da inteligência artificial (IA) para potenciar os seus consultores de investimento. A ideia é que a IA possa analisar dados, identificar tendências e oferecer recomendações mais precisas. No entanto, a notícia aponta para um obstáculo: a questão da memória. Isto significa que, apesar dos avanços, a IA ainda tem limitações para reter e processar toda a informação necessária para uma consultoria verdadeiramente personalizada e eficaz.
Por outro lado, a SoFi demonstra que a inovação pode trazer resultados financeiros concretos. O dobro do lucro da empresa, impulsionado pelo crescimento de empréstimos e membros, é um sinal claro de que os modelos de negócio mais ágeis e focados no cliente estão a ter sucesso. A SoFi parece ter encontrado um equilíbrio entre tecnologia e oferta de serviços que ressoa com os consumidores.
No campo dos pagamentos, o CEO da Airwallex expressa uma ambição clara: desafiar o domínio da Stripe. Esta declaração sugere que o mercado de processamento de pagamentos, apesar de ter um líder estabelecido, ainda tem espaço para novos actores com propostas de valor diferenciadas. A competição é saudável e pode levar a melhores soluções para as empresas.
A discussão sobre o Clarity Act, que parece estar a estagnar, levanta questões importantes sobre o ritmo da regulação. Num sector tão dinâmico como o das fintech, a lentidão na adaptação das regras pode criar incertezas e dificultar a inovação. É um lembrete de que a tecnologia avança a um ritmo diferente do da burocracia.
A Backbase, reconhecida como líder em plataformas de envolvimento digital bancário, reforça a ideia de que a experiência do cliente é cada vez mais importante. As instituições financeiras tradicionais precisam de investir em tecnologia para oferecer interfaces intuitivas e serviços personalizados, algo que as fintech já dominam.
Finalmente, a integração entre Paxos e Toku para pagamentos em stablecoin com rendimento incorporado é um exemplo fascinante de como o mundo das criptomoedas está a amadurecer. A introdução de rendimento em pagamentos de salários em stablecoin abre novas possibilidades para a gestão financeira e para a atracção de talento, especialmente para empresas que operam globalmente.
Em suma, as notícias desta semana pintam um quadro de um sector financeiro em constante evolução. Vemos a tecnologia a ser a espinha dorsal da inovação, desde a engenharia de software até à inteligência artificial. Vemos a competição a impulsionar melhorias e a regulação a tentar acompanhar o ritmo. A experiência do cliente e a exploração de novas formas de transacção, como as stablecoins, são tendências que moldarão o futuro. O desafio para todos os intervenientes, sejam bancos tradicionais, fintechs ou reguladores, é navegar nesta complexidade com agilidade e visão estratégica, garantindo que a inovação serve, em última análise, a eficiência e a acessibilidade dos serviços financeiros para todos.
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