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Euro digital vai conhecer hoje dia importante no Parlamento Europeu para avançar

O projeto do euro digital vai hoje a votos na respetiva comissão do Parlamento Europeu. Caso avance, BCE fica mais próximo de lançar projeto-piloto em 2027.

23 Jun 2026 - 10:13

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Foto: Adobe Stock/luaeva

Foto: Adobe Stock/luaeva

O euro digital, apresentado com uma alternativa europeia aos norte-americanos Visa e Mastercard para os pagamentos eletrónicos, vai conhecer hoje um dia importante no Parlamento Europeu (PE). Este euro é uma versão desmaterializada do euro metálico e de papel, concebida pelo Banco Central Europeu (BCE) para oferecer uma alternativa no setor dos pagamentos à oferta daqueles e de outros nomes bem conhecidos.

“As moedas continuam a existir e as pessoas vão poder continuar a usar os métodos de pagamento existentes. O euro digital vai oferecer uma escolha suplementar aos consumidores”, disse Alessandro Giovannini, conselheiro do BCE para este projeto, à AFP.

A Zona Euro está muito dependente dos sistemas geridos por operadores privados, na sua maioria dos EUA, como Visa, Mastercard e American Express, mas também PayPal ou Apple Pay. “Hoje, dois terços dos pagamentos por cartão na Zona Euro são tratados por empresas não europeias e 13 dos 21 Estados da Zona Euro não têm um sistema nacional de cartões para as compras correntes no supermercado ou em linha”, realçou Giovannini.

A utilização do euro digital vai requerer a criação de uma conta dedicada no seio de um banco ou um estabelecimento público, género estação de correios, para a qual se transfere dinheiro de outra conta ou na qual se deposita.

O sistema vai respeitar a vida privada, sem possibilidade de identificar os áureos das transações, e com um modo ‘fora de linha’ que oferece uma confidencialidade idêntica à das moedas.

Entre os principais críticos da novidade estão os bancos, desde logo, por causa do custo. Com efeito, receiam ter de pagar uma fatura astronómica: 18 mil milhões de euros para o conjunto do setor bancário, segundo um estudo da Federação Bancária Europeia, divulgado em abril. O BCE, por seu lado, avança um valor mais baixo. Em outubro, quantificou entre 4 mil milhões e 5,8 mil milhões.

Os bancos receiam também ficarem fragilizados: se os clientes converterem as suas contas em euros digitais, os seus depósitos vão diminuir. Mas Giovannini tranquiliza: “Graças à sua conceção que impede retiradas massivas de depósitos, o euro digital não tem esses riscos, mesmo em situações de crises extremas e improváveis”.

O BCE espera poder começar a emitir euros digitais em 2029, se a legislação necessária for aprovada até ao final deste ano. A Comissão Europeia apresentou um projeto de lei há três anos, que se arrasta pelo PE. Isto deve desbloquear-se hoje, com a comissão parlamentar dos Assuntos Económicos a preparar-se para aprovar a abertura de negociações com os Estados membros.

Se o processo negocial decorrer dentro dos tempos previstos, o BCE já se declarou pronto para lançar uma fase piloto em meados de 2027, antes do lançamento efetivo.

 

Agência Lusa

Editado por Jornal PT50

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