4 min leitura
Pela primeira vez, os intermediários de crédito passam a dominar o crédito ao consumo
Relatório do Banco de Portugal confirma que a totalidade dos novos contratos celebrados por aquelas entidades passou de 49,9% em 2024 para 50,6% em 2025
22 Jun 2026 - 17:00
4 min leitura
Foto: Pixabay
Mais recentes
- Presidente do Conselho de Administração do BCP compra obrigações do banco no valor de 100 mil euros
- A taxa de juro mista perde peso, mas ainda domina os novos contratos para compra de casa
- Prazo médio dos novos empréstimos à habitação já está nos 31,7 anos
- Pela primeira vez, os intermediários de crédito passam a dominar o crédito ao consumo
- Bison Bank torna-se no primeiro prestador de serviços de criptoativos em Portugal
- Wero entra na Áustria com o Raiffeisen Bank International e o Erste Bank Oesterreich
Foto: Pixabay
Os intermediários de crédito, que já eram responsáveis por mais de metade dos novos contratos de crédito à habitação (57% em 2024), passam agora também a dominar o crédito ao consumo. Segundo o Relatório de Acompanhamento dos Mercados de Crédito (RAMC) de 2025, divulgado nesta segunda-feira pelo Banco de Portugal, os 6216 intermediários de crédito que exercem atividade no nosso país foram responsáveis por 50,6% do crédito aos consumidores concedido em 2025.
Este predomínio — aproximadamente oito em cada dez intermediários de crédito atuam no mercado de crédito aos consumidores — é explicado quer pela facilidade com que os consumidores podem comparar as várias propostas de crédito elaboradas por estes profissionais, que, segundo o supervisor, estão a desempenhar um “papel pedagógico” no mercado de crédito, quer pelo facto de os consumidores não terem despesas com a remuneração destes intervenientes, uma vez que são pagos pelas instituições financeiras.
O Banco de Portugal confirma que esta preponderância conduz a um reforço da supervisão sobre os intermediários de crédito e que o processo de revisão legislativa do enquadramento desta atividade se encontra atualmente com o Governo.
A informação sobre os intermediários de crédito constante do Relatório de Acompanhamento dos Mercados de Crédito (RAMC) de 2025 foi recolhida através de um inquérito realizado pelo Banco de Portugal junto das instituições financeiras.
Na análise efetuada pelo Banco de Portugal, 59,9% dos intermediários são intermediários a título acessório (prestam serviços de intermediação em complemento da sua principal atividade económica e atuam em nome e sob a responsabilidade de uma ou mais instituições financeiras com as quais celebraram contratos de vinculação). É o caso, por exemplo, dos stands de automóveis.
Os restantes 40% são intermediários vinculados e 0,1% são não vinculados.
Em termos de áreas de negócio, 62% dedicam-se ao crédito aos consumidores, 21,8% ao crédito à habitação e 16,2% a ambos os segmentos.
Segundo o relatório, “por mês, foram celebrados, em média, 142 924 novos contratos de crédito aos consumidores (+4% do que em 2024), no valor de 761 milhões de euros (+11%). O montante de crédito aos consumidores cresceu em todos os segmentos (+12,7% no crédito pessoal, +12,2% no crédito automóvel e +2,5% no crédito revolving). O mesmo aconteceu com o montante médio dos novos contratos”.
A taxa anual de encargos efetiva global (TAEG) média dos contratos de crédito aos consumidores passou de 12,8%, em 2024, para 12,6%, em 2025.
“O mercado de crédito aos consumidores registou aumentos de 6,8% do saldo em dívida na carteira e de 10,8% do montante concedido, face a 2024. O crescimento do montante concedido foi superior ao do stock de crédito, indicando uma dinâmica de renovação da carteira e de intensificação da atividade creditícia”, refere o supervisor.
O Banco de Portugal acrescenta que “esta evolução beneficiou de um contexto que, em 2025, foi favorável à expansão da atividade creditícia, caracterizado, entre outros fatores, pela descida das taxas de juro de referência e pela manutenção do crescimento da economia portuguesa, acima do observado na área do euro, num período em que a taxa de desemprego se situou em níveis reduzidos e o rendimento disponível real das famílias cresceu”.
O crédito pessoal foi o segmento que apresentou o aumento mais expressivo no montante concedido em 2025 (mais 12,7% face a 2024), um crescimento superior ao registado no ano anterior (8,1% em 2024).
O crédito automóvel aumentou 12,2% em 2025, uma variação abaixo da observada em 2024 (14,9%). No crédito renovável, verificou-se um acréscimo mais moderado do montante concedido, tendo-se verificado um aumento de 2,5% em 2025, o que compara com o aumento de 8,9% apresentado no ano anterior.
Mais recentes
- Presidente do Conselho de Administração do BCP compra obrigações do banco no valor de 100 mil euros
- A taxa de juro mista perde peso, mas ainda domina os novos contratos para compra de casa
- Prazo médio dos novos empréstimos à habitação já está nos 31,7 anos
- Pela primeira vez, os intermediários de crédito passam a dominar o crédito ao consumo
- Bison Bank torna-se no primeiro prestador de serviços de criptoativos em Portugal
- Wero entra na Áustria com o Raiffeisen Bank International e o Erste Bank Oesterreich