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Nicolas Namias: “O Novo Banco será gerido localmente, mas dentro de um enquadramento estratégico definido pelo BPCE”

É a primeira vez que o responsável máximo do banco francês fala sobre a estratégia futura para a instituição portuguesa. Aumentar a quota de mercado nos particulares, PME e grandes empresas é um objetivo assumido. Tudo com base no know-how francês

26 Jun 2026 - 15:00

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O presidente Grupo BPCE, Nicolas Namias e o CEO do Novo Banco Mark Bourke (Foto/Novo Banco)

O presidente Grupo BPCE, Nicolas Namias e o CEO do Novo Banco Mark Bourke (Foto/Novo Banco)

“Até ao final de 2027 queremos que o Novo Banco esteja completamente integrado nos processos e na cultura do Grupo BPCE.” Este é o objetivo definido por Nicolas Namias, CEO do Grupo BPCE, para a instituição financeira portuguesa. O responsável falou, pela primeira vez, sobre a estratégia que os franceses querem ver implementada no Novo Banco. O objetivo é aumentar a quota de mercado em todos os segmentos de negócio: particulares, PME e grandes empresas.

“Somos completamente diferentes da Lone Star, que era um private equity. Somos um investidor de longo prazo. O que queremos é levar a experiência do Grupo BPCE para o Novo Banco”, afirmou Nicolas Namias nesta sexta-feira, num encontro com jornalistas portugueses em Paris. O responsável salientou que “o Novo Banco será gerido localmente, com autonomia, mas dentro de um enquadramento definido pelo BPCE e de uma estratégia definida pelo BPCE”, acrescentando que, atualmente, “não existem planos para mudar a marca Novo Banco”.

Para garantir que a integração do Novo Banco na cultura BPCE seja um êxito, Namias entregou o desafio a um dos mais séniores gestores do grupo francês: Olivier Delay, CEO da Natixis nos Estados Unidos.

A estratégia passa por exportar o conhecimento do Grupo BPCE e implementá-lo nos vários segmentos de negócio do Novo Banco. Assim, ao nível dos clientes particulares, a aposta é no desenvolvimento do crédito ao consumo, mas também na gestão de ativos.

Para as Pequenas e Médias Empresas (PME), a mais-valia estará ao nível do leasing e do factoring, nomeadamente através da experiência desenvolvida com a aquisição do negócio de leasing da Société Générale, que tornou o Grupo BPCE líder europeu neste segmento, com metade da operação sediada no mercado alemão.

Para o aumento da quota de mercado nas grandes empresas, o braço armado do Grupo será a Natixis Corporate and Investment Banking.

Para além destas valências, o Grupo BPCE está a desenvolver, em cooperação com o BNP Paribas, uma plataforma de pagamentos que será utilizada a nível europeu.

Ao nível dos seguros, Namias não quis pronunciar-se sobre o interesse do Grupo BPCE na seguradora Gamma Life em Portugal, mas acrescentou: “Somos um grupo que distribui produtos seguradores desenvolvidos por nós. Em Portugal vamos ter a mesma estratégia. Nada está decidido… podemos comprar ou desenvolver os nossos próprios seguros.”

Para já, a marca Novo Banco permanece inalterada, mas já com integração da designação Grupo BPCE.

A aquisição do Novo Banco foi explicada por Namias: “Comprámos o Novo Banco porque é um banco rentável, que se transformou nos últimos anos com grande sucesso e está bem implementado na economia real portuguesa.”

“O objetivo é manter o banco bem capitalizado e fazê-lo crescer ainda mais, para que seja ainda mais rentável.” A escolha de Portugal para protagonizar a primeira experiência de internacionalização do Grupo BPCE na banca de retalho foi atribuída ao facto de a economia do nosso país estar a crescer acima da média europeia, de existir um excedente nas contas públicas e de o próprio Novo Banco “ter um ADN muito semelhante ao Grupo BPCE no negócio das PME”, referiu o CEO do BPCE, acrescentando: “Portugal é um exemplo de desenvolvimento económico na Europa.”

A instituição francesa já tinha 3.000 colaboradores a trabalhar em Portugal nas operações da Oney e da Natixis, mas, com a aquisição do Novo Banco, esse número passou para 8.000 colaboradores.

“Onde quer que estejamos, queremos desenvolver as nossas marcas e crescer”, acrescentou Nicolas Namias, sublinhando que “não é apenas uma questão de rentabilidade”. Mais uma vez, o banqueiro salientou: “Eu defino a estratégia, mas é Mark Bourke (CEO do Novo Banco) que vai implementar essa estratégia com autonomia de gestão.”

“Somos um gigante francês, mas queremos ser um campeão europeu”, afirmou o CEO do Grupo BPCE, garantindo que o grupo vai continuar a crescer em França, onde está a desenvolver um sistema de IT comum para integrar as operações de retalho dos Banques Populaires e das Caisses d’Epargne, os principais acionistas do BPCE.

Trata-se de um investimento de mil milhões de euros que deverá estar concluído em 2028. Mas o grupo também quer continuar a crescer na Europa e a nível mundial.

“Somos o único grupo financeiro europeu que está a concretizar os objetivos definidos no Relatório Draghi (no que diz respeito à criação de grandes grupos financeiros europeus que permitam concorrer de igual para igual com os grandes bancos americanos)”, acrescenta.

O jornalista viajou a convite do Grupo BPCE

 

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