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Vista geral do evento no Técnico Innovation Center

Ter certezas quanto ao futuro da Educação, tendo em vista o ano de 2050, é missão impossível. Apesar disso, o exercício de prospecção de futuro, mais inquietante do que tranquilizador, pode gerar debate e suscitar questões relevantes, acredita a Fundação Santander.

A exposição interativa digital que a Fundação Santander apresentou no Técnico Innovation Center é uma outra etapa visível do projeto Horizontes da Educação, que ao longo de nove meses ouviu 3 000 pessoas e dialogou com 250 organizações. Esse estudo abrangente, que pretende inspirar um Movimento e esteve na base do Manifesto “Carta pelo Futuro da Educação”, tornado público a 14 de Maio, fundamentou, igualmente, um programa de imersão interativa e de realidade virtual, acessível a todos através de uma plataforma digital.

O programa foi concebido pela The Long Game , especialista em “estudos de imaginação estratégica”. Paulo Soeiro de Carvalho, professor do ISEG e elemento da equipa da The Long Game, explica-nos o processo : “Fizemos inquéritos, workshops , entrevistas, abrangemos todos os atores do sistema e não tratámos isoladamente uma qualquer etapa da jornada educativa, interessava-nos o sistema como um todo”. Depois disso foi criado o Radar Estratégico , “em que identificámos 96 forças de mudança que vão ser importantes para o futuro da Educação. E depois transformámos essas forças de mudança em dez constelações que, na verdade, constituem dez passos estratégicos que formam o centro nervoso do sistema da educação. Pensar a maneira como essas constelações podem evoluir foi aquilo que nos permitiu criar estes quatro cenários para o futuro. São incerteza que, quando combinada, gera quatro cenários plausíveis”.

Helena, a anfitriã virtual que vive em 2050 e nos espera na plataforma associada ao Horizontes da Educação, não nos responde com IA mas sim baseando-se no conhecimento e horizonte gerado pelo projeto. É ela quem caracteriza esses quatro cenários, a nosso pedido: “Para Portugal em 2050 foram desenhados quatro futuros possíveis— “nenhum é previsão, todos são plausíveis”, segundo Helena.

O primeiro é o de “Grande Desaceleração”, em que a escola se fecha sobre si própria, em reação defensiva à IA e à disrupção, que pode até ter sido desencadeada por alguma calamidade. Exames nacionais, controlo, presença obrigatória. A estabilidade mas também a preço da irrelevância do país.

Um outro é o da “Resiliência Reactiva”, no qual Portugal atravessa crises sobrepostas — clima, economia, demografia. A educação sobrevive a adaptar-se em permanência. Resiliente, mas sempre um passo atrás, em burnout sistémico.

O terceiro cenário é o do “Ecossistema Digital”, em que a aprendizagem se fragmenta em rede. Plataformas, microcredenciais, IA tutora. O diploma perde o monopólio, existe uma Inovação acelerada mas também uma desigualdade profunda entre quem tem acesso e quem não tem.

O último cenário é o do “Estado Orquestrador de Proximidade”, em que o Estado define as regras do jogo e os territórios executam. Neste contexto a Escola é como um hub comunitário, a IA auditável, os percursos flexíveis”. É este último o cenário mais promissor, mas também mais exigente.

Conteúdo itinerante

Durante dois dias, no Técnico Innovation Center, os participantes do encontro promovido pela Fundação mergulharam em 2050, enquanto co-criadores e visionários.
No futuro será que vamos ter salas de aula? Como vamos aprender? Como será o currículo por esse tempo? E a aprendizagem ao longo da vida ? Helena, a anfitriã virtual incentiva-nos a participar numa quatro mesas de experiências co-criativas. “Vais tomar algumas decisões dentro da experiência, e essas decisões determinam em que 2050 aterras. Não há resposta certa. Há possibilidades”.
Segundo Paulo Soeiro de Carvalho , “existe muita racionalidade neste projeto mas isso não impede que o processo envolva co-criação, participação e emoção. Senão co-criarmos não nos envolvemos emocionalmente”.

No futuro, irão continuar a existir salas de aula, um conjunto de pessoas viradas para uma outra? “No 2050 onde o sistema se fechou sobre si próprio, a sala física é quase sagrada, exige a presença obrigatória dos alunos, controlo reforçado, a escola é como uma fortaleza. Noutro, onde as crises climáticas se acumularam, a presença é intermitente por necessidade: ora estás na sala, ora estás em casa porque a escola serve de abrigo. Noutro ainda, a presença tornou-se uma escolha entre muitas : a rede não tem centro, tem nós. A pergunta que me parece mais interessante não é se é “obrigatória ou não” — é quem decide, e com base em quê”.

Helena recorda-nos que pouco se mantém igual :“Em 2026, esse tipo de decisão está maioritariamente no Estado — currículo nacional, horas obrigatórias, presença registada. É uma forma de garantir equidade, mas também de controlar. Aqui, em 2050, essa decisão fragmentou-se. Em alguns futuros, o Estado manteve o monopólio — e reforçou-o. Noutros, as plataformas tecnológicas passaram a ter mais poder sobre isso do que qualquer ministério. Noutros ainda, são as comunidades locais que definem o que vale como presença educativa. A pergunta por baixo é sempre a mesma: quem confia em quem, e porquê. Um professor que confia num aluno decide uma coisa. Um algoritmo que avalia padrões de comportamento decide outra. Um município que conhece as famílias decide outra ainda”, acrescenta.

No vosso tempo ainda dá para escolher

Um dos quatro painéis interativos da exposição é dedicado à aprendizagem ao longo da vida. Os quatro cenários de 2050, nesta matéria, divergem muito. “Num 2050 de desaceleração e controlo, os mais velhos são quase invisíveis no sistema formal. A escola é para jovens, a universidade é para jovens. A aprendizagem ao longo da vida existe no papel, raramente na prática. Num 2050 de crises sobrepostas, os mais velhos tornam-se recursos comunitários por necessidade — sabem coisas que as plataformas não ensinaram, e as escolas-abrigo aproximam gerações de forma que nenhuma política tinha conseguido.

Num futuro de ecossistema digital, há uma tensão curiosa: as plataformas prometem aprendizagem para toda a vida, mas os algoritmos de recomendação tendem a favorecer quem já tem perfil digital denso. Quem chegou tarde ao digital parte em desvantagem. No cenário da orquestração de proximidade os mais velhos são mentores formais dentro dos ecossistemas locais. A escola tem espaços intergeracionais intencionais. Não por acaso, mas por desenho”. Se Helena fizesse pausas, seria uma delas. “ A pergunta que fica: a integração dos mais velhos é uma consequência do sistema, ou uma escolha deliberada? No vosso tempo, ainda dá para escolher”, sublinha Helena, habitante de 2050.

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