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Existem 7.400 moratórias de crédito no valor de 930 milhões provocadas pelo comboio de tempestades
Termina no próximo dia 28 a vigência das moratórias aprovadas pelo Governo para ajudar famílias e empresas a recuperarem dos efeitos dos temporais.
21 Abr 2026 - 17:20
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Clara Raposo vice governadora do Banco de Portugal | Foto Banco de Portugal
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Clara Raposo vice governadora do Banco de Portugal | Foto Banco de Portugal
São 7.400 as moratórias de crédito pedidas junto de 16 instituições financeiras, no valor de 930 milhões de euros, em consequência do chamado “comboio de tempestades”. Os dados foram divulgados nesta terça-feira por Clara Raposo, vice-governadora do Banco de Portugal, na Comissão Parlamentar de Orçamento, Finanças e Administração Pública (COFAP).
A responsável respondia a uma iniciativa do PSD, que quis saber de que forma o supervisor financeiro está a acompanhar as medidas excecionais decretadas pelo Governo em matéria de crédito bancário, destinadas a apoiar famílias e empresas na recuperação dos prejuízos causados pelos temporais ocorridos em janeiro e fevereiro deste ano.
Clara Raposo revelou ainda que o Banco de Portugal tem acompanhado de perto a atuação das entidades financeiras desde a primeira hora, tendo reforçado a sua vigilância no relacionamento entre bancos e clientes.
“Entre fevereiro e março, as reclamações que chegaram ao Banco de Portugal foram muito reduzidas. No total, estamos a falar de 14 reclamações relativas a cinco bancos diferentes, das quais 12 respeitam a crédito à habitação”, afirmou na Comissão Parlamentar.
A responsável adiantou que “se tratavam de dúvidas legítimas por parte das instituições financeiras, relacionadas com prazos, mas todas foram esclarecidas sem problemas. Nenhum cliente bancário ficou com situações por resolver”.
Clara Raposo referiu também que, no mesmo período, foram recebidos cerca de uma dezena de pedidos de esclarecimento junto do Banco de Portugal.
O acompanhamento da informação reportada pelas instituições financeiras levou a vice-governadora a afirmar que “não se espera um crescimento significativo das reclamações ou pedidos de esclarecimento até ao próximo dia 28 (data do fim das medidas extraordinárias decretadas pelo Governo)”.
Clara Raposo acrescentou que não existiram “impactos significativos” para a estabilidade do sistema financeiro nacional, tendo os bancos demonstrado capacidade para lidar “de forma tranquila” com o impacto financeiro dos temporais.
“O Banco de Portugal fez tudo para divulgar a informação necessária sobre estas medidas excecionais da forma mais clara possível e não temos nenhum sinal de alerta especial sobre os créditos concedidos ao abrigo destas moratórias”, afirmou.
A responsável adiantou também que, para além do reforço do acompanhamento da atividade dos bancos, o supervisor realizou uma ação inspetiva extraordinária aos sites e aplicações das instituições, para verificar se toda a informação disponibilizada sobre as medidas de apoio estava correta.
“Não temos indicação de práticas divergentes por parte das instituições de crédito; a informação prestada foi adequada”, referiu.
Apesar de as medidas terem sido anunciadas apenas a 6 de fevereiro, o Banco de Portugal já conseguiu recolher um conjunto de informações que permite concluir que “quem recorreu às moratórias de crédito eram pessoas com indicadores de risco ligeiramente acima da média nacional”, esclareceu Clara Raposo.
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