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Compra do Commerzbank pelo UniCredit poderá criar um novo grupo financeiro no Top 10 europeu

Bettina Orlopp, CEO do banco alemão, admite negociações com o banco italiano

06 Ago 2026 - 11:18

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Bettina Orlopp, CEO do Commerzbank, e Andrea Orcel, CEO do UniCredit | Foto: Commerzbank e UniCredit, editada por Rigby Ciprião, Jornal PT50

Bettina Orlopp, CEO do Commerzbank, e Andrea Orcel, CEO do UniCredit | Foto: Commerzbank e UniCredit, editada por Rigby Ciprião, Jornal PT50

O Commerzbank iniciou negociações com o UniCredit tendo em vista uma eventual aquisição da instituição alemã pelo banco italiano. A informação foi avançada pelo próprio Commerzbank nesta quinta-feira, citada pela agência Reuters, após a divulgação dos resultados do primeiro semestre, que revelam um lucro líquido recorde de 1,8 mil milhões de euros, mais 39,6% do que no mesmo período de 2025. Deste montante, 898 milhões de euros foram obtidos apenas no segundo trimestre, praticamente o dobro do registado no período homólogo.

“Iniciámos conversações sobre esta matéria, o que corresponde ao interesse genuíno tanto do UniCredit como do Commerzbank, porque estamos determinados em criar valor para os nossos acionistas, clientes e colaboradores”, afirmou a CEO do Commerzbank, Bettina Orlopp, durante uma conferência com analistas. A gestora acrescentou: “Estou otimista de que, passo a passo, conseguiremos encontrar uma posição comum relativamente ao modelo de governo societário e também ao modelo de negócio.”

Orlopp e a restante equipa de gestão do Commerzbank têm manifestado, ao longo dos últimos meses, reservas quanto a uma integração com o UniCredit. Embora tenham existido várias rondas de negociações, estas terminaram sempre sem acordo.

Não é, contudo, claro se as mais recentes conversações constituem já negociações formais. O UniCredit não respondeu de imediato ao pedido de comentário da Reuters sobre as declarações da CEO do Commerzbank.

Orlopp acrescentou que é do interesse de ambas as instituições avançar rapidamente e identificar potenciais sinergias, nomeadamente através da redução de custos e da possibilidade de desenvolverem em conjunto grandes programas de investimento.

O anúncio público da retoma das negociações, num tom significativamente mais conciliador, representa um novo capítulo na disputa, que já dura há cerca de dois anos, em torno da aquisição do segundo maior banco alemão pelo seu rival italiano.

A operação ganhou um novo impulso nas últimas semanas, à medida que o UniCredit se aproximou do controlo do Commerzbank e vários responsáveis do banco alemão sinalizaram a retoma das negociações, depois da oferta considerada hostil lançada pelo banco italiano, avaliada em cerca de 45 mil milhões de euros.

Uma apresentação divulgada pelo Commerzbank esta quinta-feira revelou igualmente uma maior abertura da administração para negociar uma eventual combinação com o UniCredit, numa altura em que o banco italiano já detém uma participação de cerca de 48% no capital da instituição alemã.

Orlopp sublinhou, contudo, que o UniCredit, apesar da dimensão da sua participação acionista, terá de trabalhar em conjunto com a equipa de gestão do Commerzbank para definir os próximos passos, em vez de impor unilateralmente alterações estruturais.

“Isso exige uma visão comum sobre o modelo de negócio e o envolvimento de todas as partes interessadas”, afirmou.

Caso a operação venha a concretizar-se, a fusão entre o UniCredit e o Commerzbank dará origem a um dos maiores grupos bancários da Europa, posicionando-se muito provavelmente entre o 8.º e o 10.º lugar do ranking europeu por ativos, bastante acima da posição atualmente ocupada pelo UniCredit, mas ainda distante dos maiores bancos do continente, como o BNP Paribas, o HSBC, o Crédit Agricole, o Santander e o Barclays.

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