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Lagarde: “Estamos a afastar-nos do cenário central, mas absolutamente determinados a que a inflação regresse aos 2%”
BCE vai apresentar cenários alternativos de crescimento daqui a seis semanas. Manutenção das taxas foi tomada por unanimidade. Duas subidas dadas como certas
30 Abr 2026 - 15:08
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Christine Lagarde, Presidente do BCE/Foto: BCE
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Christine Lagarde, Presidente do BCE/Foto: BCE
A presidente do Banco Central Europeu (BCE) afirmou nesta quinta-feira, em Frankfurt, que a economia está “a afastar-se do cenário central definido pelo BCE”, mas afastou qualquer cenário de estagflação. Christine Lagarde recordou que os dois cenários apresentados em março pelo supervisor europeu — um “grave” e outro “severo” — já incorporavam duas subidas das taxas de juro até ao final do ano, deixando implícito que será essa a opção do BCE.
A responsável referiu que, nas próximas seis semanas (sendo a próxima reunião a 11 de junho), todos os indicadores serão revisitados e será apresentada uma revisão daqueles cenários construídos em março.
No dia em que o BCE manteve as taxas inalteradas nos 2% — decisão tomada por unanimidade —, Lagarde reiterou o empenho absoluto do banco central em fazer regressar a inflação aos 2%.
“Todos desejamos um fim rápido para a guerra”, disse a presidente do BCE, acrescentando: “O que debatemos hoje no Conselho de Governadores é onde estamos face ao nosso cenário central. A realidade é que estamos a afastar-nos desse cenário. Os preços da energia estão a ter impacto na economia. Precisamos de compreender melhor qual será esse impacto.”
Lagarde admitiu que os governadores discutiram uma possível subida das taxas já nesta quinta-feira. “Tomámos uma decisão informada com base em informação ainda insuficiente”, referiu.
A presidente do BCE adiantou ainda que os governadores “discutiram pormenorizadamente cenários alternativos de política económica” e sublinhou ser necessário “revisitar toda a informação em junho”. “Acreditamos que estas seis semanas serão tempo suficiente para perceber se existirá, ou não, um fim rápido para o conflito no Médio Oriente.”
Lagarde afastou liminarmente um cenário de estagflação. “É muito comum, hoje em dia, falar-se de estagflação — isso gera muita ansiedade. A estagflação foi o que aconteceu nos anos 70 e é melhor deixá-la nessa década. Atualmente, as circunstâncias são completamente diferentes e não podemos aplicar esse termo ao que estamos a viver agora.”
A responsável referiu ainda que o BCE dispõe de um conjunto de instrumentos, mas que a taxa de juro continua a ser “a melhor ferramenta nestas circunstâncias”.
A presidente do BCE acrescentou que a instituição está a acompanhar de forma contínua a inflação, a simetria dos seus efeitos e os desvios que estão a ocorrer face ao cenário central definido.
Luís de Guindos, que é há oito anos vice-presidente do BCE e que participou pela última vez numa conferência de imprensa sobre política monetária, uma vez que o seu mandato termina no final deste mês, considerou “ter sido uma honra partilhar estas conferências de imprensa com a presidente Lagarde” e admitiu que, muitas vezes, se sentiu “desconfortável” com as perguntas dos jornalistas. “Mas é esse o vosso trabalho e fizeram-no muito bem”, acrescentou.
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