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Prazo médio dos novos empréstimos à habitação já está nos 31,7 anos
Demora-se cada vez mais tempo a pagar a casa ao banco. Cerca de 34,6% dos contratos de crédito à habitação celebrados em 2025 tinham um prazo entre os 35 e os 40 anos
22 Jun 2026 - 17:15
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Demora-se cada vez mais tempo a pagar a casa ao banco. Segundo o Relatório de Acompanhamento dos Mercados de Crédito (RAMC), divulgado nesta segunda-feira pelo Banco de Portugal, o prazo médio dos contratos de crédito à habitação celebrados em 2025 foi de 31,7 anos, superando o prazo médio dos contratos celebrados no ano anterior (30,7 anos).
Para este aumento contribuiu, em particular, o peso dos contratos celebrados ao abrigo da Garantia do Estado, cujo prazo médio foi de 37,8 anos. “Apesar desta evolução na contratação, o prazo médio dos contratos em carteira a 31 de dezembro de 2025 manteve-se relativamente estável (33,5 anos, face a 33,6 anos no final de 2024). De igual modo, o prazo médio remanescente dos contratos de crédito à habitação em carteira no final de 2025 era de 22,1 anos, um valor semelhante ao registado no final de 2024 (21,9 anos)”, refere o documento.
Os prazos entre os 35 e os 40 anos representaram 34,6% dos contratos celebrados em 2025, tendo o seu peso aumentado 9,6 pontos percentuais face a 2024. Em contrapartida, diminuiu a percentagem de novos contratos com prazos iguais ou inferiores a 35 anos.
Esta evolução resulta do efeito dos novos contratos que beneficiaram da Garantia do Estado, uma vez que esta medida se destinou a faixas etárias mais jovens, com maior horizonte temporal para contratar crédito com maturidades iniciais mais longas. No final de 2025, aproximadamente três quartos dos contratos em carteira tinham prazos entre os 25 e os 40 anos, destacando-se os prazos entre 35 e 40 anos (28,9%) e entre 25 e 30 anos (25,4%).
Em 2025 foram celebrados 133 602 novos contratos (mais 11,5% do que em 2024) e concedido um montante inicial de cerca de 23,4 mil milhões de euros (mais 34,9%). Desta contratação, 18,8% dos novos contratos e 21,3% do montante concedido beneficiaram da Garantia do Estado.
O montante médio dos contratos de crédito à habitação celebrados em 2025 fixou-se em cerca de 175 mil euros (mais 21,1% do que em 2024), num contexto de subida dos preços da habitação e de adesão à Garantia do Estado, que permitiu a concessão de crédito com um rácio LTV (loan-to-value) mais elevado. O montante médio dos contratos de crédito à habitação celebrados ao abrigo desta medida foi de cerca de 199 mil euros.
No final de 2025, existiam 1,33 milhões de contratos de crédito à habitação em carteira, mais 2,1% face ao final de 2024 (1,30 milhões de contratos), aos quais correspondia um saldo em dívida de 111,7 mil milhões de euros (mais 11,6% do que em 2024).
Foram celebrados 37 366 novos contratos de outros créditos hipotecários em 2025 (menos 8,7% do que em 2024) e concedido um montante inicial de cerca de 2,7 mil milhões de euros (mais 1,8%), traduzindo-se num aumento de 11,5% do montante médio contratado nesta tipologia de crédito, que se fixou em cerca de 73 mil euros.
Em carteira, existiam 426 mil contratos de outros créditos hipotecários no final de 2025 (menos 7,2% face a 2024), com um saldo em dívida de 13,1 mil milhões de euros (menos 3,5%).
De acordo com os dados reportados pelas instituições de crédito ao Banco de Portugal, os intermediários de crédito continuaram a intervir em mais de metade dos novos contratos de crédito à habitação e hipotecário celebrados em 2025. O seu peso na contratação manteve-se equivalente ao de 2024 (57%), correspondendo a cerca de 14,8 mil milhões de euros (11,5 mil milhões de euros em 2024).
Para este efeito, considera-se que existe intervenção de um intermediário de crédito sempre que, em qualquer fase do processo de contratação, tenha ocorrido a sua participação.
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