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Millennium BCP lucra 873,7 milhões nos primeiros nove meses
O BCP reportou um aumento do lucro de 12,6%. A atividade internacional fica marcada pelo crescimento contínuo do resultado da operação polaca.
28 Out 2026 - 17:13
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Miguel Maya CEO do Millennium bcp | Foto Millennium bcp
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Miguel Maya CEO do Millennium bcp | Foto Millennium bcp
O Millennium BCP apresentou, nesta quarta-feira, um lucro de 873,7 milhões de euros nos primeiros nove meses do ano. Este resultado equivale a um aumento de 12,6% em termos homólogos. Segundo os dados revelados pela instituição, a atividade nacional é responsável por 727,9 milhões, mais 11,2%.
Olhando para o plano internacional, o polaco Bank Millennium continua a destacar-se, com o lucro a subir 29,6% para 259,7 milhões. Já em Moçambique, a operação obteve um resultado líquido de 16,8 milhões, caindo 31,4%.
As receitas do BCP ascenderam a 2,8 mil milhões, crescendo 5,7% face ao mesmo período de 2025. Destas, 2,17 mil milhões correspondem à margem financeira, que sobe 5,8%. Já as comissões aumentaram 5% para 628,8 milhões.
Por sua vez, as despesas do banco tiveram um incremento de 5,3% para 1,03 mil milhões. O rácio de eficiência melhorou ligeiramente de 36,6% para 36,3%.
O Millennium BCP alcançou um RoTE de 15,5%, acima dos 15,2% um ano antes. Já o rácio CET1 caiu de 15,9% para 15,2% e o rácio de cobertura por liquidez subiu de 321% para 330%.
O banco conta com uma carteira de crédito de 66,2 mil milhões, subindo 7,8%. Deste total, 45,91 mil milhões correspondem à atividade em Portugal.
Questionado sobre a garantia pública para a habitação do Estado, o CEO do BCP, Miguel Maya, revelou que o banco já utilizou 88% da verba, entre crédito contratado e em fase final de contratação. O líder da instituição reforça que não considera esta medida uma solução para a crise da habitação, mas é uma boa forma de assegurar casa aos jovens.
Tendo em conta as novas regras macroprudenciais do Banco de Portugal, adianta ainda, o número de propostas aprovadas caiu 1% desde a entrada em vigor, abaixo dos 5% estimados por Maya aquando da última apresentação de resultados.
O banco está “empenhado” e “ativo” na questão da habitação, garante o CEO. “O que não podemos fazer é não fazer nada”, reitera. Questionado sobre o volume de crédito concedido na área da promoção imobiliária, o banco não revela valores, mas Maya esclarece que tem uma quota de mercado “significativa”.
Em relação à reorientação do crédito à habitação para um mercado de custos mais acessíveis, Maya sublinha que o banco tem de avançar consoante as tendências do mercado e considera que é nesse sentido que o mercado está a ir. “Há uma clara preocupação em entender para onde vai a procura”, reitera.
Questionado sobre a subida do crédito em geral e se este vai chegar a um ponto de inversão, o CEO do BCP recorda que o fim do PRR leva a que tenham de existir outras formas de financiamento para a sociedade e grandes projetos e, nesse sentido, considera que a existência e o crescimento do crédito são necessários.
O crédito malparado perde peso na carteira, com o rácio NPE a baixar de 2,6% para 2,2%. Na atividade nacional, este rácio é de 1,5%, enquanto a operação internacional ascende a 3,6%. No terceiro trimestre, o BCP vendeu uma carteira de NPE de 75 milhões, segundo o líder da empresa.
O BCP tinha, no final de setembro, em Portugal, 384 agências, menos dez do que um ano antes. O número de colaboradores caiu de 6224 para 5983 no mesmo período.
O Bank Millennium reduziu a carteira de créditos hipotecários em francos suíços em 49% no último ano. Os novos processos judiciais relacionados com estas operações têm vindo a cair.
No caso do moçambicano Millennium BIM, o contexto económico do país tem impactado o banco e o seu desempenho. Excluídos estes impactos, segundo o banco, o resultado líquido seria de 73,6 milhões.
Sobre a saída da Fosun da estrutura acionista do BCP, Miguel Maya indica que existem investidores de longo prazo interessados e não comenta a possível entrada do Estado ou da seguradora Ageas no capital do banco.
Em relação à Sonangol, e à venda de ações para não superar a posição dos 20% – que exige uma autorização do Banco Central Europeu – o CEO recorda que a empresa tem lugar na administração e sabia o que estava a aprovar quando deu luz verde à recompra de ações.
O Millennium BCP conta na sua carteira com 6,6 mil milhões de euros de dívida pública francesa. A carteira global de dívida pública do BCP matura até cinco e o prazo médio ronda os 2,8 anos, acrescenta. A maior exposição é a títulos da União Europeia.
Sobre a dívida francesa, Maya desvaloriza a preocupação e indica que o BCP não regista perdas materiais com a mesma. O diretor financeiro esclarece que não existe efeito no rácio de capital devido à dívida pública, pois não foi comprada para vender, mas sim para deter.
Atualização dos objetivos do BCP
Miguel Maya, na apresentação dos resultados, revelou uma atualização dos objetivos do plano estratégico, mas não pretende rever o plano em si, assegura. O volume de negócios previsto até 2028 passa de 190 mil milhões para 200 mil milhões, com a atividade de Portugal, em específico, a elevar-se de 120 mil milhões para 130 mil milhões.
Já o rácio de eficiência pretendido passa de inferior a 40% para inferior a 37%, ao nível do grupo. Em Portugal, o valor passa de 37% para 34%. O custo de risco almejado deixa de ser inferior a 50 pontos base e passa a ser inferior a 43 pontos base. A nível nacional, passa de 45 pontos base para 35 pontos base.
A solvabilidade que o BCP quer para 2028, olhando para o rácio CET1, é de 14,25%, acima dos 13,5% previstos anteriormente. No campo da rentabilidade, deve superar os 17,5% em vez dos 13,5%.
Em atualização