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Escolher um ETF não é apenas comparar comissões
Artigo traduzido para português por José Neto, CFA membro da CFA Society Portugal. Versão original escrita por Joanne M.Hill, PhD, Elisabeth Kashner, CFA e Dave Nadig
26 Ago 2026 - 07:35
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José Neto, CFA membro da CFA Society Portugal
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José Neto, CFA membro da CFA Society Portugal
Os ETFs (Exchange-Traded Funds) tornaram-se uma das ferramentas de investimento mais populares no mercado. Os portugueses que investem em ETF quase duplicam em três anos: são já 1 milhão , de acordo com a BlackRock, estando Portugal entre os países europeus onde a aquisição de ETF mais cresceu nos últimos anos.
A sua combinação de simplicidade, diversificação e custos reduzidos fez com que passassem a ser um elemento central das carteiras de investidores particulares, consultores financeiros e instituições. No entanto, o crescimento significativo da oferta criou um desafio: como escolher o ETF mais adequado entre milhares de alternativas disponíveis?
Uma abordagem superficial pode levar muitos investidores a comparar apenas as comissões de gestão, ignorando outros fatores que podem ter um impacto muito superior no resultado final do investimento.
Uma recente publicação da CFA Institute Research Foundation propõe a utilização de uma metodologia simples e estruturada para responder a esta questão: o modelo E‑T‑F, acrónimo para Efficiency, Tradability e Fit.
E de Efficiency: quanto custa realmente manter o ETF?
O primeiro elemento desta abordagem é a eficiência. O objetivo é avaliar (todos) os custos, mas também os riscos associados à detenção do ETF ao longo do tempo.
Muitos investidores olham apenas para a comissão anunciada pelo fundo ou para rentabilidade histórica. Contudo, existem outros fatores que podem afetar a rentabilidade, como a diferença entre o desempenho do ETF e o do índice que procura replicar, o tratamento fiscal, potenciais riscos operacionais ou risco de contraparte.
No caso dos Exchange-Traded Notes (ETNs), por exemplo, o risco de contraparte é relevante. Estes instrumentos são notas estruturadas emitidas normalmente por um grande banco e, ainda que incumprimentos de ETNs sejam raros, podem ocorrer em situações extremas. O caso mais relevante foi o colapso do Lehman Brothers em 2008, que deixou os detentores dos seus ETNs com perdas que poderão ter chegado aos 55%.
Quanto maior for o horizonte temporal do investimento, maior deve ser a diligência do investidor. Pequenas diferenças de custos e riscos, quando acumuladas durante anos, podem traduzir‑se em impactos significativos no retorno final a médio-longo prazo.
T de Tradability: é fácil comprar e vender?
O segundo aspeto diz respeito à negociabilidade. Nem todos os ETFs têm o mesmo nível de liquidez. Alguns têm volumes de negociação elevados e spreads reduzidos; outros são menos líquidos, o que pode aumentar os custos de investimento e desinvestimento.
Para investidores que realizam operações frequentes ou transacionam montantes significativos, estes custos de transação podem ser tão relevantes quanto os custos de gestão. Avaliar a liquidez efetiva do ETF ajuda a prevenir surpresas no momento da execução das ordens.
A regulação europeia não exige para os UCITS ETFs que se publique no prospecto ou no KID (Key Information Document) métricas de liquidez. Contudo, é possível encontrar estas métricas de liquidez, ainda que de forma dispersa (no broker, bolsas onde o ETF está listado, nos sites dos emitentes e nos sites agregadores de ETFs como a justETF ou a Morningstar).
F de Fit: o ETF está alinhado com o objetivo do investimento?
Talvez o elemento mais importante seja o terceiro e último. Um ETF pode ser eficiente e líquido, mas ainda assim não ser adequado ao objetivo pretendido ou perfil do investidor. O conceito de fit procura responder precisamente a esta questão: o produto oferece a exposição económica que o investidor procura e com níveis de risco que investidor consegue tolerar?
Embora dois ETFs possam apresentar designações semelhantes, a composição das carteiras, a metodologia do índice subjacente, a cobertura geográfica ou setorial e o perfil de risco podem diferir significativamente.
Conforme relembram os autores da publicação do CFA Institute Research Foundation, o custo de escolher um ETF inadequado pode ser muito superior à diferença de alguns pontos base em comissões ou de alguns cêntimos em custos de negociação.
Não existe um “melhor ETF” para todos
Aplicar a metodologia E-T-F não significa que devemos escolher todos os mesmos ETFs. Uma das conclusões dos autores (Joanne M. Hill, PhD, Elisabeth Kashner, CFA e Dave Nadig) é que a escolha do ETF depende sempre das características do investidor.
A recente publicação do CFA Institute Research Foundation ilustra este princípio de forma bastante pedagógica através de vários perfis de utilizadores – desde investidores particulares a consultores financeiros, fundações, family offices e hedge funds – mostrando como cada um valoriza diferentes aspetos do processo de seleção.
Assim, o mesmo ETF pode ser perfeitamente adequado para um investidor e inadequado para outro. Por isso, a avaliação deve começar pela definição clara dos objetivos de investimento, horizonte temporal, tolerância ao risco e necessidades específicas de cada caso.
Uma abordagem mais rigorosa para um mercado cada vez mais complexo
A popularidade dos ETFs trouxe enormes benefícios para os investidores, mas também aumentou a complexidade das decisões de investimento. Num universo com milhares de produtos disponíveis, a simples comparação de custos deixou de ser suficiente.
Uma vez avaliadas as características dos investidores, a metodologia E‑T‑F oferece uma estrutura prática e intuitiva para apoiar o processo de seleção, ajudando os investidores a olhar para três questões essenciais: Quanto custa efetivamente manter este ETF? Quão fácil será negociar este produto? Este ETF está realmente alinhado com os meus objetivos?
Responder a estas perguntas não garante o sucesso do investimento, mas aumenta significativamente a probabilidade de tomar decisões mais informadas e consistentes.
Artigo baseado na publicação A Comprehensive Guide to ETFs (2nd edition) Module 2; Evaluating ETFs da CFA Institute Research Foudation pelos autores Joanne M. Hill, PhD, Elisabeth Kashner, CFA, Dave Nadig.
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