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Menos de metade dos bancos portugueses contemplavam um “apagão” nos seus planos de contingência
Governador do Banco de Portugal quer banca a investir mais em tecnologias de informação e no combate à fraude.
15 Mai 2026 - 17:10
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Foto: Banco de Portugal
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Foto: Banco de Portugal
Numa altura em que as questões relacionadas com a Inteligência Artificial (IA) generativa estão na ordem do dia no sistema financeiro, o governador do Banco de Portugal defende que as instituições financeiras que operam no nosso país devem aumentar o investimento em tecnologias de informação.
Na reunião do Fórum com a Indústria para a Cibersegurança e Resiliência Operacional (FICRO), realizada no passado dia 6 de maio, Álvaro Santos Pereira abordou o tema da IA e, inevitavelmente, das capacidades do novo modelo de inteligência artificial da Anthropic, o Claude Mythos. O governador referiu que, ao nível da adoção de novas tecnologias, “os números mostram-nos que os bancos portugueses podem apostar mais nesta área”.
Na sua intervenção, divulgada nesta sexta-feira, Álvaro Santos Pereira disse que: “o volume de investimento em tecnologias de informação das instituições financeiras em Portugal, em torno de 10% das despesas gerais totais e 7,5% dos custos com pessoal, compara menos favoravelmente com a média europeia. Existe margem e necessidade para irmos mais longe”, afirmou o governador.
Álvaro Santos Pereira utilizou dois exemplos — o apagão e a tempestade Kristin — para ilustrar alguma falta de preparação do sistema financeiro nacional.
“Durante o apagão, cerca de 30% das caixas automáticas e 40% dos terminais de pagamento ficaram, mais tarde ou mais cedo, indisponíveis. Na tempestade Kristin, ainda que circunscrita a uma região, o impacto foi ainda maior”, referiu o governador.
E acrescentou: “Talvez mais relevante seja verificar que menos de 50% das entidades financeiras tinham previsto, antes do apagão, um cenário semelhante nos seus planos de continuidade de negócio e recuperação tecnológica. Pela nossa parte, também estamos a trabalhar para garantir que o Banco de Portugal mantém os seus serviços e atividade em funcionamento quando o próximo grande incidente acontecer. E reparem que eu disse ‘quando’ e não ‘se’.”
No domínio do combate à fraude digital, o responsável adiantou que “os números mais recentes mostram que, em Portugal, a fraude em instrumentos de pagamento é relativamente reduzida face à média europeia, mas ainda assim elevada, com uma incidência de 129 operações fraudulentas por cada milhão de operações com cartão e perdas de 161 euros por cada milhão”.
Já no que diz respeito às transferências a crédito fraudulentas, “o impacto social destas fraudes tem aumentado, com os utilizadores a suportarem 85% das perdas — em muitos casos, as poupanças de uma vida —, o que explica que esta seja uma das matérias mais reclamadas pelos clientes bancários”.
“Procurar e implementar soluções estruturais que reduzam este risco é essencial. E essa é uma prioridade do novo plano estratégico do Banco de Portugal”, concluiu o governador.
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