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“IA ainda não é hoje o maior risco para a literacia financeira”, mas pode vir a ser sem “desenvolvimento do pensamento crítico”
O 'chief education officer' do Doutor Finanças, Sérgio Cardoso, aponta outros riscos que considera mais preocupantes para a literacia financeira da população, como é o caso da fraude.
08 Set 2026 - 07:02
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Sérgio Cardoso, 'chief education officer' | Foto: Doutor Finanças
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Sérgio Cardoso, 'chief education officer' | Foto: Doutor Finanças
A Inteligência Artificial (IA) “ainda não é hoje o maior risco para a literacia financeira digital, mas pode tornar-se um problema relevante se a velocidade da adoção não for acompanhada pelo desenvolvimento do pensamento crítico e da capacidade de verificar a informação”.
O alerta é do ‘chief education offficer’ do Doutor Finanças, Sérgio Cardoso, em resposta ao Jornal PT50 sobre onde colocaria a IA numa lista dos maiores riscos para a literacia financeira e digital da população. Antes da IA, Sérgio elenca três questões que considera mais preocupantes neste contexto, tendo em conta os resultados do Barómetro Doutor Finanças – Literacia Financeira Digital.
A maior ameaça apontada é a própria fraude, que, segundo o estudo realizado pelo Centro de Estudos Aplicados da Universidade Católica Portuguesa, já bateu à porta de dois em cada três portugueses nos últimos 12 meses. Destes, 60% não chegou a sofrer consequências e 2% partilharam dados, mas sem perdas financeiras. Já 4% admitiram ter sofrido perda de dinheiro devido à fraude.
Em segundo lugar, o ‘chief education officer’ indica preocupar-se com a falta de confiança e competências digitais das pessoas, dado que cerca de um terço revela sentir-se pouco ou nada confiante para utilizar serviços financeiros digitais e proteger os seus dados e 31% tem pouca ou nenhuma confiança na capacidade de identificar uma tentativa de fraude online. Mais ainda, entre as vítimas, apenas 47% das pessoas reportou a situação às autoridades e 23% não tomou qualquer medida.
Contudo, num tom mais positivo, 95% dos 700 inquiridos afirmou que, perante uma mensagem do banco a pedir para clicar num ‘link’ e inserir códigos, não o faria e entraria em contacto com a instituição através de canal oficial.
O terceiro e último risco que Sérgio Cardoso coloca acima da IA prende-se com a “complexidade” dos serviços digitais, tendo em conta que 47% das pessoas admitiu desistir de uma operação financeira por considerar o processo digital demasiado complicado. Enquanto 38% dos inquiridos assegura ter-se tratado de uma situação pontual, os outros 9% revelam ser algo recorrente.
“Entre os 14% de portugueses que nunca ou raramente utilizam serviços financeiros digitais, destacam-se como principais razões a preferência pelo atendimento presencial (42%) e a falta de confiança ou medo de fraude (42%). Outros 12% admitem não saber utilizar este serviço”, aponta o estudo.
A idade e a escolaridade são fatores importantes neste domínio. A utilização diária de serviços financeiros digitais ascende a 64% entre pessoas na faixa etária dos 25 aos 34 anos, enquanto os maiores de 65 ficam nos 16%. Entre os mais idosos, 28% afirmam nunca utilizar estes serviços.
Para os portugueses com ensino superior, 49% recorre a estes serviços diariamente. Para as pessoas que não completaram o 3.º ciclo este valor baixa 14%.
Portugueses têm relação saudável com IA
Sérgio Cardoso encara a IA como um “risco emergente, sobretudo se começar a ser utilizada de forma acrítica para tomar decisões relevantes”. Neste sentido, argumenta que uma “utilização positiva” desta tecnologia pode ser a clarificação e explicação de conceitos e que “o risco aparece quando se passa da explicação para a decisão sem validar a informação ou sem compreender as limitações da ferramenta”.
No panorama nacional, a abordagem dos portugueses à IA está em linha com o que Sérgio Cardoso entende como razoável. Isto é, “a IA pode ter bastante utilidade numa primeira fase de aprendizagem e compreensão. E é precisamente aí que os portugueses parecem sentir-se mais confortáveis”, reforça.
O barómetro indica que 44% das pessoas confia em ferramentas de IA para explicar conceitos e 24% para comparar produtos financeiros. Por sua vez, 17% apoia-se nesta ferramenta para orçamentos familiares e 18% para deteção de burlas. Apenas 12% usam IA para recomendar investimentos. “Esta diferença parece-me saudável”, reitera o ‘chief education officer’.
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