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Governador do Banco de Portugal nega crise na restauração

Álvaro Santos Pereira recorre a seis indicadores económicos para afastar a ideia de dificuldades no setor

20 Abr 2026 - 11:39

3 min leitura

Foto: Banco de Portugal

Foto: Banco de Portugal

Numa publicação feita nesta sexta-feira na rede social LinkedIn, o governador do Banco de Portugal recorre a cinco grandes indicadores económicos para negar que o setor da restauração esteja em crise. “Nos últimos meses tem-se falado muito de uma eventual crise no setor da restauração, com os representantes do setor a pedirem ajudas públicas e descidas de impostos. Será assim? O que é que nos dizem os números?”, escreve Álvaro Santos Pereira.

O primeiro indicador a que o governador recorre é o do crescimento do setor: “Nos últimos anos, o setor da restauração cresceu bastante, graças à expansão do turismo e ao aumento do consumo. Desde 2019, a restauração cresceu 69% em termos nominais e 25% em termos reais”, refere, acrescentando: “Esta tendência de crescimento continuou em 2025, embora de forma mais moderada. Ainda assim, em 2025, o volume de negócios na restauração aumentou 2,9% em termos nominais face a 2024”.

O segundo indicador refere-se à evolução dos preços e ao consumo: “Os preços cresceram 6%, o que levou a uma queda do volume de negócios em termos reais, principalmente no último trimestre de 2025. Ainda assim, os gastos (de portugueses e estrangeiros) em restaurantes aumentaram 2,7%, em termos reais”.

Outro indicador citado por Álvaro Santos Pereira tem que ver com a criação de emprego: “O emprego no setor da restauração tem crescido a um ritmo mais lento nos últimos anos e desacelerou em 2025. No entanto, em termos acumulados desde 2019, o setor registou um aumento de 22% no número de trabalhadores por conta de outrem. Os salários por trabalhador mantêm o dinamismo, crescendo em torno de 6% em 2025, encontrando-se 39% acima do valor de 2019”.

Seguidamente, o responsável aborda as falências: “Se atentarmos à evolução da criação e destruição de empresas no setor do alojamento e restauração (dados da Informa D&B), verificamos que, em 2025, se criaram 4.991 empresas, enquanto as saídas (falências) foram apenas 1.307”, acrescentando: “Se utilizarmos os dados do e-Fatura para o setor da restauração, verificamos que, ainda assim, houve uma criação líquida de empresas em 2025, embora menor”.

O governador analisa também a questão das margens do negócio: “As margens no setor da restauração têm permanecido relativamente estáveis nos últimos anos e em valores próximos dos observados no período pré-pandemia”.

Por último, “o rácio de crédito vencido no setor do alojamento (0,4%) e na restauração (2,1%) manteve-se em níveis historicamente baixos”.

“Por outras palavras, em relação à crise na restauração, os números são de tal forma evidentes que falam por si”, conclui Álvaro Santos Pereira.

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