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De Milão para Frankfurt: planos de Orcel para o Commerzbank espelham a fórmula UniCredit

Orcel planeia cortar 1,3 mil milhões em custos e não quer juntar os dois bancos antes de 2029. Choque de culturas pode dificultar o processo.

14 Ago 2026 - 16:36

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Andrea Orcel, CEO do UniCredit | Foto: UniCredit

Andrea Orcel, CEO do UniCredit | Foto: UniCredit

Com a Oferta Pública de Aquisição concluída com sucesso, a luz verde do Banco Central Europeu (BCE) à espreita e o adversário pronto a negociar, o CEO do UniCredit, Andrea Orcel, avança em direção a uma transformação do Commerzbank à luz do que já fez no banco italiano.

O que Orcel espera fazer em Frankfurt – recordando o seu plano e através de várias entrevistas com atuais e antigos diretores da instituição italiana levadas a cabo pela Reuters – assemelha-se à reestruturação que implementou no UniCredit quando chegou à liderança do mesmo, em 2021. Contudo, as fontes da Reuters indicam que este processo pode não ser simples.

O próprio BCE, apesar de estar inclinado a aprovar a transação, deixa alertas sobre a integração do Commerzbank no grupo, que acredita ser desafiante e demorada, segundo avançou a Reuters nesta semana. Recorde-se que Orcel pretende manter os dois bancos separados até, pelo menos, 2029.

Até lá, conta cortar os custos em cerca de 20%, ou seja, 1,3 mil milhões. Uma missão com esta envergadura não é inédita para o banqueiro italiano. Desde que chegou ao UniCredit, há cerca de cinco anos, as despesas operacionais baixaram de 9,7 mil milhões nos 12 meses terminados no primeiro trimestre de 2021 para 9,2 mil milhões nos 12 meses terminados primeiro semestre de 2026, segundo as contas da Reuters.

Nestes cinco anos, o UniCredit passou de perto de 82 mil colaboradores no final de março de 2021 para pouco mais de 66 mil em junho de 2026. O rácio de eficiência caiu de 51,5% para 34,3% no mesmo período.

O corte de pessoal traduziu-se na redução das equipas centrais corporativas. Orcel categoriza as mesmas como o “centro inchado”. Neste sentido, o CEO canalizou centenas de colaboradores para as agências de forma a reforçar as vendas do banco.

Ao mesmo tempo, o UniCredit teve uma redução considerável nas camadas de gestão. Este processo baixou o número de patamares de gestão entre a administração e os colaboradores das agências de nove para quatro. Neste sentido, vários diretores sénior já deixaram o banco

Foram ainda fundidas unidades internas, o que também permitiu mais cortes de pessoal, adiantam os entrevistados. A quantidade de unidades organizacionais baixou de cerca de 11 500 no final de 2020 para 6400.

Mas nem tudo são números. Os diretores entrevistados revelam que a disciplina rígida criou atritos internos. Um diretor considera que a rigidez é tanta que parece um banco em apuros e não um que distribui lucros recorde aos acionistas. A Reuters recorda que o banco anunciou em julho que cortou em “funções não relacionadas com o negócio”. Várias fontes indicaram à agência que papéis geradores de receitas eram mais valorizados do que funções de apoio.

O UniCredit não quis comentar, mas a Reuters relembra que os supervisores bancários nacionais têm a competência de monitorizar se as funções de ‘compliance’ e risco têm o número de pessoas adequadas.

Sobre a transformação do Commerzbank, Kilian Huber, professor da Chicago Booth, acredita que Orcel tem de se adaptar para controlar o banco alemão. “Os desafios que ele agora enfrenta… sobre gerir cultura e processos de transição ao longo de vários anos”. O especialista prevê também um choque de culturas entre os dois bancos.

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