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Mais de um terço dos portugueses não consome conteúdo sobre dinheiro

O consumo de conteúdo financeiro diminui ainda mais quanto mais velhas forem as pessoas e menos escolaridade tiverem.

08 Set 2026 - 09:11

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Foto: Pexels

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A digitalização está altamente implementada em Portugal, com 90% dos portugueses a utilizarem a internet todos os dias e 94% das pessoas a terem um smartphone com ligação à internet. Contudo, A abrangência não se traduz, por exemplo, em acesso a conteúdo sobre dinheiro.

De acordo com o Barómetro do Doutor Finanças – Literacia Financeira Digital, 36% dos cidadãos nacionais não consome conteúdo sobre dinheiro. A idade e a escolaridade têm um grande impacto neste indicador, segundo os dados divulgados.

Dos portugueses que não completaram o 3.º ciclo, 79% não consome conteúdo financeiro. Já entre os portugueses com rendimentos mensais até 860 euros, dois terços reportam a mesma situação.

No que diz respeito às fontes, das pessoas que procuram este tipo de conteúdo, 40% recorre a sites especializados, como órgãos de comunicação. Os motores de pesquisa, o Instagram e os podcasts são as mais escolhidas de seguida, mencionadas por 33%, 20% e 19% dos inquiridos. O Youtube e a televisão são referidos por 17% e 14% das pessoas.

A idade e a escolaridade também influenciam a diversidade das fontes. Segundo o estudo do Doutor Finanças, as redes sociais, o Youtube e os podcasts têm mais relevância entre os mais jovens. Não só ganham terreno como “começam igualmente a ter impacto na forma como se tomam decisões financeiras”, conclui.

“Um em cada quatro portugueses admite que as redes sociais influenciaram a forma como lidou com o dinheiro nos últimos três meses: 12% aplicaram dicas relacionadas com poupança ou orçamento, 7% consideraram investimentos e 6% viram produtos financeiros”, revela o barómetro.

Em declarações ao Jornal PT50, o ‘chief education officer’ do Doutor Finanças, Sérgio Cardoso, considera que os dados apresentados no estudo, sobre a influência das redes sociais na forma como as pessoas lidam com dinheiro, “mostram claramente que esta é uma área que merece atenção”, particularmente a penetração destes conteúdos nas camadas mais jovens.

“Isso torna ainda mais importante que exista transparência sobre quem comunica, quais são as suas qualificações, se existe uma relação comercial ou uma remuneração associada à recomendação e quais são os riscos do produto ou investimento apresentado”, alerta Sérgio Cardoso.

Neste sentido, argumenta que a regulação sobre estas questões, nomeadamente sobre os ‘finfluencers’, “não resolve o problema”. “É igualmente importante reforçar a literacia financeira para que uma pessoa consiga perguntar: quem está a dar esta informação? Com que objetivo? Qual é a fonte? Estou perante informação geral ou uma recomendação adequada à minha situação”?

O ‘chief education officer’ conclui que o princípio devia ser “simples”: “as redes sociais podem ser uma porta de entrada para a informação financeira, mas não devem ser o único elemento em que se baseia uma decisão financeira relevante”.

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