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Lagarde foi a Bruxelas repetir o mantra e lembrar que BCE age de acordo com o desenrolar da guerra
A presidente do BCE indicou que a guerra no Médio Oriente espoletou a subida das taxas de juro e que nenhum dos cenários previstos pelo banco central podiam evitar tal desfecho.
22 Jun 2026 - 15:10
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Foto: BCE
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A presidente do Banco Central Europeu (BCE), Christine Lagarde, falou nesta segunda-feira à Comissão de Assuntos Económicos e Monetários do Parlamento Europeu, onde explicou os avanços e recuos da política monetária desde fevereiro, a última vez que se apresentou perante os eurodeputados. Desde então, uma guerra começou, os juros subiram e as previsões económicas pioraram.
Lagarde começou precisamente por apontar as grandes alterações geopolíticas que se sucederam nos últimos meses, como estas estão a impactar a economia da Zona Euro e sublinhando “o quão rápido os choques externos podem reconfigurar as perspetivas económicas”.
A intervenção da presidente do BCE contou com as já habituais declarações presentes em cada discurso sobre as decisões de política monetária. “Vamos monitorizar de perto os desenvolvimentos [da guerra] e seguir uma abordagem dependente de dados e reunião a reunião para determinar a posição apropriada sobre a política monetária (…) Não nos comprometemos previamente com nenhuma tendência de taxas de juro”, reiterou Lagarde, espelhando os discursos dos últimos meses.
A líder do supervisor bancário garantiu que a instituição está atenta e pronta a agir, assegurando que o choque da guerra não apanhou o BCE completamente desprevenido ou sem rumo. Lagarde aponta precisamente para a estratégia de 2025 do banco central, que se foca em como a política monetária deve responder a ambientes de elevada incerteza e choques do lado da oferta. “A nossa estratégia está desenhada para assegurar que conseguimos manter a estabilidade dos preços perante tais condições”, afirma.
Lagarde explica ainda que as decisões de política monetária, nomeadamente a última, que subiu a taxa diretora em 25 pontos base, assentam em três princípios. Primeiro, na origem dos distúrbios do lado da oferta, especificamente a dimensão, persistência e propagação dos mesmos. De seguida, analisam os riscos que à volta do cenário base e como agir face a cada um. Por fim, a presidente do BCE reforça que a resposta, seguindo a lógica do segundo pilar, deve ser talhada para cada situação.
Assim, Lagarde justifica que a ação do BCE e as suas decisões sobre a política monetária continuam dependentes, sobretudo, do rumo da guerra no Médio Oriente, com esta a causar o choque inflacionista devido aos preços da energia causados pelo bloqueio do Estreito de Ormuz.
A líder do regulador considera o acordo de paz bem-vindo, mas alerta que “a situação continua frágil, com riscos de um retrocesso ou nova escalada”. De qualquer forma, Lagarde garante que a decisão de subir as taxas de juro em 25 pontos base é “robusta” em todos os cenários delineados pelo BCE e acrescenta ainda que os recentes avanços da situação estão enquadrados nessas mesmas hipóteses do banco central.
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